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O lucro líquido, sim, passa bem, e está muito vivo

Publicado em
25/3/2026
O lucro líquido, sim, passa bem, e está muito vivo. Veja o que muda pro investidor. Análise completa no blog da Traders.
O lucro líquido, sim, passa bem, e está muito vivo
O lucro líquido, sim, passa bem, e está muito vivo

A Telefônica Brasil (VIVT3), dona da Vivo, registrou lucro líquido de R$ 1,877 bilhão no quarto trimestre de 2025, uma alta de 6,5% em relação ao mesmo período de 2024. O número veio 8,7% acima do consenso de mercado compilado pela LSEG, que projetava R$ 1,73 bilhão. A receita líquida totalizou R$ 15,61 bilhões, avanço de 7,1% na base anual.

Mas o que realmente chamou atenção do mercado não foi só o lucro. A combinação de R$ 2,99 bilhões em juros sobre capital próprio, R$ 4 bilhões em devolução de capital e um novo programa de recompra de até R$ 1 bilhão fez as ações VIVT3 subirem 3,27% no pregão seguinte, a R$ 42,03, renovando a maior cotação histórica de fechamento da companhia.

Os números do 4T25 da Vivo em detalhe

O EBITDA ajustado da Telefônica Brasil alcançou R$ 6,699 bilhões no trimestre, crescimento de 8,1% sobre o 4T24. A margem EBITDA subiu 0,4 ponto percentual, chegando a 42,9%. Pra uma empresa do porte da Vivo, ganhar margem enquanto cresce receita não é trivial. Isso mostra que a operação tá ficando mais eficiente, não apenas maior.

O mercado esperava um EBITDA de R$ 6,35 bilhões. A Vivo entregou R$ 350 milhões a mais. Esse tipo de surpresa positiva costuma mexer com a percepção dos analistas sobre o valuation da empresa, e foi exatamente o que aconteceu.

No lado dos investimentos, o capex somou R$ 2,359 bilhões, uma queda de 4% em relação ao 4T24. A intensidade de capital (capex sobre receita) caiu pra 15,1%, uma melhora de 1,7 ponto percentual. Em outras palavras: a Vivo tá investindo menos pra gerar mais. Isso libera caixa, e caixa livre é o que alimenta dividendos e recompras.

Receita móvel puxa o crescimento, mas a fixa também surpreende

A receita de serviço móvel cresceu 7% no trimestre, totalizando R$ 9,84 bilhões. O motor principal continua sendo o pós-pago, que segue ganhando clientes com planos de maior valor agregado. O pré-pago, por outro lado, encolheu 3,9%, o que já era esperado. É uma tendência estrutural: o mercado brasileiro tá migrando do pré pro pós, e a Vivo tá surfando essa onda.

Do lado da rede fixa, a receita avançou 5,4% na comparação anual, chegando a R$ 4,43 bilhões. Fibra óptica, serviços corporativos de dados, ICT e soluções digitais foram os destaques. A Vivo tem investido pesado em expandir a cobertura de fibra pelo Brasil, e os números mostram que isso tá dando retorno.

Os serviços digitais, aliás, vêm ganhando relevância trimestre a trimestre. No 3T25, essa linha de receita havia crescido 22%. O 4T25 manteve o ritmo forte, consolidando a estratégia da companhia de ir além da telecomunicação tradicional.

A máquina de devolver dinheiro ao acionista

Se tem uma coisa que a Vivo sabe fazer, é remunerar o acionista. E no 4T25, a empresa elevou o jogo a outro patamar.

Primeiro, confirmou o pagamento de R$ 2,99 bilhões em JCP (juros sobre capital próprio), referentes ao segundo, terceiro e quarto trimestres de 2025. O valor bruto por ação ficou em R$ 0,93. A data de pagamento é 14 de abril de 2026.

Segundo, propôs uma devolução de capital de R$ 4 bilhões aos acionistas. Esse tipo de operação é diferente de dividendo: é uma redução do capital social da empresa, devolvendo dinheiro diretamente pro bolso do investidor. E o melhor: a tributação sobre devolução de capital costuma ser mais favorável que sobre dividendos.

Terceiro, aprovou um novo programa de recompra de ações de até 42,9 milhões de papéis, com teto de R$ 1 bilhão, válido até fevereiro de 2027. Recompra reduz o número de ações em circulação, o que aumenta o lucro por ação (LPA) de quem permanece na base acionária.

Somando tudo: JCP, devolução de capital e recompra, a Vivo vai devolver cerca de R$ 8 bilhões aos acionistas. Pra uma empresa que vale pouco mais de R$ 70 bilhões em bolsa, isso representa um yield de retorno total acima de 11%. Não é à toa que o mercado gostou.

