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B3 (B3SA3) tem lucro líquido recorrente de R$ 1,5 bilhão no 1º tri, com receita recorde

Publicado em
8/5/2026
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B3 (B3SA3) tem lucro líquido recorrente de R$ 1,5 bilhão no 1º tri, com receita recorde. Entenda o impacto nos seus investimentos.
B3 (B3SA3) tem lucro líquido recorrente de R$ 1,5 bilhão no 1º tri, com receita recorde
B3 (B3SA3) tem lucro líquido recorrente de R$ 1,5 bilhão no 1º tri, com receita recorde

A B3 (B3SA3), dona da bolsa brasileira, fechou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido recorrente de R$ 1,5 bilhão, alta de 33% na comparação com o mesmo período do ano passado. A receita líquida bateu recorde histórico em R$ 3,2 bilhões, avanço de 20% no anual. O balanço foi divulgado na noite de quarta-feira (7) e mostra uma B3 plenamente engatada na nova fase de apetite por risco do mercado brasileiro.

Não foi só um trimestre forte. Foi o tipo de trimestre que muda o discurso sobre a empresa. Por anos, a B3 conviveu com a narrativa de bolsa esvaziada, juros altos espantando investidor de renda variável e fluxo estrangeiro tímido. O 1T26 vira o jogo. Volume médio diário em ações saltou 46% no anual, derivativos avançaram em ritmo forte e o capital estrangeiro entrou com tudo: R$ 53,8 bilhões líquidos no trimestre, mais que o dobro do que entrou em todo o ano de 2025.

Os números do balanço da B3SA3 no 1T26

O trimestre veio em linha com as projeções dos analistas, que esperavam lucro próximo de R$ 1,5 bilhão. Mas o que chamou atenção foi a qualidade dos números, não só o tamanho. Olha o resumo:

Lucro líquido recorrente: R$ 1,5 bilhão (alta de 33% YoY).

Receita líquida: R$ 3,2 bilhões (recorde histórico, alta de 20% YoY).

EBITDA recorrente: R$ 2,1 bilhões, com margens sustentadas pela alavancagem operacional do modelo de negócio. A B3 é uma empresa que ganha receita marginal a custo quase zero quando o volume sobe, e foi exatamente isso que rolou.

Receitas pró-cíclicas (derivativos e renda variável) cresceram 23,7%. Já as receitas recorrentes, ligadas a serviços como balcão, custódia e Tesouro Direto, subiram 17,2%. Os dois grupos cresceram em ritmo forte, o que mostra que a melhora não veio só do trading especulativo, mas também da base estrutural do negócio.

Vale lembrar: a B3 é monopolista no Brasil. Tem o mercado inteiro de bolsa, balcão organizado e registro de derivativos na mão. Quando o ciclo do mercado vira, ela é uma das primeiras a sentir, pra cima e pra baixo. Dessa vez, virou pra cima.

O que impulsionou o resultado

Três motores giraram juntos no trimestre. O primeiro foi o Ibovespa em ritmo forte, com renovação de máximas históricas e atração de novos investidores. O segundo foi o derivativo: contratos futuros de juro, dólar e índice ganharam tração com a expectativa de cortes na Selic e com a maior necessidade de hedge das tesourarias. O terceiro foi o estrangeiro voltando com força.

Volume em ações: alta de 46% no anual

O ADTV (volume médio diário negociado) em ações fechou o trimestre em R$ 34,8 bilhões, salto de 46% na comparação anual. Pra colocar em perspectiva: é como se, em média, todo dia útil, mais de 1 trilhão de reais em ofertas tivesse passado pelo livro da bolsa. A liquidez aumentou e isso por si só atrai mais participantes.

Estrangeiros voltam em peso

O fluxo de capital estrangeiro foi o destaque mais comentado. R$ 53,8 bilhões líquidos entraram na B3 no 1T26. Pra ter ideia, em todo o ano de 2025, o saldo foi de cerca de metade disso. Em três meses, o investidor lá de fora colocou no Brasil o dobro do que tinha colocado em doze. Esse fluxo costuma se concentrar nas blue chips e em ETFs do Ibovespa, e ajuda a explicar o desempenho do índice no trimestre.

ETFs, BDRs e fundos listados disparam

Outro dado que merece atenção: o ADTV de ETFs, BDRs e fundos listados subiu 57,5% e atingiu R$ 5,4 bilhões, representando 15,5% do volume total negociado. É o sinal de que o investidor brasileiro está diversificando mais, indo pra produtos passivos e expondo carteira ao mercado global via BDRs na própria B3, sem precisar abrir conta no exterior.

Tesouro Direto cresce na base

No Tesouro Direto, o estoque de produtos avançou 45,5% e a B3 fechou o trimestre com 3,4 milhões de investidores cadastrados. É o tipo de receita recorrente que a empresa adora: vai crescendo de forma silenciosa, sem depender de humor de mercado.

