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JBS registra US$ 415 milhões de lucro no 4º trimestre - Portal IN - Pompeu Vasconcelos

Publicado em
26/3/2026
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JBS registra US$ 415 milhões de lucro no 4º trimestre - Portal IN - Pompeu Vasconcelos. Entenda o impacto nos seus investimentos.
JBS registra US$ 415 milhões de lucro no 4º trimestre - Portal IN - Pompeu Vasconcelos
JBS registra US$ 415 milhões de lucro no 4º trimestre - Portal IN - Pompeu Vasconcelos

A JBS (JBSS3) reportou lucro líquido de US$ 415 milhões no quarto trimestre de 2025, praticamente estável em relação aos US$ 413 milhões do mesmo período de 2024. A receita líquida atingiu US$ 23,06 bilhões, novo recorde trimestral, com alta de 15,5% na comparação anual. O número superou a expectativa do mercado em quase 6%, mas a compressão de margens nos EUA impediu que o crescimento de receita se traduzisse em expansão de lucro.

Os resultados foram divulgados na noite de 25 de março. Na sessão seguinte em Nova York, as ações da JBS subiram entre 5,6% e 8%, refletindo a leitura positiva do mercado sobre a diversificação geográfica e de proteínas que sustentou o balanço mesmo com um cenário adverso na operação americana de carne bovina.

Receita recorde, margem em queda: o resumo do 4T25 da JBS

A receita trimestral de US$ 23,06 bilhões foi impulsionada por maiores volumes e preços em praticamente todas as unidades de negócio. Na comparação com o terceiro trimestre de 2025, o avanço foi sequencial em faturamento, mas não em rentabilidade.

O EBITDA ajustado ficou em US$ 1,72 bilhão, queda de 7% em relação ao 4T24 e de 4,4% frente ao 3T25. A margem EBITDA recuou para 7,4%, contra 9,2% no quarto trimestre do ano anterior e 8,1% no trimestre imediatamente anterior. A mensagem é clara: a JBS vendeu muito mais, mas cada dólar de receita rendeu menos.

O lucro por ação (LPA) ficou em US$ 0,39, levemente abaixo da projeção de US$ 0,40 dos analistas.

O ano cheio: US$ 86,2 bilhões em receita e US$ 2 bilhões de lucro

No acumulado de 2025, a JBS registrou receita líquida de US$ 86,2 bilhões, alta de 11,7% sobre 2024 e novo recorde absoluto. O lucro líquido anual somou US$ 2 bilhões, avanço de 14,5% na base anual, com LPA de US$ 1,89 (+15% YoY).

O retorno sobre patrimônio (ROE) dos últimos 12 meses subiu para 25%, ante 21,8% em 2024. O capex cresceu 42%, para US$ 2,1 bilhões, refletindo investimentos em capacidade e automação. A alavancagem fechou em 2,39x dívida líquida/EBITDA, dentro da meta de 2x a 3x da companhia.

Um ponto de atenção: o fluxo de caixa livre despencou 83%, de US$ 2,33 bilhões em 2024 para US$ 400 milhões em 2025. A combinação de capex mais alto e capital de giro pressionado pela alta dos custos de gado nos EUA explica boa parte dessa deterioração.

EUA: a operação de carne bovina sangrou

A JBS Beef North America foi o grande detrator dos resultados. A divisão faturou US$ 28,14 bilhões no ano (+15,9%), mas registrou prejuízo operacional de US$ 617 milhões, com margem negativa de 2,2%. Em 2024, a perda havia sido de apenas US$ 37 milhões.

A razão é estrutural: o ciclo do gado nos Estados Unidos. O rebanho americano está no menor nível em décadas, o que encarece a matéria-prima. O CEO Gilberto Tomazoni foi direto na teleconferência: "A oferta de gado nos EUA vai continuar apertada ao longo de 2026. Será mais um ano difícil pra nós nessa frente."

Pra quem acompanha o setor, não é surpresa. Quando o custo do boi sobe e o preço do corte ao consumidor não acompanha na mesma velocidade, a margem do frigorífico é espremida. É o que está acontecendo nos EUA. E sem sinais de recomposição do rebanho no curto prazo, a pressão deve persistir.

O que salvou o balanço: Seara, Pilgrim's e Austrália

A diversificação da JBS em múltiplas proteínas e geografias foi o que impediu que o resultado fosse muito pior. E esse é, na prática, o grande trunfo da companhia frente a concorrentes mais concentrados.

Seara (frango e processados no Brasil)

A Seara foi a estrela do balanço, com margem EBITDA de 16,9%, a melhor entre todas as unidades. Volume recorde de exportações e desempenho sólido no mercado doméstico sustentaram o resultado. A marca vem ganhando participação em processados, segmento de margem mais alta.

Pilgrim's Pride (frango nos EUA)

A operação americana de frango entregou margem EBITDA de 15,2%, fruto de gestão disciplinada e eficiência operacional. Enquanto o boi americano sangrava, o frango compensava. É uma dinâmica que reforça o valor da diversificação de proteínas.

