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Lucro da Allos (ALOS3) sobe +62% e atinge R$ 252,3 milhões no 4T25

Publicado em
20/3/2026
Lucro da Allos (ALOS3) sobe +62% e atinge R$ 252,3 milhões no 4T25. Entenda o impacto nos seus investimentos. Veja o que muda pro investidor.
Lucro da Allos (ALOS3) sobe +62% e atinge R$ 252,3 milhões no 4T25
Lucro da Allos (ALOS3) sobe +62% e atinge R$ 252,3 milhões no 4T25

A Allos (ALOS3) entregou um lucro líquido de R$ 252,3 milhões no 4T25, uma alta de 62,1% em relação ao mesmo período de 2024. O resultado foi impulsionado pelo crescimento do aluguel nas mesmas lojas (SSR), pela redução de despesas administrativas e por uma ocupação que beirou a capacidade máxima dos shoppings da companhia.

No acumulado de 2025, o lucro proforma atingiu R$ 834,2 milhões, avanço de 31,5% sobre o ano anterior. Os números confirmam a tese de que a reestruturação do portfólio, com a venda de ativos menos estratégicos e a concentração em shoppings premium, está gerando valor de forma consistente.

Receita e EBITDA da Allos no 4T25

A receita líquida no quarto trimestre ficou em torno de R$ 850 milhões, crescimento de 4,6% a 4,9% na comparação anual. O ritmo não foi explosivo, mas veio sólido, num trimestre em que a base de comparação já era mais exigente.

O destaque ficou por conta do EBITDA ajustado de R$ 672 milhões, com crescimento de 7,4% sobre o 4T24. A margem EBITDA bateu 79%, o maior patamar da história da companhia. Pra contextualizar: uma margem de 79% significa que a cada R$ 1 de receita, R$ 0,79 viram resultado operacional. Isso é excepcional mesmo dentro do setor de shoppings, que já opera com margens naturalmente elevadas.

Essa expansão de margem veio de dois vetores principais. Primeiro, o programa de simplificação administrativa que a Allos vem tocando desde a fusão entre Aliansce Sonae e brMalls. Segundo, a concentração do portfólio em ativos de maior qualidade, que naturalmente geram mais receita por metro quadrado.

Operação dos shoppings: ocupação de 97,6% e vendas de R$ 13 bi

Os indicadores operacionais vieram fortes. A taxa de ocupação atingiu 97,6%, com vacância de apenas 2,4%, queda de 0,9 ponto percentual em relação ao 4T24. Pra quem acompanha o setor, esse é um patamar que deixa pouca margem pra melhorar. Na prática, os shoppings da Allos estão praticamente cheios.

As vendas totais dos lojistas somaram cerca de R$ 13 bilhões no trimestre, alta de 5,1% sobre o mesmo período do ano anterior. O crescimento das vendas nas mesmas lojas (SSS) foi de 3%, número modesto, mas que reflete uma base de comparação mais forte.

Já o aluguel nas mesmas lojas (SSR) subiu 5,7%, acima da inflação do período. Isso mostra que a Allos conseguiu reajustar contratos com spreads positivos, aproveitando a baixa vacância pra negociar de forma mais favorável. Quando o shopping está cheio, o lojista aceita pagar mais.

Outro dado relevante: a inadimplência líquida ficou negativa em 1,6%. Isso mesmo, negativa. Significa que a empresa recuperou mais créditos vencidos do que registrou novos atrasos. É um sinal claro de saúde financeira dos lojistas e da qualidade do mix de cada empreendimento.

FFO e geração de caixa

O FFO (Funds from Operations), métrica que funciona como o "lucro operacional recorrente" do setor de shoppings, atingiu R$ 465 milhões no 4T25, alta de 2,3% na comparação anual. O FFO por ação avançou 3,9%, pra R$ 0,93, beneficiado pelo programa de recompra que reduziu a quantidade de ações em circulação.

A margem FFO ficou em 54,6%, levemente abaixo dos 56% do 4T24. Essa pequena contração se explica pelo aumento do custo da dívida, já que a Selic mais alta pressiona o resultado financeiro. Ainda assim, a geração de caixa segue robusta e mais que suficiente pra sustentar a nova política de dividendos.

Se você quer entender melhor como avaliar empresas usando métricas como essas, vale conferir o conceito de Lucro por Ação (LPA): o que é e como funciona. É uma das formas mais diretas de comparar a eficiência de geração de valor entre companhias.

Dividendos triplicam: yield projetado de até 14%

Talvez o dado mais chamativo do balanço não esteja nos números operacionais, mas na política de remuneração ao acionista. A Allos anunciou que vai distribuir entre R$ 0,28 e R$ 0,30 por ação por mês ao longo de 2026, quase o triplo do que pagava antes.

No total, a empresa projeta distribuir até R$ 1,90 bilhão entre dezembro de 2025 e dezembro de 2026, sendo R$ 1,75 bilhão no calendário de 2026. Considerando o preço atual da ação (próximo de R$ 31), o dividend yield projetado fica entre 12% e 14%.

É um patamar que rivaliza com muitos fundos imobiliários. E a decisão de pagar mensalmente, no início de cada mês, é claramente uma estratégia pra atrair o investidor pessoa física que busca renda recorrente.

O que sustenta essa generosidade? A combinação de dois fatores: a venda de 13 ativos desde a fusão, que gerou R$ 2,5 bilhões em caixa, e a redução da necessidade de investimentos pesados em expansão. A Allos já vendeu os shoppings que considerava menos estratégicos e agora opera um portfólio mais enxuto e rentável.