Reação do mercado e o novo recorde

As ações VIVT3 reagiram com alta de 3,27% no pregão seguinte à divulgação do balanço, fechando a R$ 42,03. Foi a maior cotação de fechamento da história da Telefônica Brasil na B3.

O Itaú BBA classificou os resultados como "neutros a positivos", destacando que vieram sólidos e em linha com as estimativas. Mas foi a combinação de resultado operacional forte com o pacote agressivo de remuneração ao acionista que realmente empolgou o mercado.

Pra quem acompanha o P/L (Preço/Lucro), a Vivo negocia a múltiplos que ainda parecem razoáveis pra uma empresa com esse perfil de geração de caixa e disciplina na alocação de capital. Em um cenário de juros altos no Brasil, empresas que geram caixa e devolvem pro acionista tendem a se destacar.

O que impulsionou o resultado da Vivo

Três fatores explicam o desempenho acima das expectativas:

Migração pro pós-pago. O mercado brasileiro de telecomunicações vive uma transformação estrutural. Clientes estão saindo do pré-pago e migrando pra planos pós-pagos, que geram receita média por usuário (ARPU) muito maior. A Vivo, como líder do setor, captura a maior fatia dessa migração.

Expansão da fibra óptica. A empresa segue ampliando a cobertura de FTTH (fiber to the home) pelo país. Cada novo cliente de fibra substitui receita de serviços legados por receita de maior margem. É um ciclo virtuoso: mais fibra, mais margem, mais caixa.

Disciplina de custos. A queda do capex em 4% mesmo com receita crescendo 7,1% mostra que a Vivo já passou da fase mais pesada de investimento em infraestrutura. Agora colhe os frutos, com geração de caixa livre cada vez maior.

Dívida sob controle

A dívida líquida da Telefônica Brasil fechou dezembro de 2025 em R$ 13,1 bilhões. Pra uma empresa que fatura mais de R$ 60 bilhões por ano e gera EBITDA acima de R$ 25 bilhões anuais, esse nível de endividamento é confortável. A relação dívida líquida/EBITDA permanece bem abaixo de 1x, o que dá folga pra continuar investindo e remunerando acionistas ao mesmo tempo.

Esse perfil de balanço sólido é especialmente relevante no cenário atual de Selic elevada. Empresas muito alavancadas sofrem com o custo da dívida. A Vivo, com alavancagem baixa, praticamente não sente esse impacto.

Contexto setorial: telecomunicações como porto seguro

O setor de telecomunicações brasileiro vive um momento interessante. Depois de anos de guerra de preços que comprimiu margens e destruiu valor, o mercado se consolidou em poucos players grandes. A Vivo, a TIM e a Claro concentram praticamente toda a base de clientes do país.

Essa consolidação trouxe racionalidade na precificação. Os reajustes de planos passaram a acompanhar a inflação, e em alguns casos, a superar. Isso explica por que a receita da Vivo cresce consistentemente acima do IPCA. É um setor que se tornou mais previsível, com fluxos de caixa recorrentes. Pra quem pensa em alternativas além da renda fixa, empresas como a Vivo oferecem um perfil defensivo com geração de renda.

A absorção da carteira de clientes da Oi, concluída nos anos anteriores, também contribui. A Vivo ficou com a maior fatia dos clientes migrados, diluindo custos fixos sobre uma base maior.

O que esperar da Vivo em 2026

A empresa não divulga guidance formal, mas os sinalizadores são claros. A tendência de crescimento do pós-pago deve continuar, assim como a expansão da fibra em mercados menores. Os serviços digitais, incluindo soluções de cibersegurança e cloud pra empresas, devem ganhar participação na receita.

No retorno ao acionista, a mensagem do 4T25 foi inequívoca: a Vivo pretende devolver cada vez mais caixa. A proposta de devolução de R$ 4 bilhões em capital, somada ao JCP e à recompra, sugere que a administração enxerga a empresa como uma geradora de caixa madura, e não mais como uma companhia em fase de investimento pesado.

O risco? Se a economia brasileira desacelerar de forma mais intensa, o churn (cancelamento) no pós-pago pode subir, com clientes migrando de volta pra planos mais baratos. Além disso, a competição em fibra óptica tem se intensificado em algumas regiões, com provedores regionais ganhando espaço. Mas por enquanto, os números mostram que a Vivo segue navegando bem.

Com um yield de retorno total acima de 11%, balanço sólido e posição de liderança consolidada, a Vivo fecha o 4T25 como uma das histórias mais consistentes da bolsa brasileira. O lucro líquido não só passa bem: tá melhor do que nunca.


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