JBS Austrália

A operação australiana alcançou margem EBITDA de 11,3%, beneficiada por maiores volumes no mercado doméstico e nas exportações. Carne bovina foi o principal contribuinte de lucro, com expansão adicional em suínos e frutos do mar.

JBS Brasil (carne bovina)

A divisão brasileira de bovinos entregou margem EBITDA de 6,2%, com receita avançando 26% na comparação trimestral. O aumento no volume de abate, preços mais firmes e demanda aquecida, tanto doméstica quanto de exportação, sustentaram o desempenho.

Dividendos de US$ 1 por ação

A JBS anunciou distribuição de US$ 1 por ação em dividendos, com pagamento previsto para 17 de junho de 2026. A gestão sinalizou intenção de manter dividendos na ordem de US$ 1 bilhão por ano, condicionados ao nível de alavancagem.

Pra o investidor que acompanha o P/L (Preço/Lucro) da ação, vale contextualizar: com o papel negociado na faixa de US$ 15 em Nova York, o dividend yield anualizado fica em torno de 6,5%. É um patamar atrativo pro setor de alimentos, especialmente considerando que a empresa ainda está gerando caixa mesmo num ciclo adverso do boi americano.

Os riscos que ficam no radar pra 2026

Ciclo do gado nos EUA

O próprio CEO avisou: sem alívio à vista. A oferta apertada de gado deve continuar pressionando margens da JBS Beef North America ao longo de todo o ano. Analistas projetam que a recomposição do rebanho americano só deve ter efeito prático a partir de 2027 ou 2028.

Tarifas da China sobre carne bovina

A China impôs tarifa de 55% sobre importações de carne bovina acima da cota em 2026. Pra o Brasil, que é o maior exportador global de carne bovina pra China, o impacto pode chegar a US$ 3 bilhões em receita de exportação. A JBS, como maior frigorífico do mundo, sente isso diretamente. Ainda não se sabe como os fluxos comerciais vão se reequilibrar.

Custos de ração

A empresa espera custos mais altos de milho em 2026, com estoques globais mais baixos e demanda firme. O farelo de soja, por outro lado, tem perspectiva de estabilidade. O mix de custos de alimentação afeta diretamente as margens de frango e suínos.

Tarifas americanas

As tarifas comerciais dos EUA estão custando à JBS algo entre 1% e 1,5% de margem. Num negócio que opera com margens já apertadas, qualquer ponto percentual faz diferença.

Como a JBS se compara aos concorrentes

No setor de proteínas listado na B3, a JBS segue como a preferida dos analistas. O BTG Pactual mantém recomendação de compra pra JBSS3 com preço-alvo de US$ 20, enquanto Minerva (BEEF3) e Marfrig (MRFG3) carregam recomendação neutra.

A Minerva fechou 2025 com receita recorde de R$ 55 bilhões e EBITDA de R$ 4,8 bilhões, mas o resultado do 4T25 veio 9% abaixo das estimativas, com margem de 8,2% e lucro líquido de apenas R$ 85 milhões. Já a Marfrig/BRF reportou EBITDA de R$ 3,4 bilhões no trimestre (em linha, mas queda de 9% anual), com lucro líquido de R$ 91 milhões pressionado por R$ 2,1 bilhões em despesas financeiras.

O denominador comum entre as três: todas enfrentam o ciclo apertado do gado nos EUA e o risco das tarifas chinesas. A diferença é que a JBS tem a maior diversificação de proteínas e geografias, o que amortece os choques. Enquanto Minerva e Marfrig são mais expostas a carne bovina, a JBS equilibra com frango (Seara e Pilgrim's), suínos e operações na Austrália.

Pra quem acompanha o Ibovespa, JBSS3 segue sendo um dos nomes mais relevantes do setor de alimentos no índice, com peso crescente à medida que a empresa consolida sua posição como maior processadora de proteínas do planeta.

O que esperar daqui pra frente

Analistas projetam receita de US$ 88,2 bilhões pra JBS em 2026, crescimento modesto de 2,3% sobre o recorde de 2025. A expectativa é que a pressão na carne bovina americana continue limitando a expansão de margem, mas que Seara e Pilgrim's sigam entregando resultados fortes o suficiente pra compensar.

O grande catalisador positivo seria qualquer sinalização de recomposição do rebanho bovino nos EUA, o que aliviaria custos de matéria-prima. Do lado negativo, uma escalada nas tensões comerciais com a China ou uma alta mais forte que o esperado nos preços de grãos poderia pressionar ainda mais as margens.

O balanço do 4T25 da JBS conta uma história de dois mundos: receita recorde puxada por volume e diversificação, contra margens em contração por causa de um ciclo pecuário desfavorável na maior economia do mundo. A capacidade da empresa de manter lucratividade mesmo nesse cenário reforça a tese de que a diversificação de proteínas e geografias é o ativo mais valioso da companhia. Resta saber por quanto tempo o frango e a Austrália conseguem carregar o peso do boi americano.


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