Mercado Global

Yen, euro e dolar: impacto nos investimentos

Publicado em
12/12/2025
Como as variações do yen, euro e dolar afetam seus investimentos. Entenda as principais moedas globais e como se posicionar no câmbio.

Por que o yen e o euro importam pra quem investe no Brasil

Você investe em BDRs, ETFs internacionais ou qualquer ativo que tenha exposição ao mercado global. Ótimo. Mas tem uma variável que muita gente ignora e que pode virar o jogo no seu retorno: o câmbio. E não é só o dólar que manda aqui. O yen japonês e o euro têm um peso enorme nos mercados globais e, consequentemente, no bolso de quem investe com uma visão internacional.

Entender como essas moedas se movem, por que sobem e caem, e o que isso significa pros seus investimentos é uma vantagem competitiva real. A keyword aqui é yen euro impacto investimentos, e neste artigo você vai sair com uma visão completa do tema. Vamos ao que interessa.

O yen japonês: a moeda mais estranha (e fascinante) do mundo

O Japão é a terceira maior economia do planeta. E o yen (JPY) é uma das moedas mais negociadas globalmente. Mas o que torna o yen único é o seu comportamento peculiar: ele é considerado um ativo de safe haven, ou seja, um porto seguro em momentos de crise.

Sabe o que acontece quando o mercado global entra em pânico? Os investidores vendem tudo e correm pra ativos considerados seguros: ouro, títulos americanos, e o yen. É um comportamento histórico. Crises como a de 2008, o crash da COVID em 2020 e os momentos de tensão geopolítica mostram esse padrão com clareza: o yen se valoriza quando o resto do mundo derrete.

Por que isso acontece? Basicamente, o Japão é credor líquido do mundo. O país tem trilhões em ativos estrangeiros. Quando a aversão a risco aumenta, investidores japoneses repatriam capital pro yen, que se valoriza. Simples assim.

O carry trade com yen: a estratégia que virou armadilha

Durante décadas, o Japão manteve juros próximos de zero ou negativos. Isso criou uma das estratégias mais populares entre traders profissionais: o carry trade com yen.

A lógica é simples. Você toma emprestado em yen (barato, juros baixos), converte pra outra moeda com juros mais altos (como o real, a lira turca ou o dólar australiano) e embolsa a diferença dos juros. Durante anos, essa estratégia funcionou muito bem.

O problema? Quando o Banco do Japão (BoJ) começou a sinalizar alta de juros em 2024, o carry trade começou a desmontar. Quem estava alavancado em yen teve que fechar posições rapidamente, o que causou um dos crashes mais abruptos de curto prazo que o mercado global viu nos últimos anos. O Nikkei 225 despencou mais de 12% em um único dia em agosto de 2024, o pior dia desde 1987.

A lição pra você: o yen não é só uma moeda. É um termômetro de apetite a risco global. Quando o yen se valoriza, preste atenção. Algo pode estar mudando no cenário macro.

O euro: a moeda de 20 países e sua influência nos mercados

O euro (EUR) é a segunda moeda mais negociada do mundo, atrás só do dólar. Representa a zona do euro: 20 países que compartilham a mesma moeda sob a supervisão do Banco Central Europeu (BCE).

A Europa é o maior bloco econômico do planeta em termos de PIB combinado. Alemanha, França, Itália, Espanha. Empresas como LVMH, Volkswagen, SAP, Airbus e Stellantis são europeias. E muitas delas têm BDRs disponíveis na B3, o que significa que o euro afeta diretamente o retorno dos brasileiros que investem nessas empresas.

EUR/USD: o par de moedas mais importante do mundo

O par EUR/USD é o mais negociado do mercado de câmbio global, com trilhões de dólares movimentados por dia. Quando o euro se valoriza contra o dólar, o mundo sente. Commodities ficam mais caras (cotadas em dólar, mas com demanda europeia forte), mercados emergentes podem se beneficiar com entrada de capital, e os ativos europeus ficam mais caros em dólar.

Pra você, investidor brasileiro com BDRs de empresas europeias, a equação fica assim: se o euro sobe contra o real, seu BDR tende a valer mais em reais, mesmo que o ativo em si não tenha se movido muito. O câmbio turbina (ou corrói) seu retorno.

E o inverso também é verdade. Se o euro cai, você pode ter um ativo performando bem em Bruxelas, mas perdendo valor quando convertido pro real. É o que chamamos de risco cambial.

Como a valorização do euro e do yen muda seu retorno em BDRs

Aqui é onde o assunto fica prático de verdade. BDRs são certificados que replicam o comportamento de ações ou ETFs estrangeiros aqui na B3. O preço do BDR em reais depende de dois fatores: o preço do ativo lá fora e a taxa de câmbio.

Exemplo prático. Imagine que você tem o BDR de uma empresa alemã. A ação na Alemanha custa 100 euros. Se o euro está valendo 6 reais, seu BDR vale 600 reais. Se o euro valorizar pra 6,50 reais sem que a ação mude de preço, seu BDR vai pra 650 reais. Você ganhou 8,3% sem que a empresa tivesse feito nada de diferente.

Agora o lado ruim: se o euro cair pra 5,50 reais, seu BDR vai pra 550 reais. Menos 8,3%. A empresa pode estar indo muito bem, mas o câmbio comeu seu retorno.

A mesma lógica vale pro yen. Quem tem BDRs de empresas japonesas como Toyota, Sony ou SoftBank está exposto ao câmbio BRL/JPY. Quando o yen se valoriza, os BDRs dessas empresas tendem a subir em reais. Quando o yen cai, o retorno diminui.

