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Mercado vira aposta para o Copom e passa a ver corte menor da Selic

Publicado em
14/3/2026
Mercado muda aposta e agora projeta corte de 0,25 p.p. na Selic. Petróleo, guerra e dólar a R$ 5,32 complicam cenário pro Copom.
Mercado vira aposta para o Copom e passa a ver corte menor da Selic
Mercado vira aposta para o Copom e passa a ver corte menor da Selic

O mercado financeiro virou a mão. Depois de semanas apostando em um corte de 0,50 ponto percentual na Selic, a maioria dos investidores agora projeta que o Copom vai ser mais cauteloso e reduzir os juros em apenas 0,25 p.p. na reunião de terça e quarta-feira (17 e 18 de março). A mudança veio rápido: a escalada militar dos EUA e Israel contra o Irã, o petróleo perto de US$ 100 e o dólar a R$ 5,32 criaram um cenário bem mais complicado pro Banco Central iniciar o ciclo de cortes.

Além da decisão do Copom, o Fed (banco central americano) também decide juros no mesmo dia, numa superquarta que pode definir o rumo dos mercados nas próximas semanas.

O que mudou nas apostas do mercado pra Selic?

Até o início de março, o cenário parecia tranquilo. A Selic está em 15% ao ano desde janeiro, depois de cinco reuniões consecutivas de manutenção. O Copom já tinha sinalizado o início do ciclo de cortes pra março, e o mercado estava confortável com a ideia de um corte mais agressivo.

No dia 5 de março, as opções de Copom na B3 mostravam 65,5% de probabilidade de corte de 0,50 p.p. e apenas 26% pra corte de 0,25. Uma semana depois, no dia 11, a inversão foi completa: 51% apostam em corte de 0,25 e só 39% mantêm a expectativa de 0,50.

Três fatores convergiram ao mesmo tempo e colocaram o Banco Central numa posição muito mais delicada.

Petróleo, dólar e IPCA: a tempestade perfeita

O gatilho principal foi a guerra no Oriente Médio. Os ataques dos EUA e Israel contra o Irã praticamente fecharam o Estreito de Ormuz. Segundo dados do Goldman Sachs, o fluxo de petróleo pelo estreito despencou de 19,5 milhões pra apenas 0,5 milhão de barris por dia. O Brent saiu de US$ 67 pra perto de US$ 100 por barril, com picos acima de US$ 110.

No câmbio, o dólar fechou a sexta-feira em R$ 5,32, maior valor desde janeiro, com alta de 3,55% só em março. A fuga de capital de mercados emergentes pra ativos mais seguros empurrou o real pra baixo, pressionando a inflação de importados.

Pra completar, o IPCA de fevereiro veio em +0,70%, acima do esperado. Mesmo com o acumulado de 12 meses em 3,81% (dentro da meta), a composição preocupou. Educação (+5,21%) e Transportes responderam por 66% do resultado.

Com petróleo disparando, dólar subindo e IPCA pressionado, um corte de 0,50 poderia soar como afobação. O corte de 0,25 seria o caminho mais prudente: mostra que o BC está iniciando o afrouxamento, mas com cautela diante do choque externo.

Superquarta: Copom e Fed decidem juros no mesmo dia

A quarta-feira (18 de março) vai ser um dia pra ficar grudado na tela. Tanto o Copom quanto o FOMC divulgam suas decisões de juros.

Nos EUA, a expectativa é de manutenção dos juros em 3,50% a 3,75%. O Fed está num momento de transição, com a troca de presidência marcada pra maio, e o conflito no Irã adiciona incerteza ao cenário americano também. Se o Fed surpreender com qualquer sinalização diferente, o impacto no câmbio e nos mercados emergentes será imediato.

Pro Brasil, mais do que o tamanho do corte em si, o mercado quer saber: o BC vai sinalizar um ritmo de cortes futuros? Vai mencionar a guerra como fator de risco? Vai deixar a porta aberta pra acelerar o ritmo se o cenário melhorar?

O que esperar da semana de 17 a 21 de março

A semana começa pesada já na segunda-feira (17). O Boletim Focus sai às 8h25 e será o primeiro a capturar de forma mais completa o impacto da guerra nas projeções do mercado. O Focus anterior (10 de março) ainda mostrava Selic de 12% no fim de 2026 e IPCA de 3,91%, mas esses números devem ser revisados pra cima.

Durante a semana toda, petróleo e dólar vão ser termômetros em tempo real do sentimento do mercado. Se o Brent voltar a subir acima de US$ 110, a pressão por um corte menor aumenta. Se houver qualquer sinal de desescalada no conflito, o mercado pode voltar a precificar o corte de 0,50.

Qualquer que seja a decisão, uma parcela relevante do mercado vai estar "do lado errado". Em ambos os casos, espere oscilações fortes no Ibovespa, no dólar e nos juros futuros na quinta-feira (19).

Semana decisiva pela frente.



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