
Se você já pesquisou uma ação na bolsa, provavelmente percebeu que algumas empresas têm dois (ou até três) códigos diferentes. PETR3 e PETR4. ITUB3 e ITUB4. O número no final muda, mas é a mesma empresa. Então qual a diferença? Neste artigo, vamos explicar tudo sobre ações ON vs PN, os direitos de cada tipo, quando escolher uma ou outra, e exemplos práticos com as principais empresas da B3.
As ações ordinárias, identificadas pelo número 3 no final do ticker (VALE3, PETR3, ITUB3), são aquelas que dão direito a voto nas assembleias da empresa. Cada ação ON equivale a um voto. Quem tem muitas ações ON pode influenciar decisões importantes como eleição do conselho de administração, distribuição de lucros e fusões.
Na prática, pra quem é investidor pessoa física com poucas ações, esse direito de voto não faz muita diferença no dia a dia. Você não vai controlar a Petrobras com 100 ações PETR3. Mas existe um benefício indireto muito importante: o tag along.
O tag along é um direito que protege os acionistas minoritários em caso de troca de controle da empresa. Por lei, todas as ações ON têm tag along de no mínimo 80%. Isso significa que, se alguém comprar o controle da empresa, os minoritários têm o direito de vender suas ações por pelo menos 80% do preço pago ao controlador.
Já as ações PN não têm essa obrigação legal (embora algumas empresas concedam voluntariamente). Esse é um dos argumentos mais fortes a favor das ONs, especialmente em empresas que podem passar por mudanças de controle.
As ações preferenciais, identificadas pelo número 4 no ticker (PETR4, ITUB4, BBDC4), não dão direito a voto (ou dão direito restrito). Em troca, elas oferecem preferência no recebimento de dividendos.
Essa preferência funciona de duas formas, dependendo do estatuto da empresa:
Na prática, quem busca renda passiva com dividendos tende a preferir PNs, justamente por essa prioridade na distribuição de lucros.
Pra facilitar, veja as principais diferenças lado a lado:
Direito de voto: ON tem. PN geralmente não tem.
Dividendos: PN tem preferência e/ou valor mínimo. ON recebe depois.
Tag along: ON tem obrigatório (mínimo 80%). PN pode ter ou não.
Liquidez: Varia por empresa. Em algumas, a PN é mais líquida. Em outras, a ON.
Número no ticker: ON termina em 3. PN termina em 4.
Preço: Geralmente diferente entre ON e PN da mesma empresa. Pode ser maior ou menor dependendo da oferta e demanda.
Se termos como "liquidez" e "ticker" são novos pra você, nosso glossário do trader explica todos os conceitos essenciais.
Algumas empresas oferecem um terceiro tipo: as units, identificadas pelo número 11 no ticker (BPAC11, KLBN11, TAEE11). Uma unit é um "pacote" que combina ações ON e PN numa proporção definida pela empresa.
Por exemplo, uma unit do BTG Pactual (BPAC11) pode incluir 1 ação ON + 2 ações PN. Ao comprar a unit, você fica exposto aos dois tipos de uma vez.
Units costumam ser mais líquidas que as ONs e PNs separadas, o que pode ser vantajoso pra quem quer facilidade de negociação.
A Petrobras é o exemplo clássico dessa discussão. PETR4 (PN) historicamente tem mais liquidez na B3 e é a queridinha dos investidores de dividendos, já que tem preferência no recebimento. PETR3 (ON) dá direito a voto e tem tag along de 100% (a Petrobras foi além do mínimo legal).
Como o governo federal é o controlador, a chance de mudança de controle é baixa, o que reduz a vantagem prática do tag along. Por isso, muitos investidores preferem PETR4 pela liquidez e pelos dividendos.
No caso do Itaú, ITUB4 é muito mais líquida. O volume de negociação é significativamente maior. ITUB3 tem liquidez mais restrita, o que pode dificultar operações de maior volume. Pra quem opera swing trade ou day trade, a liquidez é fator decisivo, e ITUB4 leva vantagem.
