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Bradesco (BBDC4) deve ser destaque entre grandes bancos no 1T26, diz BBA

Publicado em
16/4/2026
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Bradesco (BBDC4) deve ser destaque entre grandes bancos no 1T26, diz BBA. Entenda o impacto nos seus investimentos. Veja o que muda pro investidor.
Bradesco (BBDC4) deve ser destaque entre grandes bancos no 1T26, diz BBA
Bradesco (BBDC4) deve ser destaque entre grandes bancos no 1T26, diz BBA

O Bradesco (BBDC4) deve ser o destaque positivo entre os grandes bancos na temporada de balanços do primeiro trimestre de 2026. Pelo menos é o que projeta o Itaú BBA, que estima um lucro líquido recorrente de aproximadamente R$ 6,7 bilhões no período, o que representaria alta de 14% na comparação anual e avanço de 3% frente ao trimestre anterior.

A projeção coloca o Bradesco numa posição que seria inimaginável dois anos atrás, quando o banco amargava ROEs abaixo de 12% e uma carteira de crédito problemática. Agora, o cenário mudou. E a pergunta que o mercado faz é: o turnaround do Bradesco finalmente se consolidou?

O que o Itaú BBA espera do Bradesco no 1T26

Segundo o relatório do BBA, o Bradesco deve apresentar melhorias consistentes em praticamente todas as linhas do balanço. O ROE projetado de 15,4% seria o maior desde o início do ciclo de reestruturação do banco, consolidando a tendência de alta que vem desde meados de 2024.

A margem financeira líquida (NII) deve crescer 14% na base anual e 3% no trimestre, refletindo a expansão da carteira de crédito e margens mais saudáveis nas operações com clientes. A carteira de crédito expandida, por sua vez, deve avançar 10% ano contra ano e 2% no trimestre.

No lado das provisões, o BBA projeta algo em torno de R$ 9,2 bilhões, com leve alta por efeitos sazonais típicos do primeiro trimestre e pressões pontuais nos segmentos agro e corporativo. A inadimplência no varejo, porém, deve se manter estável.

Outro ponto de destaque é a operação de seguros, que deve continuar entregando crescimento de dois dígitos. No 1T25, o resultado de seguros foi de R$ 5,3 bilhões, com lucro de R$ 2,4 bilhões (alta de 25,3% anual). A expectativa é que essa linha continue funcionando como motor de rentabilidade.

Comparação com trimestres anteriores

Pra entender o tamanho da evolução, vale olhar pra trás. No 1T25, o Bradesco entregou lucro líquido recorrente de R$ 5,86 bilhões, alta de 39,3% sobre o mesmo período de 2024. O ROE ficou em 14,3%, acima do próprio guidance de 13,5%. Depois desse resultado, BBDC4 disparou 15% num único pregão.

Já no 4T25, o lucro foi de R$ 6,5 bilhões, com crescimento de 20,6% na base anual. O ROE chegou a 15,2%, superando o custo de capital pela primeira vez no ciclo de retomada. A receita total foi de R$ 36,1 bilhões, com a margem financeira bruta atingindo R$ 19,2 bilhões (+13,2% YoY).

No acumulado de 2025, o banco lucrou R$ 24,65 bilhões, avanço de 26,1% sobre 2024. Se a projeção de R$ 6,7 bilhões para o 1T26 se confirmar, o Bradesco terá entregue cinco trimestres consecutivos de melhora na última linha do balanço.

A evolução trimestre a trimestre

O ROE do Bradesco saiu de patamares próximos a 11% no início de 2024 para os atuais 15%+. A trajetória é clara: o banco está reconquistando rentabilidade de forma gradual, mas consistente. O ponto de inflexão veio quando a diretoria acelerou o ajuste na carteira de crédito e cortou custos operacionais.

As despesas operacionais devem mostrar desaceleração no 1T26, gerando ganhos de eficiência. Esse é um dos pilares da reestruturação comandada pelo CEO Marcelo Noronha: fazer mais com menos, sem sacrificar a expansão do crédito.

O que outros analistas dizem

O BBA não está sozinho na visão construtiva. O Goldman Sachs projeta lucro com alta de 2% no trimestre e 13% no ano, com ROE de 15,3%. A casa espera leve pressão nas provisões (+6% QoQ, +23% YoY) por conta de exposições corporativas e varejo, mas nada que comprometa a tendência de melhora.

O BTG Pactual também tem visão positiva, embora cautelosa. O banco indica que o Bradesco pode apresentar desempenho relativamente melhor que Santander e Banco do Brasil, com crescimento sequencial de lucros.

Já o JP Morgan é mais conservador. A casa mantém recomendação neutra com preço-alvo de R$ 22, estimando que a rentabilidade do Bradesco pode "emperrar" em torno de 17% ao longo de 2026, abaixo de rivais como Itaú (que roda acima de 20%). O JP estima lucro anual de R$ 27,5 bilhões e ROE de 15,5% para o ano cheio.

Entre as casas mais otimistas, o UBS BB elevou recentemente o preço-alvo para R$ 27, com recomendação de compra, enxergando potencial de alta de cerca de 28% sobre os preços atuais. O Banco Safra também recomenda compra, com alvo de R$ 24.

BBDC4: o ranking dos bancões no 1T26

O que torna a história do Bradesco especialmente interessante é o contraste com os pares. Enquanto o Bradesco ganha tração, o Banco do Brasil (BBAS3) é apontado como destaque negativo do trimestre, com deterioração do crédito rural e riscos em empréstimos corporativos pesando sobre a rentabilidade.

