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JBS (JBSS32) tem lucro +15% maior em 2025

Publicado em
6/4/2026
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JBS (JBSS32) tem lucro +15% maior em 2025. Análise completa no blog da Traders. Saiba como isso afeta seus investimentos.
JBS (JBSS32) tem lucro +15% maior em 2025
JBS (JBSS32) tem lucro +15% maior em 2025

A JBS (JBSS32) encerrou o ano fiscal de 2025 com lucro líquido de US$ 2 bilhões, alta de 13% em relação a 2024. A receita líquida bateu recorde histórico: US$ 86,2 bilhões, avanço de 12% na comparação anual. Os números foram divulgados em 25 de março de 2026 e confirmam a tese de que a maior processadora de proteínas do mundo segue entregando resultados consistentes mesmo num cenário de pressão de custos nos Estados Unidos.

Só no quarto trimestre de 2025, a receita chegou a US$ 23,06 bilhões, crescimento de 15,5% sobre o 4T24. O lucro líquido trimestral ficou em US$ 415 milhões, praticamente estável na base anual. O lucro por ação (LPA) no acumulado do ano atingiu US$ 1,89, alta de 15%. Pra quem acompanha os múltiplos da empresa, é um dado relevante na hora de calcular o P/L (Preço/Lucro).

EBITDA acima do consenso e margens pressionadas no 4T25

O EBITDA ajustado consolidado de 2025 foi de US$ 6,8 bilhões, com margem de 7,9%. No quarto trimestre isolado, o EBITDA ficou em US$ 1,72 bilhão. Caiu 7% na comparação anual, mas veio 12% acima da estimativa do Safra e 7% acima do consenso de mercado. Ou seja: o mercado esperava menos, e a JBS entregou mais.

A compressão de margem no 4T25 (queda de 1,8 ponto percentual) tem nome e sobrenome: o ciclo do gado nos Estados Unidos. O rebanho americano está no menor nível em 75 anos, o que encarece a matéria-prima e pressiona quem depende de carne bovina na América do Norte. Mesmo assim, a operação de beef na região conseguiu manter margens positivas, o que nem todos os concorrentes podem dizer.

Seara e Pilgrim's: as estrelas do resultado

Se a operação de carne bovina nos EUA sofreu, outras unidades compensaram com folga. A Seara entregou margem EBITDA de 16,9% no ano, com o maior volume de exportação da sua história. A operação brasileira de aves e processados virou uma máquina de geração de caixa.

A Pilgrim's Pride, braço de frango nos EUA, veio com margem de 15,2%. A marca Just Bare, que a JBS vem empurrando no varejo americano, bateu US$ 1 bilhão em vendas anuais. É um marco simbólico que mostra a capacidade da companhia de construir marcas de valor agregado num mercado dominado por commodities.

A JBS Austrália também brilhou, com margem EBITDA de 11,3%, puxada por maiores volumes em carne bovina, suína e frutos do mar. Já a JBS USA Pork registrou receita recorde de US$ 8,4 bilhões, alta de 3,9%, impulsionada por demanda doméstica forte e produtos de marca.

JBS Brasil: crescimento sólido

A operação brasileira de carne bovina entregou margem EBITDA de 6,2%. Num mercado em que a concorrência é feroz e as margens historicamente magras, é um resultado respeitável. O retorno sobre patrimônio (ROE) consolidado da JBS nos últimos 12 meses ficou em 25%, avanço de 3,2 pontos percentuais sobre 2024.

Dividendos e geração de caixa

A JBS distribuiu ao longo de 2025 cerca de R$ 5,00 por ação em dividendos (R$ 1,00 em janeiro, R$ 2,00 em maio e R$ 2,00 em outubro). Com os resultados do 4T25, a empresa anunciou um novo pagamento de US$ 1,00 por ação, com data de pagamento em 17 de junho de 2026.

O dividend yield dos últimos 12 meses gira em torno de 7,69%. Pra quem estuda estratégias focadas em proventos, como as de Luiz Barsi, é um percentual que coloca a JBSS32 entre as boas pagadoras do setor de alimentos.

O fluxo de caixa livre no 4T25 foi de US$ 990 milhões, alta de 9% sobre o mesmo período do ano anterior. A empresa segue com disciplina financeira, equilibrando investimentos em expansão, desalavancagem e remuneração ao acionista.

A dupla listagem e o que mudou no ticker

Desde junho de 2025, a JBS concluiu o processo de dupla listagem na NYSE. O ticker na B3 mudou de JBSS3 para JBSS32, passando a negociar como BDR. Na prática, pra quem já era acionista, a transição foi automática. Pra quem analisa o lucro por ação, agora os resultados são reportados em dólar, o que exige atenção na conversão.