A Vale é um caso especial. Desde 2020, a empresa só tem ações ON (VALE3). Ela converteu todas as PNs em ONs. Isso simplificou a estrutura de capital e deu direito a voto igualitário a todos os acionistas. É uma tendência crescente no mercado brasileiro: o Novo Mercado da B3 exige que as empresas listem apenas ações ON.
Similar ao Itaú, BBDC4 tem liquidez muito superior a BBDC3. O dividend yield costuma ser parecido entre as duas classes, mas a facilidade de negociação pesa a favor da PN.
Existem situações em que as ordinárias são claramente melhores:
1. Empresas com risco de troca de controle: Se a empresa pode ser vendida ou incorporada, o tag along da ON protege seu investimento. Você recebe pelo menos 80% do que o comprador pagou ao controlador.
2. Empresas do Novo Mercado: Listadas no segmento mais exigente de governança da B3, essas empresas só têm ações ON. Tag along de 100%. Exemplos: Magazine Luiza (MGLU3), Localiza (RENT3), WEG (WEGE3).
3. Quando ON e PN têm liquidez similar: Se as duas classes negociam volumes parecidos, a ON tende a ser a escolha mais segura pelo tag along.
4. Quando o preço da ON tá descontado em relação à PN: Às vezes, a diferença de preço entre ON e PN abre uma oportunidade. Se a ON tá mais barata e tem tag along, pode ser a melhor opção.
As preferenciais também têm suas vantagens claras:
1. Quando a PN é muito mais líquida: Liquidez importa demais, especialmente pra traders. Mais liquidez significa spreads menores (diferença entre preço de compra e venda), execução mais rápida e menos slippage.
2. Quando você foca em dividendos: A preferência na distribuição de lucros é o grande atrativo da PN. Se seu objetivo é renda passiva, a PN costuma entregar mais.
3. Empresas com controlador definido e estável: Se o risco de mudança de controle é baixo (como no caso da Petrobras, controlada pelo governo), a ausência de tag along nas PNs importa menos.
O Novo Mercado é o segmento de listagem mais exigente da B3 em termos de governança corporativa. Uma das regras é que a empresa só pode ter ações ON. Tag along de 100%. Conselho de administração com membros independentes. Câmara de arbitragem pra resolver conflitos.
Cada vez mais empresas estão migrando pro Novo Mercado ou já nascendo nele. Isso é bom pro investidor porque elimina a confusão entre ON e PN e dá mais proteção. A tendência de longo prazo no Brasil é que a distinção entre ON e PN se torne cada vez menos relevante, conforme o mercado avança em governança.
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É comum ver uma diferença de preço entre ON e PN da mesma empresa. Isso acontece porque são títulos diferentes, com direitos diferentes, e a oferta e demanda de cada um varia.
Em alguns períodos, a ON é mais cara (por causa do tag along). Em outros, a PN é mais cara (por causa da liquidez e dos dividendos). Essa diferença de preço entre ON e PN é chamada de spread ou ágio/deságio.
Alguns investidores mais avançados até montam operações de long/short entre ON e PN da mesma empresa, apostando que essa diferença vai convergir. Mas isso é estratégia pra quem já tem experiência.
Se você tá dando os primeiros passos na bolsa, a regra mais simples é:
E se você tá começando agora e quer entender o básico antes de investir, nosso artigo sobre como começar a investir na bolsa de valores explica tudo passo a passo.
Se você investe em BDRs pra ter exposição ao mercado internacional, saiba que o conceito é diferente. BDRs não têm essa divisão ON/PN. O que muda é o nível do BDR (patrocinado nível I, II, III ou não patrocinado), que define as exigências de informação e negociação.
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Não existe uma resposta universal. A melhor escolha depende do seu perfil, do seu objetivo e da empresa em questão. Se você busca proteção e governança, vá de ON (especialmente no Novo Mercado). Se busca liquidez e dividendos, a PN pode fazer mais sentido.
O mais importante é entender as diferenças e tomar decisões informadas. E se quiser se aprofundar ainda mais no vocabulário do mercado, nosso glossário do trader tem tudo que você precisa.
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