Reestruturação: de 69 pra 45 shoppings

A história recente da Allos é, em boa parte, uma história de desinvestimento. Desde a fusão entre Aliansce Sonae e brMalls em 2023, a companhia reduziu seu portfólio de 69 pra 45 shoppings próprios (mais 10 administrados pra terceiros). Nesse processo, vendeu participações em 13 empreendimentos, levantando R$ 2,5 bilhões a um cap rate médio de 8,6%.

As vendas mais recentes incluem 20% do Carioca Shopping, 10% do Shopping Tijuca, 9,9% do Plaza Sul (cerca de R$ 393 milhões) e 50% do Rio Anil Shopping (R$ 186 milhões). A gestão indicou que não há urgência pra novas vendas, mas que segue aberta a oportunidades dependendo das condições de mercado.

Paralelamente, a Allos também investiu pesado em recompras de ações. Entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025, foram R$ 1,5 bilhão em buybacks a um preço médio de R$ 22,12. Somando dividendos e recompras, o retorno total ao acionista no triênio atingiu R$ 3,3 bilhões.

Pra quem quer usar indicadores fundamentalistas pra avaliar se a ação está cara ou barata depois desse movimento, recomendo entender como funciona o P/L (Preço/Lucro): o que é e como funciona.

Guidance 2026: EBITDA pode chegar a R$ 2,24 bi

A administração da Allos divulgou projeções otimistas pra 2026. O EBITDA esperado fica entre R$ 2,17 bilhão e R$ 2,24 bilhões, o que representaria crescimento orgânico de até 8% sobre 2025. É um guidance que sinaliza confiança na capacidade de continuar expandindo aluguéis acima da inflação.

O capex projetado caiu pra R$ 350 a 450 milhões, abaixo dos R$ 450 a 550 milhões de 2025. A empresa está trocando expansões grandes por projetos menores e de maior retorno. Pra 2026, estão previstos retrofits em cinco shoppings: Tijuca, Parque Dom Pedro, Villa Lobos, Center Shopping Uberlândia e Goiânia Shopping.

Essa estratégia faz sentido num cenário de juros altos. Em vez de se alavancar pra crescer via aquisições, a Allos prefere extrair mais valor dos ativos que já tem, reformando e reposicionando shoppings maduros pra atrair marcas premium e aumentar o aluguel por metro quadrado.

Reação do mercado e visão dos analistas

No dia da divulgação do balanço, a ação ALOS3 fechou em R$ 30,93, com alta de 0,23%. A reação morna indica que o resultado veio amplamente em linha com as expectativas. Não houve surpresa positiva forte o suficiente pra gerar um rally, mas também nenhuma decepção.

Entre os analistas, o tom é construtivo. O BTG Pactual reiterou recomendação de compra. O Bradesco BBI manteve sua indicação de compra com preço-alvo de R$ 39, o que implica potencial de valorização de cerca de 27% sobre o patamar atual. A ação negocia a aproximadamente 10,5x o P/FFO estimado pra 2026, múltiplo considerado razoável pra uma empresa com essa qualidade de portfólio.

A Allos é um dos papéis que integram o Ibovespa, e sua performance reflete também a dinâmica do setor de shoppings como um todo.

Contexto setorial: shoppings vivem bom momento, mas Selic pressiona

O setor de shopping centers no Brasil vem de uma sequência de trimestres positivos. A combinação de desemprego em queda, crescimento de renda e consumo resiliente ajudou a sustentar vendas e permitiu reajustes de aluguel acima da inflação.

No entanto, o cenário de Selic elevada representa um desafio duplo. De um lado, aumenta o custo da dívida das empresas do setor. De outro, compete com a renda variável ao tornar a renda fixa mais atrativa. Pra Allos, o impacto no resultado financeiro é parcialmente compensado pela geração operacional robusta e pela desalavancagem promovida nos últimos anos.

Outro ponto de atenção é a concorrência do e-commerce, que segue crescendo, embora em ritmo mais moderado que nos anos de pandemia. Os shoppings da Allos, em geral posicionados no segmento de renda média-alta, tendem a sofrer menos com essa concorrência, já que oferecem uma experiência de consumo que o digital não replica: entretenimento, gastronomia, serviços e conveniência.

O que observar nos próximos trimestres

Três pontos merecem atenção daqui pra frente. Primeiro, a evolução do SSR. Se a Allos conseguir manter reajustes de aluguel acima da inflação no 1T26 e 2T26, será um sinal forte de que o poder de precificação permanece intacto mesmo com a economia desacelerando.

Segundo, os retrofits programados. As reformas em shoppings como Tijuca e Parque Dom Pedro têm potencial pra gerar saltos relevantes de NOI nesses ativos, mas o retorno leva tempo pra aparecer nos números.

Terceiro, a sustentabilidade dos dividendos. O yield de 12% a 14% é atrativo, mas depende em parte de recursos extraordinários (vendas de ativos). Se o fluxo de desinvestimentos secar, a empresa precisará sustentar a distribuição apenas com o caixa operacional. Os números do 4T25 sugerem que isso é viável, mas é algo pra monitorar.

Com 18 shoppings vendendo mais de R$ 1 bilhão por ano cada, margem EBITDA recorde e um programa de remuneração agressivo ao acionista, a Allos encerrou 2025 consolidando seu reposicionamento como uma operadora de ativos premium no setor de shoppings brasileiro.


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