A listagem nos EUA era uma ambição antiga dos Batista e traz vantagens concretas: acesso a um pool maior de investidores, valuation mais justo (frigoríficos brasileiros historicamente negociam com desconto) e maior liquidez. O BTG Pactual manteve recomendação de compra com preço-alvo de R$ 110, o que implicaria cerca de 30% de upside em relação à cotação atual, perto de R$ 39.

O desafio do ciclo do gado nos EUA

Nenhuma análise da JBS está completa sem falar do elefante na sala: o ciclo pecuário americano. O rebanho está no menor patamar desde os anos 1950. Isso significa gado mais caro, margens mais apertadas na operação de beef e um cenário que deve persistir por pelo menos mais dois anos até que a recomposição do rebanho ganhe tração.

A JBS tem lidado com isso de duas formas. Primeiro, diversificação geográfica. A operação na Austrália e no Brasil funciona como contrapeso natural, já que os ciclos pecuários dessas regiões não estão sincronizados com o americano. Segundo, foco em produtos de maior valor agregado e marcas próprias, que protegem a margem mesmo quando o custo da matéria-prima sobe.

É uma estratégia que lembra a lógica de Ray Dalio sobre diversificação: não apostar tudo num único fator de risco. A JBS, com operações em 20 países e um portfólio que vai do frango ao salmão, é provavelmente a empresa de proteínas mais diversificada do planeta.

Contexto setorial: proteínas em alta, mas com riscos

O setor global de proteínas vive um momento de demanda aquecida. A população mundial segue crescendo, a urbanização na Ásia e na África empurra o consumo de carne, e a inflação de alimentos, embora tenha arrefecido, mantém preços de venda em patamares elevados.

Mas os riscos existem. Além do ciclo do gado nos EUA, há a questão geopolítica. Tarifas comerciais, barreiras sanitárias e disputas entre grandes blocos econômicos podem afetar exportações. O Brasil, maior exportador de carne bovina do mundo, é particularmente sensível a decisões de parceiros como China e União Europeia.

A JBS, por ter operações locais nos seus principais mercados de destino, está parcialmente protegida desse risco. Produzir nos EUA, na Austrália e no Brasil ao mesmo tempo permite contornar barreiras comerciais que afetariam um exportador puro.

Concorrência e posicionamento

A Tyson Foods, principal concorrente nos EUA, tem enfrentado dificuldades operacionais maiores com o ciclo do gado. A Marfrig, que tem participação relevante na BRF, compete no mercado brasileiro mas com escala menor. A Minerva, focada em exportação de in natura, ocupa um nicho diferente.

A JBS, com receita de US$ 86 bilhões, é maior que todas elas combinadas. E a estratégia de marcas (Seara, Pilgrim's, Just Bare, Swift) posiciona a empresa cada vez mais como uma companhia de alimentos, não apenas um frigorífico. Essa mudança de percepção é fundamental pro re-rating de valuation que o mercado tem precificado aos poucos.

O que esperar de 2026

O consenso de analistas aponta pra um 2026 de crescimento mais moderado em receita mas com potencial de expansão de margens, à medida que a Seara e a Pilgrim's continuem ganhando participação e os custos de gado nos EUA eventualmente se estabilizem.

Os principais catalisadores pra ficar de olho:

Recomposição do rebanho americano. Sinais de retenção de matrizes já começam a aparecer, mas o impacto na oferta de gado só deve ser sentido a partir de 2027. Enquanto isso, as margens de beef nos EUA seguem pressionadas.

Expansão da dupla listagem. Com mais liquidez na NYSE, a JBS pode atrair fundos globais que antes evitavam papéis de mercados emergentes. Isso tende a comprimir o desconto de valuation.

Crescimento em valor agregado. A meta de elevar a participação de produtos de marca e processados no mix de receita é central. A Just Bare batendo US$ 1 bilhão é só o começo.

A geração de caixa robusta também abre espaço pra novos movimentos de M&A. A JBS historicamente cresce por aquisições, como fez com a Pilgrim's em 2009 e com partes da Cargill na Austrália, relembrando lições de especuladores visionários como Jesse Livermore, que sabia identificar assimetrias de risco e retorno.

Com um ROE de 25%, receita recorde e dividendos consistentes, a JBS fecha 2025 numa posição que poucos frigoríficos no mundo conseguem replicar. O desafio agora é provar que a tese de "empresa de alimentos global" vale mais do que o mercado precifica hoje.


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