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FII, FI-Infra e Fiagros: onde investir para garantir dividendos mensais, com isenção de imposto de renda, segundo o BTG

Publicado em
13/4/2026
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FII, FI-Infra e Fiagros: onde investir para garantir dividendos mensais, com isenção de imposto de renda, segundo o BTG
FII, FI-Infra e Fiagros: onde investir para garantir dividendos mensais, com isenção de imposto...
FII, FI-Infra e Fiagros: onde investir para garantir dividendos mensais, com isenção de imposto...

O BTG Pactual (BPAC11) atualizou sua carteira recomendada de renda mensal para abril de 2026 com 17 fundos distribuídos entre FIIs, FI-Infra e Fiagros. O portfólio entrega um dividend yield médio de 13,7% ao ano, totalmente isento de imposto de renda para pessoa física, e aposta em diversificação setorial pra equilibrar risco e retorno num cenário de inflação ainda pressionada.

A principal novidade do mês foi a entrada do KDIF11 (Kinea Infra), um fundo de infraestrutura que acabou de concluir uma nova captação. Os analistas do banco também aumentaram a exposição ao MCRE11 (Mauá Capital Real Estate) e ao CPTI11 (Capitânia Infra), ambos indexados à inflação. Na outra ponta, houve redução nos pesos de KNCA11 e RBRY11.

Por que FIIs, FI-Infra e Fiagros pagam dividendos isentos de IR?

Antes de entrar nos detalhes da carteira, vale entender por que esses três tipos de fundo são tão populares entre quem busca renda passiva mensal.

Os fundos imobiliários (FIIs) distribuem rendimentos mensais isentos de imposto de renda para pessoas físicas, desde que o fundo tenha mais de 100 cotistas, seja negociado exclusivamente na B3 e o investidor detenha menos de 10% das cotas. É um benefício que existe desde 2004 e faz dos FIIs um dos veículos mais eficientes pra geração de renda no Brasil.

Os Fiagros seguem exatamente a mesma lógica tributária dos FIIs. E, segundo o BTG, podem ter uma vantagem extra: nas discussões recentes sobre reforma tributária, os Fiagros sequer foram mencionados como alvo de mudanças na isenção. "Fiagros se mostraram uma das classes mais protegidas nas discussões públicas sobre tributação", destaca o relatório do banco.

Já os FI-Infra (fundos de infraestrutura) vão além. Além da isenção sobre os rendimentos mensais, o lucro com a venda das cotas também é isento de IR pra pessoa física. Nos FIIs e Fiagros, esse ganho de capital é tributado em 20%. Essa diferença faz dos FI-Infra uma classe especialmente atrativa pra quem pensa em valorização de longo prazo além dos dividendos.

O que tem na carteira do BTG para abril

A carteira de renda mensal do BTG reúne 17 ativos com P/VPA médio de 0,93x, ou seja, o investidor está comprando, em média, com 7% de desconto sobre o valor patrimonial dos fundos. A liquidez diária média ponderada é de R$ 10,1 milhões, o que garante facilidade na hora de comprar e vender.

A alocação setorial reflete cautela com o cenário macroeconômico. 52% da carteira está em recebíveis (fundos de crédito imobiliário, que se beneficiam diretamente da Selic alta) e 22% em galpões logísticos, um setor que vem mostrando melhora operacional consistente com vacância em queda e reajustes acima da inflação.

As novidades de abril

O destaque do mês é o KDIF11 (Kinea Infra), que entrou na carteira com peso inicial de 2,5%. O fundo é um FI-Infra que investe em debêntures incentivadas de infraestrutura e acabou de concluir uma emissão de novas cotas. Os analistas do BTG avaliam que, com a diversificação de ativos que virá dessa captação, os dividendos do fundo devem atingir patamares mais atrativos nos próximos meses. Atualmente, o KDIF11 negocia na faixa de R$ 128,50 com dividend yield de 11,97% nos últimos 12 meses.

O CPTI11 (Capitânia Infra) também ganhou mais espaço. É outro FI-Infra que investe principalmente em debêntures incentivadas e busca também ganho de capital na compra e venda desses títulos. A cota está na faixa de R$ 88,71, com dividend yield anualizado de 13,79% e último rendimento de R$ 1,15 por cota.

O MCRE11 (Mauá Capital Real Estate), um FII de recebíveis com exposição forte a índices de inflação, teve incremento de 1 ponto percentual no peso da carteira. A lógica é direta: com IPCA ainda rodando acima da meta, fundos indexados à inflação tendem a pagar rendimentos mais gordos.

Fiagros: o destaque do agro

No segmento de Fiagros, o BTRA11 (BTG Pactual Terras Agrícolas) merece atenção especial. O BTG projeta que o fundo vai distribuir pelo menos R$ 0,90 por cota por mês em 2026, quase o dobro da média de R$ 0,43 por cota paga no ano anterior. O salto nos rendimentos vem da conversão do fundo de FII para Fiagro, que permite uma gestão mais flexível dos ativos agrícolas e reforça a proteção tributária.

Aliás, o BTG também está convertendo o BTAL11 de FII para Fiagro, seguindo a mesma estratégia. A expectativa é que essa mudança estrutural turbine os dividendos e proteja os cotistas contra eventuais mudanças na tributação de FIIs.

Quanto rende essa carteira na prática?

Pra dar uma dimensão concreta: com o dividend yield médio de 13,7% ao ano, uma aplicação de R$ 100 mil nessa carteira geraria aproximadamente R$ 1.141 por mês em dividendos, completamente livres de imposto de renda. Compare com o CDB de um banco grande pagando 100% do CDI: depois do IR (que varia de 15% a 22,5% dependendo do prazo), o rendimento líquido ficaria abaixo de R$ 1.000 mensais.

