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Cemig registra lucro líquido de R$ 1,876 bilhão no 4º trimestre, alta de 88% ante um ano - TNOnline

Publicado em
20/3/2026
Cemig registra lucro líquido de R$ 1,876 bilhão no 4º trimestre, alta de 88% ante um ano - TNOnline. Análise completa no blog da Traders.
Cemig registra lucro líquido de R$ 1,876 bilhão no 4º trimestre, alta de 88% ante um ano - TNOnline
Cemig registra lucro líquido de R$ 1,876 bilhão no 4º trimestre, alta de 88% ante um ano - TNOnline

A Cemig (CMIG4) reportou lucro líquido de R$ 1,876 bilhão no quarto trimestre de 2025, uma alta de 88% em relação ao mesmo período de 2024. O número parece robusto, mas tem um asterisco grande: boa parte do resultado veio de um acordo trabalhista aprovado pela Justiça do Trabalho, que sozinho adicionou R$ 788,1 milhões ao lucro do trimestre. Sem esse efeito, o lucro ajustado ficou em R$ 1,022 bilhão, uma queda de 12,3% na comparação anual.

Na comparação com o terceiro trimestre de 2025, quando a companhia lucrou R$ 797 milhões (num resultado pressionado), a melhora trimestral foi expressiva: alta de 135% no QoQ. Mas, de novo, o efeito não recorrente distorce a leitura.

No acumulado de 2025, o lucro totalizou R$ 4,9 bilhões, número que reforça a consistência da operação da elétrica mineira ao longo do ano, mesmo com trimestres de volatilidade nos resultados.

EBITDA da Cemig cresce 54%, mas o acordo trabalhista responde por quase metade

O EBITDA consolidado atingiu R$ 2,947 bilhões entre outubro e dezembro de 2025, um salto de 53,9% frente ao 4T24. A margem EBITDA expandiu com força no trimestre, beneficiada pelo efeito positivo de R$ 1,19 bilhão do acordo trabalhista no resultado operacional.

Pra contextualizar: no terceiro trimestre, o EBITDA ajustado tinha sido de R$ 1,47 bilhão, com queda de 16,2% YoY. Ou seja, o quarto trimestre trouxe uma recuperação significativa na linha operacional, mas quem olha só o número cheio pode ter uma leitura excessivamente otimista.

Quando se analisa o Lucro por Ação (LPA) da companhia, o ajuste faz diferença. O LPA reportado ficou elevado no trimestre, mas investidores atentos sabem que itens extraordinários precisam ser filtrados pra avaliar a rentabilidade recorrente do negócio.

Receita líquida avança apenas 2,9%

A receita líquida consolidada somou R$ 11,5 bilhões no 4T25, um avanço modesto de 2,9% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. É um crescimento tímido pra uma empresa do porte da Cemig e num setor que costuma acompanhar a inflação e o reajuste tarifário.

Esse dado é importante porque mostra que o crescimento orgânico do top line não foi o motor principal do resultado. O contraste entre uma receita quase estável (+2,9%) e um lucro que mais que dobrou (+88%) evidencia o peso desproporcional do item não recorrente.

No ano completo, a Cemig manteve receitas robustas, impulsionadas pela operação de distribuição (Cemig D), que é a maior distribuidora de Minas Gerais e uma das maiores do Brasil. A base de clientes é resiliente e a demanda por energia no estado seguiu aquecida, especialmente no setor de serviços e industrial.

O acordo trabalhista que mudou o balanço

O grande destaque (e polêmica) do trimestre foi o acordo trabalhista homologado pela Justiça do Trabalho. Esse tipo de evento gera um efeito contábil positivo quando a empresa tinha provisões maiores do que o valor efetivamente acordado. Na prática, a Cemig reverteu provisões que estavam no balanço, gerando um ganho de R$ 1,19 bilhão no EBITDA e de R$ 788,1 milhões no lucro líquido.

Esse tipo de reversão é legítimo e faz parte das normas contábeis, mas não reflete uma melhora operacional real. É um evento pontual que não vai se repetir nos próximos trimestres. Por isso os analistas preferem olhar o lucro ajustado, que exclui esses efeitos.

Pra quem acompanha o P/L (Preço/Lucro) da ação, vale lembrar: o múltiplo pode parecer mais atrativo num trimestre inflado por não recorrentes. O P/L dos últimos 12 meses da Cemig estava em torno de 8,3x, um nível razoável pro setor elétrico, mas que precisa ser lido com atenção ao lucro normalizado.

Investimentos acelerados: R$ 6,63 bilhões em 2025

Enquanto o lucro teve distorções, os investimentos contam uma história mais clara sobre a direção da companhia. A Cemig investiu R$ 1,9 bilhão só no quarto trimestre, totalizando R$ 6,63 bilhões em 2025, um aumento de 16% em relação a 2024.

