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Equatorial (EQTL3) tem queda de 20,7% no lucro do 4º tri, para R$ 802 milhões

Publicado em
26/3/2026
Equatorial (EQTL3) tem queda de 20,7% no lucro do 4º tri, para R$ 802 milhões. Veja o que muda pro investidor. Análise completa no blog da Traders.
Equatorial (EQTL3) tem queda de 20,7% no lucro do 4º tri, para R$ 802 milhões
Equatorial (EQTL3) tem queda de 20,7% no lucro do 4º tri, para R$ 802 milhões

A Equatorial Energia (EQTL3) divulgou os resultados do quarto trimestre de 2025 com um contraste que chamou atenção do mercado: a receita líquida cresceu 14,3% na comparação anual, chegando a R$ 14,418 bilhões, mas a última linha do balanço trouxe um prejuízo líquido de R$ 102 milhões. No mesmo período de 2024, a companhia havia registrado lucro de R$ 1,503 bilhão.

O vilão do trimestre tem nome e sobrenome: um impairment de R$ 3,547 bilhões, concentrado principalmente na Echoenergia (R$ 3,239 bilhões) e na CSA (R$ 309 milhões). Sem esse efeito contábil, o lucro líquido ajustado ficou em R$ 802 milhões, uma queda de 20,7% em relação ao 4T24, quando atingiu R$ 1,011 bilhão.

EBITDA ajustado da Equatorial sobe 10,5% no 4T25

A parte operacional do balanço conta uma história diferente do prejuízo contábil. O EBITDA ajustado da Equatorial alcançou R$ 3,541 bilhões no 4T25, um crescimento de 10,5% sobre o mesmo trimestre do ano anterior. O número ficou acima da expectativa média do mercado, que projetava algo na faixa de R$ 3,16 bilhões.

A receita líquida de R$ 14,418 bilhões reflete o bom momento operacional das distribuidoras de energia do grupo, beneficiadas pelo crescimento do consumo e pelos reajustes tarifários aplicados ao longo de 2025.

Na comparação sequencial, o lucro ajustado de R$ 802 milhões veio levemente abaixo dos R$ 830 milhões registrados no 3T25, uma retração de 3,4% trimestre contra trimestre. Nada que assuste, considerando a sazonalidade típica do setor elétrico no último trimestre do ano.

Impairment bilionário: o que aconteceu com a Echoenergia

O grande peso do trimestre foi a provisão para ajuste de recuperação de ativos (impairment) totalizada em R$ 3,547 bilhões. Esse tipo de ajuste contábil acontece quando a empresa reconhece que determinados ativos valem menos do que o registrado no balanço.

A fatia mais pesada veio da Echoenergia, braço de energia renovável da Equatorial, com R$ 3,239 bilhões em perdas reconhecidas. A CSA contribuiu com outros R$ 309 milhões. Na prática, a companhia jogou a limpo sobre investimentos que não estavam entregando o retorno esperado.

Esse movimento não é isolado. A Equatorial já vinha sinalizando ao mercado a intenção de desinvestir em ativos de geração renovável e na CSA. A ideia é concentrar os esforços no negócio principal: distribuição e, mais recentemente, saneamento.

Parte do impacto negativo foi compensada pelo ganho de capital de R$ 2,2 bilhões com a venda dos ativos de transmissão para a Verene Energia, operação que vinha sendo negociada ao longo de 2025 e cujo valor total pode chegar a R$ 9,39 bilhões.

Resultado anual de 2025

No acumulado de 12 meses, a Equatorial entregou números que ajudam a colocar o 4T25 em perspectiva. A receita líquida anual somou R$ 51,27 bilhões, enquanto o lucro líquido dos últimos 12 meses ficou em R$ 3,36 bilhões, resultando em uma margem líquida de 6,56%.

Considerando que o setor de distribuição de energia opera com margens historicamente apertadas, esse patamar é razoável. Mas a queda no lucro ajustado ao longo dos trimestres de 2025 acendeu um sinal de atenção: no 1T25, foram R$ 411 milhões; no 3T25, R$ 830 milhões; e no 4T25, R$ 802 milhões. A tendência de melhora ao longo do ano existe, mas perdeu fôlego no último quarto.

Para quem acompanha indicadores como o P/L (Preço/Lucro) e o Lucro por Ação (LPA), vale lembrar que os ajustes não recorrentes do 4T25 distorcem bastante esses múltiplos no curto prazo. Olhar o resultado ajustado faz mais sentido nesse caso.

