Escola do Trader

Mulheres no trading: as maiores investidoras

Publicado em
2/11/2025
Conheça as maiores mulheres no trading e investimentos. De Linda Raschke a Cathie Wood, histórias de quem quebrou barreiras no mercado financeiro.
Silhuetas de mulheres traders com gráfico ascendente representando crescimento e empoderamento
Silhuetas de mulheres traders com gráfico ascendente representando crescimento e empoderamento

Mulheres no trading: por que as maiores investidoras do mundo quebraram barreiras que ainda existem

Se você perguntar pra maioria das pessoas quem são os grandes nomes do mercado financeiro, a resposta quase sempre vai ser uma lista de homens: Warren Buffett, George Soros, Jesse Livermore. E não tem nada de errado em reconhecer a contribuição deles. Mas o que pouca gente conta é que algumas das operações mais geniais, das decisões mais corajosas e das trajetórias mais impressionantes do mercado foram protagonizadas por mulheres no trading e no investimento. E não estamos falando de exceções ou curiosidades históricas. Estamos falando de profissionais que mudaram regras, quebraram recordes e provaram que competência não tem gênero.

Esse artigo existe porque, no Brasil, praticamente ninguém cobre esse tema com a profundidade que ele merece. Os concorrentes ignoram. E a gente acha que isso é um erro enorme. Então bora conhecer essas histórias, entender os números e, principalmente, descobrir por que o mercado financeiro precisa de mais diversidade pra funcionar melhor.

Os números não mentem: mulheres investidoras no Brasil e no mundo

Vamos começar pelos dados, porque eles são reveladores. Na B3, a bolsa brasileira, as mulheres representam cerca de 25% dos investidores pessoa física. Parece pouco? É pouco. Mas o crescimento é acelerado. Em 2019, esse número era inferior a 20%. Ou seja, em poucos anos, houve um salto significativo.

No mundo, o cenário é parecido. Nos Estados Unidos, um estudo da Fidelity Investments mostrou que, quando mulheres investem, elas tendem a obter retornos ligeiramente superiores aos dos homens. A diferença é pequena em termos percentuais, mas estatisticamente consistente. A razão? Menos overtrading, menos excesso de confiança, mais disciplina no plano.

A Warwick Business School, no Reino Unido, chegou a conclusões semelhantes. Mulheres investidoras apresentaram retorno médio 1,8% ao ano superior ao dos homens no período analisado. Não é mágica. É comportamento: menos operações impulsivas, mais paciência, mais respeito ao plano de trading definido desde o início.

E tem um dado que vale destacar: segundo pesquisa do próprio Banco Central, mulheres brasileiras que investem tendem a diversificar mais e a manter posições por mais tempo. Em outras palavras, cometem menos os erros clássicos de quem está começando. Isso não quer dizer que todo homem erra mais ou que toda mulher acerta mais. Quer dizer que existem padrões comportamentais diferentes, e o mercado se beneficia quando há diversidade de perspectivas.

Muriel Siebert: a primeira mulher na NYSE e a luta que abriu caminho

Se existe uma pessoa que literalmente abriu a porta pra todas as outras, essa pessoa é Muriel "Mickie" Siebert. Em 1967, ela se tornou a primeira mulher a comprar um assento na Bolsa de Nova York (NYSE). Pra ter uma ideia do que isso significava: o assento custava US$ 445 mil, e ela precisou de um patrocinador homem pra ser aceita. E mesmo assim, enfrentou resistência brutal.

Antes de chegar à NYSE, Muriel já trabalhava em Wall Street há mais de uma década. Começou como analista de pesquisa e rapidamente se destacou pela capacidade de avaliar empresas do setor de aviação e defesa. Seus relatórios eram tão respeitados que gestores de fundos enormes seguiam suas recomendações.

Depois de conquistar o assento na bolsa, Muriel fundou sua própria corretora, a Muriel Siebert & Co., que existe até hoje. Ela também foi a primeira mulher a ocupar o cargo de Superintendente Bancária do Estado de Nova York. Uma carreira inteira de "primeira vez".