Esse volume de capex é relevante e reflete o ciclo de investimentos que o setor elétrico atravessa no Brasil: modernização de redes, expansão de subestações, digitalização da distribuição e atendimento ao crescimento da demanda. Pra Cemig, que opera em Minas Gerais (um dos estados com maior atividade industrial do país), manter esse ritmo de investimento é estratégico.

A empresa tem focado em eficiência operacional na distribuição, com redução de perdas técnicas e comerciais, além de investimentos em automação da rede pra melhorar indicadores de qualidade como DEC (duração de interrupções) e FEC (frequência de interrupções).

Dividendos: yield de 14% nos últimos 12 meses

A Cemig mantém uma política de distribuição de no mínimo 50% do lucro líquido. Nos últimos 12 meses, a companhia pagou aproximadamente R$ 1,49 por ação em proventos (dividendos + JCP), o que resulta num dividend yield de cerca de 14% com base na cotação atual de R$ 11,67.

Em dezembro de 2025, a empresa anunciou JCP de R$ 677,4 milhões (R$ 0,2368 por ação) e dividendos de R$ 417,3 milhões (R$ 0,14 por ação). Analistas projetam que, com o lucro de R$ 4,9 bilhões em 2025 e a possibilidade de payout superior a 50%, os dividendos por ação em 2026 podem ficar entre R$ 1,71 e R$ 1,80.

Esse yield é um dos maiores do setor elétrico na B3 e tem sido um dos principais atrativos da ação, especialmente num cenário de Selic ainda em patamares elevados, onde a competição entre renda fixa e ações pagadoras de dividendos fica mais acirrada.

Alavancagem sob controle

No terceiro trimestre, a dívida líquida da Cemig era de R$ 13,1 bilhões, com alavancagem de 1,8x Dívida Líquida/EBITDA ajustado. A companhia mantém rating AAA pelas principais agências de crédito, o que lhe garante acesso a financiamento em condições favoráveis.

Pro setor elétrico, uma alavancagem abaixo de 2,5x é considerada confortável. A Cemig opera bem abaixo desse patamar, o que dá margem tanto pra continuar investindo quanto pra manter uma distribuição generosa de proventos.

O perfil de amortização da dívida é distribuído ao longo dos próximos anos, sem concentrações perigosas no curto prazo. Isso é particularmente importante num ambiente de juros altos, onde empresas com dívida concentrada sofrem mais com o custo de refinanciamento.

Contexto setorial: setor elétrico entre juros altos e demanda resiliente

O setor elétrico brasileiro atravessa um momento misto. De um lado, a demanda por energia segue crescendo, impulsionada pela retomada econômica e pela eletrificação de processos industriais. De outro, os juros altos pressionam o custo da dívida e reduzem o valor presente dos fluxos de caixa futuros, o que afeta a avaliação das ações do setor.

Pra distribuidoras como a Cemig D, o cenário é relativamente favorável: a receita é regulada, com reajustes tarifários periódicos que protegem parcialmente da inflação. Já no segmento de geração (Cemig GT), os preços de energia no mercado livre e os níveis dos reservatórios influenciam diretamente a rentabilidade.

A Cemig também possui participação na Gasmig (distribuição de gás) e na Taesa (transmissão), ativos que diversificam sua base de receita. A Taesa, em especial, opera com contratos de longo prazo e receita previsível, o que estabiliza o fluxo de caixa consolidado do grupo.

Quando se analisa a tendência do papel, CMIG4 acumula alta de cerca de 14,8% nos últimos 12 meses, com a cotação em R$ 11,67. A XP Investimentos mantém recomendação neutra com preço-alvo de R$ 13,80 para o final de 2026.

O que fica pro investidor

O balanço do 4T25 da Cemig tem dois lados bem distintos. O headline de lucro de R$ 1,876 bilhão com alta de 88% é chamativo, mas o investidor precisa ir além da manchete. O lucro ajustado de R$ 1,022 bilhão, com queda de 12,3%, conta uma história diferente sobre a operação recorrente da companhia.

Os pontos positivos são claros: a empresa investe pesado (R$ 6,63 bilhões em 2025), mantém alavancagem controlada (1,8x), distribui dividendos generosos (yield de ~14%) e opera num setor com demanda resiliente. O risco principal no curto prazo é a expectativa de que, sem novos efeitos não recorrentes, os próximos trimestres mostrem resultados mais modestos na comparação com esse 4T25 inflado.

A assembleia geral ordinária (AGO) da Cemig está prevista pra abril de 2026, quando será definida a proposta de distribuição de dividendos referente ao exercício de 2025. Com lucro anual de R$ 4,9 bilhões e espaço no balanço, a expectativa do mercado é de um payout atrativo. Mas, como sempre em mercados de alta ou de baixa, o que importa é separar o sinal do ruído nos números.


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