
No domingo, 13 de abril, os ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos registraram US$ 325 milhões em saídas líquidas em um único pregão. No mesmo período, os ETFs de Ethereum completaram o terceiro dia consecutivo de entradas positivas. O resultado: o ratio ETH/BTC saltou pra 0,0313 nesta terça-feira, 15 de abril, o maior nível em três meses, sinalizando uma rotação de capital que pode estar apenas começando.
Enquanto o Bitcoin opera na faixa dos US$ 74 mil a US$ 76 mil após completar a recuperação do crash de 5 de fevereiro (quando despencou pra US$ 60 mil), o Ethereum avança com mais força relativa. O ETH subiu cerca de 20% desde o início das tensões geopolíticas no Oriente Médio, contra 12% do BTC no mesmo intervalo. E por trás desse desempenho, os dados on-chain mostram uma história ainda mais interessante.
O ratio ETH/BTC mede quantos Bitcoins você precisa pra comprar um Ethereum. Quando ele sobe, significa que o ETH está ganhando terreno sobre o BTC. Em fevereiro de 2026, esse indicador bateu a mínima do ano em 0,028. De lá pra cá, subiu 12% até os atuais 0,0313.
Pra analistas técnicos, o número que importa agora é o 0,035. Um fechamento semanal acima desse patamar confirmaria uma rotação mais duradoura de capital, e não apenas um repique. Em janeiro deste ano, o ratio chegou perto de 0,038 antes de recuar. O mercado tá testando esse terreno de novo.
O macro investidor Jordi Visser resumiu bem a leitura: "BTC acima de US$ 76 mil e ETH acima de US$ 2.400 ao mesmo tempo é o começo de um movimento que vai se sustentar neste ano, porque não acredito que teremos recessão."
Os números de fluxo dos ETFs são o dado mais relevante dessa semana. No dia 13 de abril, as saídas foram lideradas pelo FBTC da Fidelity (US$ 229 milhões), seguido pelo ARKB da ARK Invest (US$ 62,9 milhões) e pelo GBTC da Grayscale (US$ 38,3 milhões). São fundos que representam a espinha dorsal do mercado institucional de Bitcoin nos EUA.
No caminho inverso, os ETFs de Ethereum à vista captaram US$ 187 milhões na semana, a entrada mais forte de 2026 até agora. Isso reverte três semanas consecutivas de saídas que somaram cerca de US$ 308 milhões. O fluxo acumulado dos ETFs de ETH bateu recorde histórico de US$ 11,68 bilhões.
Essa divergência não é trivial. Quando o dinheiro institucional sai de um ativo e entra em outro dentro do mesmo mercado, é rotação. E rotação pro Ethereum costuma ser o primeiro sinal de que investidores estão dispostos a correr mais risco no universo cripto.
Não é só dinheiro de ETF. A rede Ethereum está visivelmente mais ativa. As transações diárias subiram 41% em uma semana, passando de 2,5 milhões em 10 de abril pra 3,6 milhões no dia 14. O número de novos usuários na rede cresceu 82% no trimestre.
O dado mais expressivo, porém, é o de stablecoins. A oferta total de stablecoins rodando no Ethereum atingiu US$ 180 bilhões, um recorde absoluto que representa 60% do mercado global de stablecoins. Quando o volume de stablecoins cresce na rede, é sinal de que tem mais capital circulando, mais liquidez disponível e mais atividade de trading e DeFi acontecendo.
Isso importa porque stablecoins são a "pista de pouso" do capital no ecossistema cripto. Mais stablecoins no Ethereum significa mais dinheiro pronto pra ser alocado ali.
Todo ciclo de alta em cripto tem um momento em que o dinheiro começa a escorrer do Bitcoin pras altcoins. É a chamada "altseason". Mas os indicadores ainda não confirmam esse cenário.
O Altcoin Season Index está na faixa de 27 a 35, ainda em território de "Bitcoin Season". A dominância do BTC segue entre 58% e 60%, e historicamente a altseason só se confirma quando essa dominância cai abaixo de 50%. Estamos longe disso.
Mas os sinais iniciais existem. O ETH divergindo positivamente do BTC em sessões de fim de semana (quando o volume institucional é menor e o fluxo de varejo pesa mais) foi exatamente o padrão que antecedeu a superação do Ethereum no quarto trimestre de 2023. Quem opera cripto via BDRs na B3 precisa ficar atento a esses sinais de rotação.
A rede Ethereum já passou pelo upgrade Pectra em maio de 2025, que elevou o stake máximo por validador de 32 pra 2.048 ETH e trouxe a account abstraction. O impacto no preço foi limitado na época, mas melhorou os fundamentos da rede.
Agora, o mercado olha pra dois upgrades que vêm pela frente: o Glamsterdam, previsto pra meados de 2026, e o Heze-Bogota, esperado pro fim do ano. Esses upgrades tendem a funcionar como catalisadores narrativos. Mesmo que o impacto técnico seja gradual, a expectativa em torno deles costuma mover preços.
No lado técnico, analistas apontam que o Ethereum rompeu um canal de baixa e o próximo alvo relevante é a região dos US$ 3.400. A Fundstrat, de Tom Lee, mantém projeção interna de US$ 4.500 pra o ETH até o fim de 2026.
Com o ETH cotado a cerca de US$ 2.320 e o BTC a US$ 74 mil, a questão pra quem investe daqui é de alocação. A rotação institucional nos EUA tem um efeito cascata nos preços globais e, consequentemente, nos BDRs e ETFs de cripto listados na B3.
Vale lembrar que o risco cambial também entra na conta. O dólar oscilando na faixa de R$ 5,30 a R$ 5,40 adiciona uma camada extra de volatilidade pra quem opera ativos dolarizados. Uma alta de 10% no ETH em dólar pode virar 15% (ou 5%) em reais dependendo da direção do câmbio.
Na comunidade da Traders, os traders estão de olho nessa divergência entre BTC e ETH. O consenso é de cautela: o ratio precisa confirmar acima de 0,035 antes de qualquer aposta mais agressiva em altcoins. Mas o fluxo institucional saindo do Bitcoin e entrando no Ethereum é um dado concreto que não dá pra ignorar.
O mercado cripto como um todo opera com capitalização de aproximadamente US$ 2,59 trilhões, segundo o CoinGecko. O Bitcoin responde por cerca de US$ 1,33 trilhão (53% a 58% de dominância). O Ethereum vem em segundo com US$ 233 bilhões.
Os fluxos semanais pra ETFs de cripto somaram US$ 1,1 bilhão, a melhor semana desde o início de janeiro. É dinheiro institucional voltando ao mercado depois de semanas de cautela.
O cenário macro ajuda. Dados de inflação nos EUA vieram abaixo do esperado, e os desdobramentos geopolíticos no Oriente Médio parecem caminhar pra uma trégua. Menos incerteza macro significa mais apetite por risco. E quando o apetite por risco aumenta no cripto, o dinheiro tende a escorrer do BTC pras altcoins, começando pelo Ethereum. É exatamente isso que os dados estão mostrando hoje.
Quem quer entender melhor como avaliar esses riscos de mercado pode conferir a análise sobre se Bitcoin vale a pena em 2026. Os fundamentos mudaram, mas a lógica de gestão de risco continua a mesma.
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