A lição de Muriel pra qualquer pessoa que está começando a investir na bolsa é simples: o mercado financeiro não foi construído pra excluir ninguém. Mas, historicamente, foi moldado por um grupo homogêneo. Quanto mais pessoas diferentes entram, mais o mercado se torna eficiente, justo e inovador.

Linda Raschke: a swing trader que venceu o mercado por décadas

Linda Bradford Raschke é, sem exagero, uma das maiores traders da história. Não "uma das maiores traders mulheres". Uma das maiores traders, ponto. Ela opera profissionalmente desde os anos 1980 e é especialista em swing trade e operações de curto prazo.

Linda começou no pit de trading de opções da Pacific Coast Stock Exchange, num ambiente que era, naquela época, quase 100% masculino. Ela conta que nos primeiros anos precisava provar competência todos os dias, porque cada erro era amplificado e cada acerto era minimizado. Mas os resultados falaram mais alto.

O que torna Linda especial é a combinação de análise técnica rigorosa com uma disciplina de execução impecável. Ela é conhecida por desenvolver e popularizar setups clássicos como o "Holy Grail" (baseado em ADX e médias móveis) e o "80/20" (baseado em padrões de barra de reversão). São estratégias que traders ao redor do mundo usam até hoje.

Linda também é autora do livro "Street Smarts", co-escrito com Laurence Connors, que é considerado leitura obrigatória pra quem quer operar swing trade com consistência. Se você tá estudando estratégias de swing trade, em algum momento vai cruzar com o trabalho dela.

Um detalhe importante: Linda sempre foi transparente sobre perdas. Ela fala abertamente sobre drawdowns, sobre momentos difíceis, sobre a importância de ter um diário de trading e de tratar a operação como um negócio, não como entretenimento. Essa transparência é rara no mercado, e é exatamente o tipo de postura que diferencia profissionais de amadores.

Ilustração de mulheres no trading
Mulheres que transformaram o mercado financeiro

Cathie Wood: a investidora que apostou na inovação quando ninguém acreditava

Cathie Wood fundou a ARK Invest em 2014 e rapidamente se tornou um dos nomes mais influentes do mercado global. A tese dela é clara: investir em inovação disruptiva. Inteligência artificial, genômica, robótica, blockchain, veículos autônomos. Tudo que a maioria dos gestores tradicionais considerava "arriscado demais".

Em 2020, o fundo ARK Innovation (ARKK) entregou retorno superior a 150%. Cathie se tornou a gestora de fundos mais acompanhada do planeta. As análises públicas dela no YouTube e nas redes sociais mudaram o jogo: pela primeira vez, uma gestora de bilhões compartilhava sua tese de investimento abertamente, de graça, pra qualquer pessoa assistir.

Claro que depois vieram os anos difíceis. Entre 2021 e 2022, o ARKK caiu mais de 75% do pico. E foi aí que Cathie mostrou algo que poucos gestores conseguem mostrar: convicção fundamentada mesmo na adversidade. Ela manteve as posições, reforçou a tese, e não mudou a estratégia por causa de pressão de curto prazo. Em 2023 e 2024, vários dos ativos que ela comprou na baixa tiveram recuperações expressivas.

A lição aqui não é "copie a Cathie Wood". É entender que ter uma tese de investimento clara, baseada em pesquisa profunda, e manter a disciplina mesmo quando o mercado vai contra, é uma das habilidades mais difíceis e mais valiosas que existem. É pura psicologia do trader aplicada na prática.

Abigail Johnson: a mulher por trás da Fidelity Investments

Abigail Johnson é CEO e presidente da Fidelity Investments, uma das maiores gestoras de ativos do mundo, com mais de US$ 4 trilhões sob gestão. Ela assumiu o comando da empresa fundada pelo avô em 2014, e desde então transformou a Fidelity numa potência de tecnologia financeira.

Sob a liderança de Abigail, a Fidelity foi uma das primeiras grandes gestoras a oferecer negociação de criptomoedas pra clientes institucionais, lançou fundos de índice com taxa zero, e investiu pesadamente em tecnologia de análise de dados e inteligência artificial aplicada à gestão de carteiras.