Reação do mercado e visão dos analistas

A ação B3SA3 vinha numa toada positiva antes do balanço, com alta acumulada relevante no ano e sendo apontada como uma das principais beneficiárias de um eventual ciclo de corte de juros. A cotação bate em torno de R$ 17,75, e a próxima resistência psicológica fica nos R$ 20.

O Citi aproveitou o cenário e elevou a recomendação para B3SA3 de neutra pra compra, com preço-alvo subindo de R$ 19 pra R$ 23. O banco revisou pra cima as projeções de lucro em 17% pra 2026 e 13% pra 2027. A justificativa: alavancagem operacional forte, volumes sustentáveis e geração de caixa pesada.

O Citi projeta também que a B3 deve distribuir cerca de R$ 6,3 bilhões em proventos em 2026, com dividend yield estimado em torno de 6,4%. A B3 paga dividendos e Juros sobre Capital Próprio (JCP) trimestralmente, então quem segura a ação acaba recebendo um fluxo razoável ao longo do ano.

A XP, por outro lado, mantém visão mais conservadora, com rating neutro e preço-alvo de R$ 16. O argumento dos mais cautelosos é que parte do otimismo já está no preço e que o ciclo de volumes pode esfriar se a Selic não cair tão rápido quanto o mercado precifica.

Vale olhar os múltiplos antes de tirar conclusão. O P/L (Preço/Lucro): o que é e como funciona da B3 está em torno de 19,5 vezes, e o Lucro por Ação (LPA): o que é e como funciona vem crescendo trimestre a trimestre, o que pressiona o múltiplo pra baixo de forma natural.

O que esperar dos próximos trimestres

O grande tema pro resto de 2026 é se o ritmo se sustenta. Três variáveis vão mexer com isso.

Selic. Se o Banco Central seguir cortando juros, a renda fixa perde apelo relativo e o investidor pessoa física tende a migrar mais peso pra bolsa. Bom pro volume da B3.

Fluxo estrangeiro. O 1T26 mostrou que o Brasil voltou ao radar do investidor lá de fora. Se a história de "emergente barato" colar e o real se mantiver estável, o fluxo continua. Mas é uma variável volátil, depende muito do humor global e das taxas dos Treasuries americanos.

Calendário regulatório. A CVM tem agenda forte em 2026, com debates sobre tokenização de ativos, novos produtos de derivativos e revisão de regras de fundos. Cada nova frente pode virar receita adicional pra B3, que tem o monopólio do registro.

O próximo balanço sai em agosto e vai mostrar se o pico foi um ponto fora da curva ou o novo patamar. Por enquanto, a leitura é de que o ciclo virou.

Contexto do setor

Bolsas de valores no mundo inteiro são negócios cíclicos, mas com fosso competitivo enorme. Funcionam quase como utilities: ganham com volume, têm custos fixos e margem operacional pesada. A B3 não foge dessa lógica. Quando o mercado aquece, o lucro multiplica. Quando esfria, sofre, mas raramente quebra.

Em termos comparativos, exchanges americanas como Nasdaq e Intercontinental Exchange (ICE) negociam em múltiplos parecidos com os da B3. A diferença é que a B3 ainda tem espaço pra crescer no número de investidores pessoa física, na sofisticação de produtos e na expansão pra ativos digitais. É um setor onde o vencedor leva quase tudo, e a B3 é a única jogadora relevante no Brasil.

Pra quem acompanha resultados, esse 1T26 da B3 é daqueles que chamam atenção pelo conjunto. Não foi só lucro grande. Foi receita recorde, fluxo recorde, base de clientes em expansão e margens sustentadas. Tudo girando junto. Resta ver se o segundo trimestre confirma a tese ou se já bateu no teto da animação.

Sources: - [B3 tem lucro líquido de R$ 1,5 bilhão no 1T26 — ADVFN](https://br.advfn.com/jornal/2026/05/b3-tem-lucro-liquido-de-r-1-5-bilhao-no-1t26-alta-de-33-e-recorde-de-receita) - [B3 (B3SA3) tem lucro líquido recorrente de R$ 1,5 bilhão — InfoMoney](https://www.infomoney.com.br/mercados/b3-b3sa3-resultado-primeiro-trimestre-de-2026/) - [B3 (B3SA3) tem lucro líquido recorrente de R$ 1,5 bilhão no 1º tri — Money Times](https://www.moneytimes.com.br/b3-b3sa3-tem-lucro-liquido-recorrente-de-r-15-bilhao-no-1o-tri-com-receita-recorde-fets/) - [Lucro da B3 sobe 33% no 1T26 — Economic News Brasil](https://economicnewsbrasil.com.br/2026/05/07/lucro-b3-sobe-1t26/) - [B3 deve distribuir R$ 6,3 bilhões em proventos — Seu Dinheiro](https://www.seudinheiro.com/2026/bolsa-dolar/b3-b3sa3-deve-distribuir-r-63-bilhoes-em-proventos-neste-ano-segundo-o-citi-banco-eleva-recomendacao-e-preco-alvo-lvgb/)

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