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Gerdau (GGBR4) tem lucro de R$ 1 bilhão no 1º trimestre, alta anual de 34%

Publicado em
28/4/2026
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Gerdau (GGBR4) tem lucro de R$ 1 bilhão no 1º trimestre, alta anual de 34%. Veja o que muda pro investidor. Análise completa no blog da Traders.
Gerdau (GGBR4) tem lucro de R$ 1 bilhão no 1º trimestre, alta anual de 34%
Gerdau (GGBR4) tem lucro de R$ 1 bilhão no 1º trimestre, alta anual de 34%

A Gerdau (GGBR4) reportou lucro líquido ajustado de R$ 1,013 bilhão no primeiro trimestre de 2026, um avanço de 33,6% em relação ao mesmo período do ano passado. O número, divulgado na noite de 27 de abril, veio dentro do que o consenso de analistas esperava, mas escondeu um descompasso forte entre as operações da empresa nos Estados Unidos e no Brasil.

A receita líquida totalizou R$ 16,71 bilhões, queda de 3,8% na comparação anual. Já o EBITDA ajustado, métrica que mede a geração operacional de caixa, fechou em quase R$ 3 bilhões, expansão de 23,2% sobre o 1T25. A margem EBITDA consolidada subiu para perto de 18%, mas o número médio mascara realidades opostas dentro da companhia.

Lucro de R$ 1 bi e a divisão entre EUA e Brasil

O resultado positivo foi puxado, basicamente, pela operação norte-americana. A unidade de aços longos nos Estados Unidos entregou EBITDA ajustado de R$ 2,25 bilhões no trimestre, quase o dobro dos R$ 1,2 bilhão registrados um ano antes. A política tarifária do governo americano, que encareceu o aço importado, vem beneficiando produtores locais como a Gerdau, que tem cerca de metade da capacidade instalada fora do Brasil.

Do outro lado, a operação brasileira foi "notavelmente fraca", segundo relatórios de mercado. A margem EBITDA no Brasil caiu para 7%, frente a 18,5% registrados no 1T25. É a menor margem da divisão em 10 anos, patamar que analistas já chamam de "crise". O motivo é antigo e conhecido: pressão do aço chinês importado e demanda doméstica fraca em construção civil e bens de capital.

Para entender o impacto desse contraste no preço da ação, vale acompanhar o conceito de P/L (Preço/Lucro): o que é e como funciona, indicador que ajuda a medir se a ação está cara ou barata em relação aos lucros gerados.

Dividendos de R$ 354 milhões e recompra de ações

Junto ao balanço, a Gerdau anunciou pagamento de dividendos de R$ 0,18 por ação, totalizando R$ 354,1 milhões. As ações passam a ser negociadas ex-dividendos no dia 14 de maio, com pagamento em 9 de junho. Quem comprar GGBR4 a partir de 14/05 não recebe esse provento.

A controladora Metalúrgica Gerdau (GOAU4) também aprovou o pagamento de R$ 106 milhões em dividendos aos seus acionistas. Além disso, a companhia comunicou o cancelamento de 225 mil ações ordinárias (GGBR3) e 7,38 milhões de ações preferenciais (GGBR4), sem redução do capital social. O movimento aumenta a participação proporcional dos acionistas remanescentes na empresa.

Para quem quer entender melhor como recompras impactam o valor de cada papel, vale conferir o conceito de Lucro por Ação (LPA): o que é e como funciona, que tende a subir mecanicamente quando a empresa cancela ações em circulação.

Reação do mercado: ações caem mesmo com lucro forte

Apesar do lucro de R$ 1 bilhão, as ações de GGBR4 abriram em queda no pregão seguinte ao balanço e seguiram pressionadas, descolando do Ibovespa. O motivo é exatamente o que parece bom à primeira vista: o resultado consolidado depende cada vez mais dos EUA, e o mercado começou a ficar com os pés atrás sobre a sustentabilidade desse arranjo.