O estilo de gestão dela é discreto. Abigail não dá muitas entrevistas, não aparece em redes sociais, não faz previsões bombásticas. Mas os resultados são incontestáveis: a Fidelity cresceu em ativos, em clientes e em receita de forma consistente sob sua gestão. É o tipo de liderança que valoriza execução acima de exposição.

Pra quem está começando no mercado, Abigail Johnson é um lembrete de que nem todo grande investidor precisa ser barulhento. Às vezes, a consistência silenciosa gera mais resultados do que qualquer call na internet.

Geraldine Weiss: a "grande dama dos dividendos"

Se você gosta de investir focado em dividendos, precisa conhecer Geraldine Weiss. Ela é considerada a pioneira da análise baseada em dividend yield. Nos anos 1960, quando tentou conseguir emprego em Wall Street como analista, foi rejeitada sistematicamente por ser mulher. Os recrutadores literalmente diziam que ela deveria procurar emprego como secretária.

Em vez de desistir, Geraldine criou, em 1966, a newsletter "Investment Quality Trends", onde publicava análises baseadas em dividendos. Pra evitar a discriminação, ela assinava apenas como "G. Weiss", sem revelar o primeiro nome. Quando leitores descobriram que a autora era mulher, muitos cancelaram a assinatura. Mas os resultados da newsletter eram tão bons que, com o tempo, os números venceram o preconceito.

A "Investment Quality Trends" operou por mais de 50 anos e se tornou uma das newsletters financeiras mais respeitadas dos EUA. A estratégia de Geraldine era elegante na simplicidade: comprar ações de empresas sólidas quando o dividend yield estava historicamente alto (indicando que o preço estava baixo) e vender quando o yield comprimia (indicando preço alto). Essa abordagem baseada em valor e renda é usada por milhares de investidores até hoje.

Traders brasileiras: o cenário que está mudando

No Brasil, o mercado financeiro historicamente foi dominado por homens. Mas esse cenário está mudando rápido, e vale a pena prestar atenção.

Nos últimos anos, o número de mulheres operando na B3 cresceu de forma consistente. Parte desse crescimento vem da democratização do acesso: plataformas mais intuitivas, conteúdo educativo gratuito, comunidades online onde iniciantes podem aprender sem julgamento. E parte vem de uma mudança cultural mais ampla, onde mulheres estão cada vez mais presentes em áreas que antes eram consideradas "masculinas".

Existem traders brasileiras que operam day trade, swing trade e position trade com resultados consistentes. Muitas delas compartilham conhecimento em redes sociais, cursos e comunidades. Na comunidade do app da Traders, por exemplo, você encontra traders de todos os perfis compartilhando experiências, operações e análises em tempo real. É um espaço onde o que importa é a qualidade da análise, não quem está por trás dela.

O que os dados mostram é que mulheres brasileiras que entram no mercado tendem a ser mais disciplinadas no estudo. Elas fazem mais cursos, leem mais livros, testam mais antes de operar com dinheiro real. E essa postura metódica se traduz em resultados: menos perdas por impulsividade, mais respeito ao gerenciamento de risco, mais consistência no longo prazo.

Por que diversidade melhora o mercado financeiro

Esse ponto é importante e vai além de qualquer discussão ideológica. Existe uma razão prática, financeira e comprovada por pesquisa pra defender mais diversidade no mercado.

Estudos do Credit Suisse Research Institute mostraram que empresas com maior diversidade de gênero na liderança apresentam retorno sobre patrimônio (ROE) superior, menor volatilidade nos resultados e melhor governança. A McKinsey publicou dados semelhantes: empresas no quartil superior de diversidade de gênero têm 25% mais probabilidade de entregar retornos acima da mediana do setor.

No trading especificamente, diversidade de perspectivas reduz o risco de pensamento de manada. Quando todo mundo num mercado pensa igual, opera igual e reage igual, bolhas inflam e crashes se amplificam. Quando há diversidade de abordagens, o mercado se torna mais eficiente na precificação de ativos.

