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Fisco recua e congela penalidades por trimestre inteiro

Publicado em
3/4/2026
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Fisco recua e congela penalidades por trimestre inteiro
Fisco recua e congela penalidades por trimestre inteiro
Fisco recua e congela penalidades por trimestre inteiro

A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS (CGIBS) vieram a público nesta quinta-feira (03) pra desmentir informações que circulavam sobre a aplicação de multas a partir de 1º de abril de 2026 relacionadas à reforma tributária. Segundo a nota oficial, as informações são falsas. O regulamento comum do IBS e da CBS sequer foi publicado, e o prazo de 90 dias sem penalidades só começa a contar após essa publicação.

Pra quem opera na bolsa, a notícia importa diretamente. A reforma tributária mexe com o valuation de empresas listadas, com a estrutura de custos de praticamente todos os setores e, no médio prazo, com a forma como você paga impostos sobre seus investimentos. Entender o cronograma real evita decisões baseadas em pânico.

O que a Receita Federal disse, na prática

A nota à imprensa é direta: não há aplicação de multas pela ausência ou preenchimento incompleto dos campos de CBS e IBS nas notas fiscais eletrônicas (NF-e e NFC-e). Ponto final.

O fundamento legal é o Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 1, de 22 de dezembro de 2025, que estabeleceu um período de transição educativa. Segundo esse ato, as penalidades só podem ser aplicadas a partir do primeiro dia do quarto mês após a publicação do regulamento comum do IBS e da CBS.

E aqui está o detalhe que muita gente perdeu: esse regulamento ainda não foi publicado. Ou seja, o relógio de 90 dias nem começou a rodar. Quem espalhou que haveria multas a partir de abril errou feio.

Por que essa confusão surgiu agora?

Desde 1º de janeiro de 2026, empresas brasileiras precisam destacar nas notas fiscais eletrônicas as alíquotas-teste de 0,9% de CBS (federal) e 0,1% de IBS (estadual/municipal). Essa obrigação existe. Mas tem um porém importante: esses valores são puramente informativos.

Na prática, o CBS e o IBS calculados nessa fase de testes são compensados integralmente contra o PIS/Cofins que a empresa já paga. Não há aumento real de carga tributária. O ICMS, o ISS, o PIS, a Cofins e o IPI continuam valendo normalmente em 2026.

O que aconteceu foi que, com a virada do trimestre, começaram a circular alertas de que a Receita passaria a multar quem não preenchesse esses campos. A Receita veio esclarecer que isso não procede.

Cronograma real da reforma tributária: o que vale em 2026

2026 é oficialmente uma fase de testes. A reforma tributária aprovada pela Emenda Constitucional 132/2023 e regulamentada pelas Leis Complementares 214/2025 e 227/2026 estabelece um calendário gradual:

2026: Ano de testes. CBS (0,9%) e IBS (0,1%) aparecem nas notas fiscais, mas sem efeito financeiro real. Todos os impostos atuais continuam vigentes.

2027-2028: PIS e Cofins são extintos. A CBS entra em vigor com alíquota cheia (estimada em torno de 8,8%). O IPI cai a zero pra maioria dos produtos, exceto itens da Zona Franca de Manaus.

2029-2032: Redução progressiva do ICMS e ISS, com aumento gradual do IBS (de 10% da carga atual até 100% em 2033).

2033: Sistema definitivo. ICMS e ISS extintos. O Split Payment entra em operação plena, com separação automática do imposto no momento do pagamento eletrônico (cartão, Pix, boleto).

Como isso afeta o investidor na bolsa

Se você investe em ações brasileiras, a reforma tributária já está no radar dos analistas. Especialistas apontam que o impacto vai além da alíquota em si. O problema são os pontos cegos que muitos investidores ainda não mapearam nos balanços das empresas.

Alguns setores são mais sensíveis que outros. Empresas com operações complexas, contratos de longo prazo e alta dependência de créditos tributários precisam de atenção redobrada. Se a companhia em que você investe ainda não divulgou como pretende se adaptar ao novo sistema, vale ficar de olho nos próximos relatórios trimestrais. A nota de corretagem vai continuar igual por enquanto, mas a estrutura de custos das empresas pode mudar bastante nos próximos anos.

Outro ponto relevante: cerca de 60% a 70% das pequenas e médias empresas brasileiras ainda operam sem sistemas de gestão (ERPs) adequados, segundo pesquisa da Omie. Com a Receita Federal usando tecnologia avançada pra fiscalização, essa defasagem digital pode virar um problema sério, especialmente pra empresas menores listadas ou que fazem parte da cadeia de fornecedores de companhias abertas.

E a tributação sobre investimentos?

A tributação sobre investimentos também passa por mudanças com a reforma, mas o cronograma é mais longo. Pra 2026, o foco está na transição do consumo (IBS/CBS substituindo os cinco tributos atuais). As regras de IR sobre operações em bolsa, dividendos e fundos seguem em discussão separada.

Na comunidade da Traders, o tema reforma tributária tem gerado bastante discussão entre os traders, especialmente sobre quais setores podem ser mais beneficiados ou prejudicados pela mudança na estrutura de impostos. A visão geral é de que empresas com operações mais simples e menos dependentes de benefícios fiscais estaduais tendem a sair ganhando no longo prazo.

O que esperar do pregão de hoje

A notícia da Receita Federal é de alívio, mas não deve movimentar o mercado de forma significativa. O impacto é mais relevante pro ambiente de negócios do que pra bolsa diretamente.

O que pode pesar no pregão de hoje são os desdobramentos do cenário externo. Os mercados asiáticos e europeus operaram com cautela nesta manhã, de olho nas decisões de política monetária global e nos dados econômicos dos EUA. O Federal Reserve segue no centro das atenções, com o mercado tentando antecipar os próximos passos dos juros americanos.

Pra quem vai operar hoje, vale ter no radar que o noticiário doméstico está relativamente leve. A reforma tributária em si não traz novidade operacional imediata. O checklist pré-operacional do dia deve dar mais peso ao cenário externo e ao fluxo de capital estrangeiro.

Resumo pra levar pro pregão

A Receita Federal desmentiu que haja multas da reforma tributária valendo a partir de abril. O regulamento do IBS e CBS nem foi publicado ainda, e quando sair, empresas terão pelo menos 90 dias pra se adaptar sem risco de penalidade. 2026 é ano de testes, sem aumento real de carga tributária. O investidor deve ficar atento a como as empresas do seu portfólio estão se preparando pra transição, mas sem pânico. O calendário é longo e a implementação, gradual.


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