Notícias

JBS (JBSS32): lucro soma US$ 415 milhões, alta de 1% em um ano

Publicado em
26/3/2026
JBS (JBSS32): lucro soma US$ 415 milhões, alta de 1% em um ano. Entenda o impacto nos seus investimentos. Veja o que muda pro investidor.
JBS (JBSS32): lucro soma US$ 415 milhões, alta de 1% em um ano
JBS (JBSS32): lucro soma US$ 415 milhões, alta de 1% em um ano

A JBS (JBSS3/JBSS32) reportou lucro líquido de US$ 415 milhões no quarto trimestre de 2025, uma alta de apenas 0,5% em relação ao mesmo período de 2024. A receita líquida, por outro lado, bateu recorde: US$ 23,06 bilhões no trimestre, crescimento de 15,5% na comparação anual. O balanço foi divulgado na noite de 25 de março de 2026.

O contraste entre receita recorde e lucro praticamente estável resume o dilema atual da maior processadora de proteínas do mundo. A JBS vende mais do que nunca, mas paga caro pelo boi nos Estados Unidos, o que corrói a rentabilidade.

Receita recorde de US$ 86,2 bilhões em 2025

No acumulado do ano, a JBS atingiu receita líquida de US$ 86,18 bilhões, o maior faturamento da história da companhia. O crescimento foi de 12% sobre 2024, puxado por volumes fortes em aves (Pilgrim's Pride e Seara) e pelo desempenho da operação australiana.

O lucro líquido anual somou US$ 2,02 bilhões, alta entre 13% e 15% contra o ano anterior. O lucro por ação (LPA) ficou em US$ 1,89, avanço de 15% na base anual.

A companhia também aprovou o pagamento de dividendos de US$ 1,00 por ação, com data de pagamento prevista para 17 de junho de 2026. Pra quem acompanha o setor, é um sinal de que a gestão confia no caixa apesar das margens mais apertadas.

EBITDA cai 7% no trimestre e margem encolhe

O EBITDA ajustado no 4T25 foi de US$ 1,72 bilhão, queda de 7% em relação ao quarto trimestre de 2024. A margem EBITDA recuou 1,8 ponto percentual, ficando em 7,4% no período.

No acumulado de 2025, o EBITDA ajustado totalizou US$ 6,8 bilhões, com margem de 7,9%, também abaixo do ano anterior. O resultado, embora robusto em termos absolutos, mostra que o crescimento do faturamento não se traduziu em ganho proporcional de rentabilidade.

A comparação sequencial (4T25 vs 3T25) reforça esse ponto. A margem EBITDA nos Estados Unidos caiu de 16,8% no terceiro trimestre para 10,6% no quarto, uma deterioração significativa em apenas três meses.

O vilão: menor rebanho bovino dos EUA em 75 anos

O principal fator de pressão sobre os resultados foi a JBS USA Beef, divisão de carne bovina nos Estados Unidos. O rebanho bovino americano atingiu o menor nível em 75 anos, encarecendo a matéria-prima e comprimindo as margens da operação.

O segmento registrou EBITDA negativo de US$ 319 milhões em 2025, mesmo com receita recorde de US$ 28 bilhões. Traduzindo: a JBS vendeu mais carne bovina americana do que nunca, mas perdeu dinheiro fazendo isso. Só no segundo trimestre, o EBITDA negativo foi de US$ 233 milhões.

Esse é o tipo de situação que investidores precisam entender ao analisar o P/L (Preço/Lucro) de empresas do setor. O lucro consolidado pode mascarar uma divisão inteira operando no vermelho.

Seara e Pilgrim's compensam, mas não totalmente

A diversificação geográfica e de proteínas da JBS foi o que segurou o resultado. Sem as operações de aves e a operação australiana, o quadro seria bem pior.

Seara: recorde de exportações

A Seara entregou margem EBITDA de 16,9% no ano, com o maior volume de exportação de sua história. O desempenho doméstico também foi forte. O ponto de atenção ficou por conta de restrições temporárias de importação na China e na Europa por surtos de gripe aviária, que podem afetar os próximos trimestres.

Pilgrim's Pride: forte no ano, fraco no 4T25

A Pilgrim's Pride (PPC), braço de frango nos EUA, fechou o ano com margem EBITDA de 15,2%. Porém, o quarto trimestre isolado foi mais fraco: margem de 9,1% e EBITDA de US$ 413 milhões, ficando 13% abaixo da estimativa do BTG Pactual.

Austrália: ciclo favorável

A JBS Australia se beneficiou de um ciclo pecuário favorável (exatamente o oposto do que acontece nos EUA) e registrou margem EBITDA de 11,3%. Os volumes cresceram e as exportações premium para o mercado americano ganharam participação.

JBS Brasil (Friboi)

A operação brasileira de carne bovina apresentou margem EBITDA de 6,2%, com crescimento sólido de receita. O cenário doméstico, com consumo aquecido e câmbio favorável às exportações, ajudou.