Claro que FIIs, FI-Infra e Fiagros são renda variável. O valor das cotas oscila, e os rendimentos não são garantidos. Mas pra quem aceita a volatilidade e busca fluxo de caixa mensal, a diferença tributária faz uma baita diferença na composição da renda passiva. Se você quer entender melhor essa dinâmica, vale conferir o comparativo de renda variável vs renda fixa: qual escolher pra investir?

O cenário macro por trás da estratégia

A escolha do BTG por uma carteira pesada em recebíveis (52%) não é à toa. Com a Selic ainda em patamar restritivo e a inflação acima da meta, fundos de crédito imobiliário que carregam CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) indexados ao CDI ou ao IPCA continuam pagando rendimentos acima da média histórica.

Ao mesmo tempo, o banco enxerga melhora gradual nos fundos de tijolo. Os galpões logísticos, que representam 22% da carteira, vêm reportando vacância em queda e contratos sendo renovados com reajustes reais. É uma aposta de que, quando o ciclo de juros virar, esses fundos vão se beneficiar tanto da valorização das cotas quanto da manutenção dos rendimentos.

O relatório do BTG destaca que eventuais cortes na Selic e a recente valorização dos fundos listados tendem a reduzir gradualmente os retornos pagos por esses ativos nos próximos meses. Ou seja, quem está montando posição agora ainda pega um "carry" historicamente alto antes que os yields comecem a comprimir.

Pra quem quer se aprofundar em como montar um portfólio focado em renda, vale a leitura sobre como montar uma carteira de dividendos pra renda passiva.

FI-Infra: a classe que poucos conhecem

Os FI-Infra ainda são menos populares que os FIIs tradicionais, mas vêm ganhando espaço nas carteiras recomendadas dos principais bancos. Além da dupla isenção de IR (rendimentos e ganho de capital), esses fundos investem em debêntures incentivadas de projetos de infraestrutura, como rodovias, energia, saneamento e telecomunicações.

O CPTI11 e o KDIF11, os dois FI-Infra presentes na carteira do BTG, têm perfis complementares. O CPTI11 é mais ativo na gestão, buscando ganhos de capital na compra e venda de títulos, enquanto o KDIF11 tem um perfil mais carregador, mantendo as debêntures até o vencimento.

Com yields na faixa de 12% a 14% ao ano e isenção total de IR, os FI-Infra competem de igual pra igual com os melhores FIIs de recebíveis. A diferença é que, na hora de vender as cotas com lucro, o investidor de FI-Infra não paga nada de imposto. No FII, seriam 20% sobre o ganho.

Quem investe em ETFs de renda fixa na B3, como IMAB11 e IRFM11, pode usar os FI-Infra como complemento pra diversificar a exposição a crédito de infraestrutura com vantagem tributária.

O que observar antes de investir

Apesar do apelo da isenção de IR e dos yields atrativos, alguns pontos merecem atenção antes de montar posição nesses fundos.

Liquidez é o primeiro. Nem todos os 17 fundos da carteira do BTG têm volume diário alto. Fundos menores ou recém-listados, como o KDIF11, podem ter spreads maiores entre compra e venda, o que encarece a entrada e a saída.

Risco de crédito é outro ponto. Fundos de recebíveis e FI-Infra carregam CRIs e debêntures de empresas. Se um devedor der calote, o rendimento do fundo cai, e o valor patrimonial da cota também. Por isso é importante olhar a qualidade dos devedores e a diversificação da carteira de cada fundo.

Risco regulatório não pode ser ignorado. Apesar de os Fiagros estarem aparentemente protegidos nas discussões tributárias atuais, a isenção de IR dos FIIs já foi ameaçada mais de uma vez. Uma mudança nas regras pode alterar significativamente a atratividade desses ativos.

E volatilidade é real. Em março de 2025, o IFIX (índice de FIIs da B3) chegou a cair mais de 5% em um único mês quando o mercado reprecificou as expectativas de juros. Cotas de FII oscilam como qualquer ativo de renda variável.

Se você quer entender como gerar renda com fundos de índice que pagam dividendos, confira o guia sobre ETFs de dividendos na B3.

Dividendos mensais com isenção: um diferencial concreto

A carteira do BTG pra abril de 2026 reforça uma tendência que vem se consolidando no mercado brasileiro: a combinação de FIIs, FI-Infra e Fiagros como pilares de uma estratégia de renda passiva mensal isenta de imposto.

Com 17 fundos, yield médio de 13,7%, desconto sobre o valor patrimonial e exposição a setores resilientes, o portfólio oferece um ponto de partida sólido pra quem quer montar ou ajustar sua carteira de renda. A inclusão dos FI-Infra, com a vantagem extra da isenção sobre ganho de capital, adiciona uma camada de eficiência tributária que poucos investidores aproveitam.

O cenário de juros altos favorece especialmente os fundos de recebíveis e de crédito de infraestrutura no curto prazo. Mas a aposta do BTG em galpões logísticos e na diversificação setorial mostra que o banco também está de olho na recuperação dos fundos de tijolo quando o ciclo virar. A calibragem entre renda imediata e potencial de valorização é o que diferencia uma carteira bem montada de uma simples busca pelo maior yield disponível.

Pra quem está avaliando como diversificar além dos FIIs tradicionais, o mercado de bonds e renda fixa internacional também oferece opções interessantes de complemento, embora sem a mesma isenção tributária.


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