A operação nos Estados Unidos é hoje a "vaca leiteira" da Gerdau, mas é também o ponto que carrega mais risco. Uma eventual reversão da política tarifária americana, ou simplesmente uma desaceleração da economia dos EUA, pode reduzir os spreads de aço lá fora rapidamente. Enquanto isso, o Brasil, que historicamente sustentava boa parte do EBITDA da companhia, virou peso morto.

Esse cenário também ajuda a explicar a indecisão recente do papel. Para entender melhor como o mercado lê esses sinais, vale revisitar o conceito de Tendência de Alta, Baixa e Lateral: o que é e como funciona, já que GGBR4 vem trabalhando num movimento bem lateralizado nos últimos meses.

O que dizem os analistas

Apesar da reação morna do dia, a maioria das casas de análise mantém visão construtiva sobre GGBR4. O BB Investimentos reiterou a recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 22,00. O Itaú BBA também tem recomendação de compra, com alvo de R$ 24,00, o mais otimista entre as principais corretoras. Já o BTG Pactual mantém visão neutra, com preço-alvo de R$ 21,64.

O ponto comum entre as três casas é o reconhecimento de que a operação americana segue muito forte, com geração de caixa robusta, mas com a ressalva de que a operação brasileira precisa estancar a sangria nas margens. Sem isso, o múltiplo da ação não tem espaço para se expandir.

Os relatórios também destacam que, mesmo com o tombo das margens domésticas, a Gerdau segue saudável do ponto de vista financeiro. A alavancagem (dívida líquida sobre EBITDA) continua baixa, e a empresa tem caixa suficiente para sustentar dividendos, recompras e investimentos sem aperto.

Contexto setorial: aço chinês e demanda fraca

O setor siderúrgico brasileiro vem sofrendo há meses com o avanço do aço chinês importado, que entra no país com preços que distribuidoras locais não conseguem competir. As entidades do setor pressionam o governo por barreiras antidumping mais duras, mas até agora as medidas têm sido tímidas. A Gerdau e a CSN têm reclamado em alto e bom som que essa concorrência é desleal e que mais de 30% do aço consumido hoje no Brasil vem de fora.

Do lado da demanda, a construção civil patina, a indústria automobilística está estável e o agronegócio reduziu compras de máquinas. Resultado: produção de aço para uso doméstico ficou de lado, e o efeito chega direto à linha de receita das siderúrgicas.

Esse pano de fundo macro é importante pra quem investe no setor. Vale lembrar como funciona o ciclo de Bull Market (Mercado de Alta): o que é e como funciona em commodities: depende muito mais da demanda global e da política comercial americana do que do que acontece dentro do Brasil.

Próximos catalisadores para GGBR4

Olhando pra frente, três frentes vão definir o humor do mercado com GGBR4. Primeiro, a evolução das tarifas americanas sobre o aço importado, que sustentam a margem da operação dos EUA. Qualquer alívio na política tarifária pode comprimir os spreads que hoje fazem o lucro consolidado da companhia.

Segundo, o ritmo de recuperação da operação brasileira. Os analistas do Genial Investimentos, em relatório, classificaram o trimestre como "forte, mas com dúvidas ainda maiores", justamente pela dificuldade de antever quando a margem doméstica volta a se normalizar.

Terceiro, a continuidade do programa de dividendos e recompras. Com geração de caixa preservada nos EUA, a Gerdau tem espaço para continuar remunerando o acionista mesmo com o Brasil patinando. O próximo balanço, do 2T26, sai em julho e vai mostrar se o cenário doméstico começou a melhorar ou se ainda vai piorar antes de virar.

Por enquanto, GGBR4 segue como um papel de tese dual: paga dividendo, tem operação americana forte, mas precisa que o Brasil deixe de ser problema. É um trade que exige paciência e leitura macro, mais do que análise puramente setorial.


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