Além disso, pesquisas comportamentais mostram que equipes diversas tomam decisões melhores em situações de incerteza. No mercado financeiro, incerteza é a regra, não a exceção. Então faz todo sentido que mais diversidade resulte em melhores decisões coletivas.

Lições práticas das maiores investidoras do mundo

Cada uma das mulheres que mencionamos nesse artigo tem uma trajetória única. Mas quando você analisa todas elas juntas, alguns padrões se repetem de forma muito clara.

Disciplina acima de tudo

Linda Raschke opera com regras rígidas de entrada e saída. Cathie Wood mantém sua tese mesmo quando o mercado inteiro vai contra. Geraldine Weiss seguiu a mesma estratégia de dividendos por mais de 50 anos. A disciplina não é uma qualidade "feminina". É uma qualidade de traders consistentes, independente de gênero. Mas os dados sugerem que mulheres tendem a praticá-la com mais frequência no mercado.

Gestão de risco como prioridade

Nenhuma das grandes investidoras ficou famosa por "apostar tudo numa tacada". Muriel Siebert construiu uma carreira sólida ao longo de décadas. Abigail Johnson diversificou a Fidelity em múltiplas frentes. Linda Raschke é obcecada por controle de posição e stop loss. A mensagem é clara: proteger o capital é mais importante do que buscar o home run.

Estudo constante

Geraldine Weiss criou uma metodologia própria quando ninguém acreditava nela. Cathie Wood passa horas por dia estudando tendências tecnológicas. Linda Raschke testa e retesta setups obsessivamente. No mercado, o dia que você para de estudar é o dia que começa a ficar pra trás.

Transparência sobre perdas

Esse talvez seja o padrão mais importante. As grandes traders e investidoras não escondem perdas. Elas falam abertamente sobre drawdowns, sobre erros, sobre momentos difíceis. Essa transparência é fundamental porque cria expectativas realistas pra quem está começando. Ninguém ganha sempre. E quem finge que ganha está vendendo ilusão.

Como começar: dicas práticas inspiradas nessas trajetórias

Se você chegou até aqui e quer começar a operar ou investir, aqui vão algumas dicas diretas inspiradas nas mulheres que discutimos nesse artigo.

1. Estude antes de operar. Geraldine Weiss passou anos estudando balanços antes de publicar sua newsletter. Linda Raschke testou centenas de setups antes de encontrar os que funcionavam. Conhecimento não garante resultado, mas falta de conhecimento quase garante prejuízo.

2. Defina um plano e siga ele. Cathie Wood tem uma tese clara. Linda Raschke tem regras de entrada e saída definidas. Ter um plano não elimina perdas, mas elimina decisões por impulso, que costumam ser as mais caras.

3. Comece pequeno. Muriel Siebert trabalhou por mais de uma década em Wall Street antes de comprar seu assento na NYSE. Não tem pressa. Comece com valores que não comprometam suas finanças, aprenda com a prática e aumente gradualmente.

4. Busque uma comunidade. Nenhuma das grandes investidoras fez tudo sozinha. Elas tiveram mentores, colegas, parceiros de mercado. Participar de uma comunidade de traders é uma das formas mais eficazes de acelerar o aprendizado e evitar erros que outros já cometeram.

5. Não se compare com ninguém. Cada pessoa tem seu próprio ritmo, seu próprio capital inicial, suas próprias circunstâncias. O objetivo não é ser a próxima Cathie Wood. É construir sua própria trajetória com consistência.

O futuro é diverso

O mercado financeiro está mudando. É mais acessível, mais transparente e mais democrático do que nunca. E quanto mais mulheres, e mais pessoas de diferentes backgrounds, entrarem nesse universo, melhor ele vai funcionar pra todo mundo.

As histórias de Muriel Siebert, Linda Raschke, Cathie Wood, Abigail Johnson e Geraldine Weiss não são apenas inspiradoras. São provas concretas de que talento, disciplina e competência não dependem de gênero. O que dependem é de preparação, estudo e coragem pra agir.

Se você quer começar sua própria jornada no mercado financeiro, o primeiro passo é se preparar. Estude, pratique, conecte-se com outros investidores. Bora começar? Acesse www.traders.com.br e abra sua conta.


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