Alavancagem e a questão dos dividendos

Um ponto que tem tirado o sono de parte dos investidores é a alavancagem. A dívida líquida da Equatorial para fins de covenant atingiu R$ 44,1 bilhões, com a relação dívida/EBITDA em 3,2 vezes. É um patamar elevado, ainda que relativamente comum em empresas de utilities que estão em ciclo de investimento pesado.

E aqui entra a novidade mais polêmica do balanço: o conselho de administração aprovou submeter à assembleia de acionistas uma proposta de redução do dividendo mínimo obrigatório para 1% do lucro líquido ajustado. Se aprovada, a mudança dá à gestão muito mais flexibilidade pra administrar o caixa, especialmente num cenário de juros altos e necessidade de desalavancagem.

A Equatorial tratou de esclarecer que a proposta não significa, necessariamente, que os dividendos serão menores na prática. Se a alavancagem estiver sob controle e não surgirem novas oportunidades de investimento, a empresa poderia continuar distribuindo acima do mínimo. Mas a mensagem ficou clara: o foco agora é reduzir a dívida.

Acionistas que votarem contra a proposta (ou que se ausentarem da votação) terão direito de retirada, com reembolso pelo valor patrimonial das ações.

Reação do mercado

Na sessão de 25 de março, dia seguinte à divulgação do balanço, as ações EQTL3 subiram 2,67%, encerrando o pregão cotadas a R$ 42,27. O papel oscilou entre a mínima de R$ 41,70 e a máxima de R$ 42,57.

A leitura do mercado parece ter sido pragmática: o impairment é um evento não caixa e não recorrente, e o resultado operacional (EBITDA acima das projeções, receita crescendo dois dígitos) sustenta a tese de que o negócio de distribuição segue saudável. A preocupação maior gira em torno da alavancagem e da potencial redução nos dividendos.

Para acompanhar como a EQTL3 se comporta em relação ao Ibovespa, o índice fechou acima dos 185 mil pontos na mesma sessão, em alta superior a 1%, embalado pelo cenário político e pela expectativa de cessar-fogo no Irã.

Estratégia de reciclagem de portfólio

O 4T25 deixa evidente que a Equatorial está em plena reorganização de portfólio. A venda dos ativos de transmissão e o impairment na Echoenergia e CSA fazem parte de um movimento maior: concentrar capital no que gera retorno mais previsível.

A companhia já havia colocado à venda os parques eólicos da Echoenergia e os ativos da CSA. Com a conclusão dessas alienações, a expectativa é que a alavancagem caia de forma significativa, abrindo espaço pra que os dividendos voltem a crescer no médio prazo.

Outro vetor importante é o saneamento. A Equatorial conquistou a concessão da Sabesp em processo que movimentou o setor em 2025, e esse segmento deve ganhar relevância crescente nos próximos trimestres, trazendo novas fontes de receita e, eventualmente, de geração de caixa.

Contexto setorial

O setor de distribuição de energia no Brasil vive um momento de crescimento impulsionado por dois fatores principais: o aumento no consumo residencial e comercial (com a economia aquecida) e os reajustes tarifários autorizados pela Aneel ao longo de 2025.

Porém, a Selic elevada pressiona o custo da dívida de todas as utilities, e a Equatorial, com sua alavancagem acima de 3x, sente esse impacto mais do que concorrentes menos endividadas. É por isso que a estratégia de vender ativos e reduzir a dívida faz sentido operacional, mesmo que gere efeitos contábeis feios no curto prazo.

Concorrentes como Energisa e CPFL também reportaram crescimento de receita no 4T25, mas com estruturas de capital menos pressionadas. A Equatorial precisa equalizar esse ponto pra voltar a competir em pé de igualdade no quesito retorno ao acionista.

O que esperar da Equatorial em 2026

Os próximos trimestres devem trazer mais clareza sobre três frentes: a conclusão da venda dos ativos de geração renovável, a evolução da operação de saneamento (Sabesp) e o ritmo de desalavancagem.

Se a empresa conseguir reduzir a relação dívida/EBITDA para abaixo de 2,5x ao longo de 2026, a tese de investimento se fortalece consideravelmente. O mercado vai acompanhar de perto a assembleia que vai deliberar sobre a política de dividendos, já que esse é um ponto sensível pra base de acionistas que comprou EQTL3 como uma tese de renda.

No operacional, a receita crescendo dois dígitos e o EBITDA ajustado acima do esperado são sinais positivos. O desafio da Equatorial agora não é mais crescer. É arrumar a casa.


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