
A Petrobras (PETR4) confirmou a distribuição de R$ 41,2 bilhões em proventos referentes ao exercício de 2025, e a data-com pra garantir o direito aos dividendos é já na próxima quarta-feira, 22 de abril. Quem não tiver as ações na carteira até essa data fica de fora. A partir de 23 de abril, os papéis passam a ser negociados ex-direitos.
No mesmo dia em que os acionistas da estatal se preparam pra essa "super data-com", a Vale (VALE3) soltou seu relatório de produção e vendas do primeiro trimestre de 2026, com números que surpreenderam positivamente. E o mercado financeiro global parou pra prestar homenagem a Mark Mobius, o lendário investidor que colocou os emergentes no mapa de Wall Street e morreu na terça-feira (15), aos 89 anos, em Singapura.
Os números da Petrobras no ano passado foram de encher os olhos. O lucro líquido anual bateu R$ 110 bilhões, puxado por um aumento de 11% na produção total de óleo e gás. Só no quarto trimestre, o lucro foi de R$ 15,56 bilhões, revertendo o prejuízo de R$ 17,04 bilhões registrado no mesmo período de 2024.
A receita com vendas no 4T25 somou R$ 127,4 bilhões, crescimento de 5% na comparação anual. O EBITDA ajustado foi de R$ 59,9 bilhões no trimestre, uma alta de 46,3% sobre o 4T24. No acumulado de 2025, o EBITDA ajustado chegou a R$ 237,2 bilhões, avanço de 10,6% frente a 2024.
A produção de petróleo e gás bateu a marca de 3 milhões de barris de óleo equivalente por dia, com destaque pro pré-sal, que atingiu 2,02 milhões de barris diários, um salto de 11,4% no ano. As exportações também quebraram recorde: 765 mil barris por dia na média anual e 999 mil barris por dia no 4T25, o maior volume trimestral da história da companhia.
Os R$ 41,2 bilhões em proventos equivalem a R$ 3,20 por ação ordinária e preferencial em circulação. Referentes especificamente ao 4T25, foram aprovados R$ 8,1 bilhões, ou R$ 0,63 por ação.
O pagamento será dividido em duas parcelas. A primeira cai na conta em 20 de maio de 2026, no valor de R$ 0,31 por ação, integralmente sob a forma de juros sobre capital próprio (JCP). A segunda parcela, também de R$ 0,31 por ação, será paga em 22 de junho de 2026.
Pra quem tem ADRs negociadas na NYSE, a data de corte é 24 de abril, com pagamentos previstos pra 28 de maio e 29 de junho.
Um ponto de atenção: a dívida líquida da Petrobras fechou dezembro em US$ 60,6 bilhões, alta de 16% contra o 4T24. Os investimentos cresceram e o fluxo de caixa livre ficou mais apertado, o que explica por que os proventos do 4T25 vieram mais modestos (R$ 8,1 bi) em comparação com outros trimestres do ano. Ainda assim, o yield anual continua atrativo pra quem busca renda passiva na bolsa.
A Vale divulgou na quarta-feira (16) o relatório de produção e vendas do 1T26, e os números vieram sólidos. A produção de minério de ferro somou 69,7 milhões de toneladas, alta de 3% na comparação com o mesmo trimestre de 2025. O avanço foi sustentado pelo recorde de produção no S11D, no Pará, e em Brucutu, em Minas Gerais, que registrou o melhor primeiro trimestre desde 2018.
As vendas de minério totalizaram 68,7 milhões de toneladas, crescimento de 3,9% contra o 1T25. Os finos de minério representaram 59,4 Mt (+4,9%) e as pelotas somaram 7,7 Mt (+2,7%).
O preço médio realizado dos finos de minério de ferro ficou em US$ 95,8 por tonelada, alta de 5,5% na comparação anual. Já o de pelotas recuou 5%, pra US$ 133,8 por tonelada. O prêmio all-in subiu de US$ 4,8 pra US$ 6,2 por tonelada, sinalizando uma melhora na qualidade do mix vendido.
Mas o grande destaque do trimestre veio dos metais básicos. A produção de cobre atingiu 102,3 mil toneladas, um salto de 12,5% contra o 1T25, o melhor primeiro trimestre desde 2017. As minas de Salobo e Sossego bateram recorde. O níquel também veio forte: 49,3 mil toneladas, alta de 12,3% no ano.