Reação do mercado e visão dos analistas

O mercado recebeu os números com cautela. Antes da divulgação dos resultados, as ações da JBS em Nova York recuavam 0,48%, enquanto os BDRs (JBSS32) na B3 subiam 0,53%.

Analistas classificaram o resultado como "razoável". A receita recorde agradou, mas a compressão de margens e o desempenho abaixo do esperado da Pilgrim's Pride no trimestre pesaram na avaliação. Quem acompanha a tendência dos preços das ações do setor sabe que a volatilidade é inerente a ciclos pecuários.

O BTG Pactual manteve recomendação de compra pra JBSS3, com potencial de valorização estimado em cerca de 40%. O JP Morgan havia projetado EBITDA de US$ 1,425 bilhão (15% acima do consenso), e o resultado efetivo de US$ 1,72 bilhão superou essa projeção.

O free cash flow de 2025 ficou em US$ 400 milhões, um número modesto considerando o tamanho da operação, mas que reflete os investimentos em expansão e o peso do ciclo negativo do gado americano.

O que esperar: 2026 segue desafiador nos EUA

O CEO Gilberto Tomazoni indicou que o ciclo pecuário nos Estados Unidos deve permanecer desfavorável em 2026, sem melhora significativa no horizonte. Isso significa que a JBS USA Beef provavelmente continuará operando com margens apertadas ou negativas.

Além do gado, outros fatores adicionam incerteza ao cenário:

Tarifas americanas: novas tarifas de até 50% impostas pela administração Trump devem reduzir as exportações pra os EUA, mas podem abrir espaço pro Brasil expandir presença em mercados secundários estratégicos.

China: novas restrições de importação de carne bovina (cotas e tarifas) devem redirecionar volumes brasileiros pra outros destinos. A Seara, focada em aves, tende a sofrer menos com essa questão.

Geopolítica: tensões no Oriente Médio aumentaram custos logísticos, mas não reduziram a demanda na região. As fábricas da JBS no Golfo Pérsico seguem operando normalmente.

Contexto setorial: quem ganha e quem perde

O setor global de proteínas vive um momento de divergência. Empresas expostas ao frango e à suinocultura estão em fase favorável do ciclo, com oferta equilibrada e demanda forte. Já quem depende da carne bovina nos EUA enfrenta o pior cenário em décadas.

A JBS, por ter presença em todas essas proteínas e em múltiplas geografias, consegue amenizar os impactos. É o benefício da diversificação. Mas não consegue eliminá-los, e os números do 4T25 deixam isso claro.

Pra o investidor que analisa o setor, vale prestar atenção em dois pontos. Primeiro: a duração do ciclo negativo do gado nos EUA. Analistas estimam que a recomposição do rebanho pode levar de 3 a 5 anos. Segundo: a capacidade da JBS de compensar essa fraqueza com as operações de aves e com a expansão internacional.

A listagem dupla (NYSE e B3 via BDRs) dá acesso ao papel tanto pra investidores locais quanto internacionais. E o dividendo de US$ 1 por ação funciona como um sinal de que a companhia prioriza a remuneração ao acionista mesmo em trimestres de margem pressionada.

O próximo catalisador relevante pro papel é a evolução das tarifas comerciais e seu impacto real nos fluxos de exportação. Empresas com escala global como a JBS tendem a se reposicionar mais rápido que concorrentes menores, mas o ajuste não é instantâneo. Quem acompanha o setor de perto sabe que, em ciclos como o atual, paciência é tão importante quanto análise. Pra quem busca renda, vale entender como funcionam os investimentos em renda fixa com Selic alta como complemento a posições em renda variável.


Aviso Legal

O conteúdo publicado neste artigo pela TC S.A. e pela Traders DTVM S.A. tem caráter exclusivamente informativo e educacional, não constituindo, sob nenhuma hipótese, recomendação de investimento, oferta, solicitação ou aconselhamento para compra ou venda de valores mobiliários, ativos financeiros ou qualquer outro instrumento de investimento.

As informações, dados, análises e opiniões aqui apresentados foram obtidos de fontes consideradas confiáveis na data de publicação. No entanto, a TC S.A. e a Traders DTVM S.A. não garantem sua exatidão, completude, atualidade ou adequação a qualquer finalidade específica, e não se responsabilizam por eventuais imprecisões, erros, omissões ou desatualizações, tampouco por decisões tomadas com base nas informações contidas neste material.

Investimentos em renda variável envolvem riscos e podem resultar em perdas patrimoniais significativas, incluindo a perda total do capital investido. Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. O desempenho de ativos, estratégias ou mercados mencionados pode diferir materialmente das projeções ou expectativas aqui descritas.

Cada investidor é responsável por avaliar os riscos e por tomar suas próprias decisões de investimento, considerando seu perfil de risco, objetivos financeiros e situação patrimonial individual. Recomenda-se consultar um profissional de investimentos devidamente habilitado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) antes de tomar qualquer decisão.

A reprodução total ou parcial deste conteúdo sem autorização expressa da TC S.A. é vedada.