Veja as projeções de ROE para o 1T26:

Itaú (ITUB4): 24,9% (segue líder isolado)
Santander (SANB11): 16,7% (pressão de custos de crédito)
Bradesco (BBDC4): 15,3% a 15,4% (em franca recuperação)
Banco do Brasil (BBAS3): 8,5% (queda expressiva)

O Itaú segue inalcançável em rentabilidade, mas a história aqui é de direção, não de nível absoluto. O Bradesco é o banco cuja trajetória mais melhora, enquanto o BB é o que mais preocupa. E o mercado costuma premiar tendência.

Pra quem quer entender como diferentes classes de ativos funcionam na bolsa brasileira, vale conferir o comparativo sobre ações ON vs PN e as diferenças entre ordinárias e preferenciais. No caso do Bradesco, BBDC4 (PN) é a ação mais negociada.

O que explica a recuperação do Bradesco

A reestruturação do Bradesco não aconteceu da noite pro dia. Foram pelo menos seis trimestres de ajustes que incluíram limpeza da carteira de crédito (reduzindo exposição a segmentos mais arriscados), corte de despesas administrativas, digitalização de processos e fortalecimento da operação de seguros.

O banco também se beneficiou da expansão do crédito com spreads mais saudáveis. A margem com clientes, que atingiu R$ 19,1 bilhões no 4T25 (+18,4% YoY), deve continuar em trajetória positiva, sustentada pela política de precificação mais disciplinada.

Outro fator relevante é o guidance para 2026, divulgado junto com o balanço do 4T25. O banco projeta crescimento da carteira de crédito expandida entre 8,5% e 10,5%, margem financeira líquida entre R$ 42 bilhões e R$ 48 bilhões, receitas de serviços crescendo entre 3% e 5%, e resultado de seguros avançando entre 6% e 8%.

A dinâmica setorial também é tema importante. Quem acompanha o impacto de variáveis macro nos investimentos pode se aprofundar no material sobre como manter o equilíbrio emocional e a clareza mental em períodos de volatilidade, algo essencial em temporadas de balanços.

Como BBDC4 está no mercado

As ações do Bradesco vivem um bom momento. BBDC4 acumula alta de 76,3% nos últimos 12 meses, saindo de patamares próximos a R$ 12 para os atuais R$ 20,86. No ano de 2026, a valorização já passa de 14,7%.

Em termos de múltiplos, o papel negocia a um P/L de 9,33x, um desconto de 21,6% em relação à média histórica de 11,9x. Isso sugere que, apesar da forte alta recente, o mercado ainda não precifica integralmente a recuperação de rentabilidade do banco.

O dividend yield nos últimos 12 meses ficou em 7,28%, com distribuição de R$ 1,34 por ação. Se a lucratividade continuar avançando, a tendência é que os proventos também cresçam nos próximos trimestres.

Do universo de 13 analistas que cobrem o papel, 8 recomendam compra, 4 mantêm recomendação neutra e apenas 1 recomenda venda. O preço-alvo médio é de R$ 18,64, mas as estimativas mais recentes (como a do UBS BB a R$ 27) sugerem que o consenso está sendo revisado pra cima.

O que esperar: catalisadores e riscos

O Bradesco divulga os resultados do 1T26 no dia 5 de maio de 2026, mesmo dia que o Itaú. Essa coincidência de datas vai gerar comparações diretas inevitáveis e pode movimentar bastante o setor bancário na bolsa.

Os catalisadores positivos incluem: eventual resultado acima do consenso (como aconteceu no 1T25, quando o lucro superou a estimativa de R$ 5,466 bilhões), novas revisões de preço-alvo pra cima e avanço do ROE em direção a 16%.

Os riscos são reais. O cenário macroeconômico segue desafiador, com a Selic em patamar elevado e pressão inflacionária. A exposição a crédito corporativo e agro pode gerar surpresas negativas nas provisões. E o JP Morgan alerta que a rentabilidade do Bradesco pode esbarrar num teto de 17%, ainda distante dos 20%+ do Itaú.

Existe também a questão de sustentabilidade da melhora. Parte dos ganhos de eficiência vem de cortes que já foram feitos. A partir de agora, novas melhorias de rentabilidade precisam vir do crescimento orgânico de receitas, o que é mais difícil de entregar.

Pra quem acompanha as diferenças estruturais entre mercados, vale ler sobre as diferenças entre B3 e bolsas americanas. Nos EUA, bancos como JPMorgan e Bank of America já reportaram o 1T26 com resultados mistos, o que pode influenciar o sentimento dos investidores em relação aos bancos brasileiros.

O cenário do setor bancário brasileiro

A temporada de resultados do 1T26 promete ser a mais polarizada dos últimos anos no setor bancário. De um lado, Itaú e Bradesco devem entregar resultados sólidos. Do outro, Banco do Brasil e Santander enfrentam ventos contrários.

O Itaú segue como benchmark de rentabilidade, mas o Bradesco é quem carrega a melhor história de turnaround. E histórias de turnaround, quando confirmadas por números, costumam ser as que mais geram valor para os acionistas ao longo do tempo.

O mercado já começou a antecipar esse cenário. A alta de 76% de BBDC4 em 12 meses mostra que investidores institucionais estão posicionados. A questão agora é se o balanço de 5 de maio vai confirmar a tese ou gerar realização de lucros.

De qualquer forma, o Bradesco deixou de ser o "problema" do setor bancário e passou a ser a "oportunidade". Resta saber se essa oportunidade já está no preço ou se ainda tem espaço pra mais.


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