O preço realizado do cobre foi de US$ 13.143 por tonelada, uma disparada de 47,8% na comparação anual. É um reflexo direto da alta do cobre na LME, impulsionada pela demanda global por eletrificação e transição energética.
O balanço financeiro completo do 1T26 será divulgado em 28 de abril. A Genial Investimentos projeta EBITDA de US$ 4,1 bilhões (+26,8% YoY) e lucro líquido de US$ 2,87 bilhões, mais que o dobro do registrado um ano antes. A receita estimada é de US$ 9,1 bilhões, alta de 12,4% contra o 1T25.
A mineradora reiterou o guidance de produção pra 2026: de 335 a 345 milhões de toneladas de minério de ferro, 350 a 380 mil toneladas de cobre e 175 a 200 mil toneladas de níquel. Se confirmar esses números, será o terceiro ano consecutivo de crescimento de produção, o que reforça a tese de desalavancagem operacional.
Após a divulgação do relatório, as ações da Vale subiram mais de 2% na B3, com o mercado precificando um trimestre de "alta qualidade", como classificou o Santander em relatório enviado a clientes.
O mercado financeiro perdeu na terça-feira (15) uma de suas figuras mais icônicas. Mark Mobius morreu em Singapura, aos 89 anos. Nascido em Nova York, filho de pai alemão e mãe porto-riquenha, Mobius fez doutorado em economia no MIT e se tornou sinônimo de investimento em mercados emergentes.
Sua trajetória ganhou contornos épicos a partir de 1987, quando John Templeton o convidou pra comandar um dos primeiros fundos dedicados exclusivamente a países em desenvolvimento. O que começou como um mandato de US$ 100 milhões se transformou no Templeton Emerging Markets Group, uma gestora com presença em mais de 70 países e mais de US$ 50 bilhões sob gestão quando Mobius se aposentou, em 2018.
O apelido de "Indiana Jones dos mercados emergentes" não era exagero. Mobius visitou mais de 110 países e investiu em mais de 5 mil empresas ao longo da carreira. No Brasil, tinha preferência por companhias dos setores de varejo e software, como revelou em entrevista à Folha de S.Paulo em 2022.
A ironia, como bem apontou a coluna do Seu Dinheiro, é que Mobius se foi justamente no momento em que os mercados emergentes vivem um dos maiores ralis dos últimos anos. O dólar enfraquecido, a rotação de capital saindo dos EUA e o crescimento da Ásia criaram o cenário perfeito que o "pai dos emergentes" passou a vida inteira defendendo.
Os três assuntos do dia têm um fio condutor: o protagonismo dos mercados emergentes. A Petrobras distribuindo R$ 41 bilhões em proventos é resultado direto de uma operação cada vez mais eficiente no pré-sal e de preços de petróleo sustentados acima de US$ 70 o barril ao longo de 2025. A Vale surfando a alta do cobre reflete a demanda asiática por metais ligados à transição energética. E Mobius, com toda sua trajetória, foi quem primeiro enxergou que histórias como essas mereciam capital global.
Pro investidor brasileiro, o momento pede atenção redobrada. A data-com da Petrobras na quarta (22) é um evento prático que exige decisão nos próximos dias. O balanço da Vale no dia 28 pode confirmar as projeções otimistas e dar novo impulso às ações. E o legado de Mobius serve como lembrete de que, apesar da volatilidade, os fundamentos de longo prazo dos emergentes seguem sólidos.
O Ibovespa, por sinal, acumula alta de mais de 10% em 2026, com fluxo estrangeiro positivo nos últimos meses. Os dados operacionais fortes de Petrobras e Vale ajudam a sustentar essa tendência, já que juntas as duas companhias representam mais de 20% do índice.
A temporada de resultados do 1T26 está apenas começando. Além da Vale no dia 28, dezenas de empresas vão abrir seus números nas próximas semanas. É o tipo de período em que fundamentos importam mais do que ruído. E se tem algo que Mark Mobius repetiu à exaustão durante 40 anos é exatamente isso: olhe pros números, visite as empresas, entenda o negócio. O resto é barulho.
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