Se você quer entender melhor como funciona a mecânica do câmbio no investimento no exterior, vale ler o artigo sobre como funciona o câmbio pra investir no exterior. Lá a explicação vai fundo nas conversões e nos efeitos práticos.

BCE vs Federal Reserve: a batalha que move as moedas

O Banco Central Europeu e o Federal Reserve americano são as duas instituições mais poderosas do mercado financeiro global. As decisões de juros dessas duas instituições são os principais drivers de curto e médio prazo do EUR/USD e, por extensão, dos mercados globais inteiros.

A lógica é a seguinte: quando o Fed sobe juros e o BCE mantém, o dólar fica mais atrativo pra investidores globais (porque rende mais). Capital flui pros EUA, o euro cai. Quando o BCE sobe mais agressivamente, o euro ganha força.

Em 2022-2023, o Fed subiu juros de forma agressiva pra combater a inflação americana. O euro chegou a ficar abaixo da paridade com o dólar pela primeira vez em 20 anos (1 euro = menos de 1 dólar). Isso causou um efeito cascata nos mercados globais, incluindo na B3.

O mesmo vale pro Banco do Japão. O BoJ foi o último grande banco central a manter juros ultrabaixos. Quando ele começou a mudar essa posição, o impacto no yen foi imediato e violento. Todo trader que estava no carry trade yen precisou agir rápido.

Vale comparar com o que acontece aqui no Brasil e entender como o dólar também entra nessa equação. O artigo sobre como o dólar afeta a bolsa brasileira dá o contexto completo de como a política monetária americana impacta os ativos brasileiros.

O impacto do EUR/USD em commodities e mercados emergentes

Tem uma relação que pouca gente fala: o EUR/USD e as commodities. Como o petróleo, o ouro e a maioria das commodities são cotados em dólar, quando o dólar enfraquece (euro sobe), essas commodities ficam mais baratas pra países que não usam dólar. Isso aumenta a demanda e tende a elevar os preços em dólar.

Para o Brasil, isso é muito relevante. Somos um dos maiores exportadores de commodities do mundo. Petróleo, soja, minério de ferro, açúcar. Quando o euro sobe e o dólar cai, pode rolar um efeito cruzado interessante: commodities sobem em dólar, mas o real também pode se valorizar por conta das exportações mais lucrativas.

Além disso, um dólar mais fraco (que geralmente coincide com euro mais forte) tende a atrair capital pra mercados emergentes como o Brasil. Os investidores saem de ativos americanos mais conservadores e buscam retorno em mercados com mais crescimento. Isso pode valorizar a bolsa brasileira e o real.

Como se proteger contra a variação cambial ao investir via BDRs

Não tem jeito de eliminar 100% o risco cambial quando você investe em ativos internacionais. Mas dá pra gerenciar. Aqui vão as principais estratégias:

Diversificação por moeda

Em vez de concentrar tudo em ativos dolarizados, você pode ter exposição ao euro e ao yen também. Se o dólar cair, o euro pode subir. A diversificação por moeda reduz a volatilidade total da carteira.

BDRs de empresas europeias e japonesas ajudam nisso. Você ganha exposição a economias diferentes, com ciclos econômicos diferentes, e em moedas diferentes. Uma carteira com exposição a EUR, JPY e USD vai se comportar de forma mais suave do que uma carteira 100% dolarizada.

ETFs hedgeados (com proteção cambial)

Alguns ETFs internacionais oferecem versões "hedgeadas", onde o gestor faz operações no mercado de câmbio pra neutralizar o efeito da variação da moeda estrangeira. Você fica exposto ao retorno do ativo, mas não à variação do câmbio.

A desvantagem é que esse hedge tem custo. Em geral, os ETFs hedgeados são mais caros do que os não-hedgeados. Em cenários onde o câmbio vai a seu favor, você teria saído melhor sem o hedge.

Monitorar os bancos centrais

Essa é a dica mais prática e de maior impacto: acompanhe as reuniões do Fed, do BCE e do BoJ. As decisões de juros e os comunicados dessas instituições são os principais drivers de curto prazo das moedas. Eles sempre têm data marcada e são amplamente divulgados.

Quando o BCE sinaliza que vai subir juros, começa a fazer sentido ter mais exposição ao euro. Quando o BoJ sinaliza que vai manter juros baixos, o carry trade com yen fica menos arriscado.

Se você quer entender mais sobre o mercado japonês e os ativos disponíveis na B3, leia o artigo sobre o que são BDRs e como investir nos melhores ativos do mundo. Ele explica a mecânica completa dos certificados de depósito de valores mobiliários.

Ferramentas pra acompanhar câmbio em tempo real

Você não precisa ficar pelando na frente de telas de câmbio o dia todo, mas é importante ter fontes confiáveis pra monitorar o EUR/BRL, JPY/BRL e EUR/USD. Veja as principais opções:

Cotações em tempo real no app da Traders

O app da Traders cobre mais de 20 mil ativos locais e internacionais em tempo real, incluindo pares de moedas. Se você quer acompanhar o yen e o euro sem precisar abrir várias janelas, dá pra fazer tudo dentro do app. Além disso, o serviço de notícias filtra automaticamente as notícias que impactam os mercados, o que é fundamental quando você quer entender por que o EUR/USD se moveu de repente.

TradingView

Pra análise técnica dos pares de moedas, o TradingView é a ferramenta mais usada pelos traders. Você consegue ver gráficos de EUR/BRL, USD/JPY, EUR/USD e qualquer combinação que precisar. Dá pra configurar alertas de preço, o que evita você ter que ficar monitorando o tempo todo.

Agenda econômica

Toda reunião do Fed, do BCE e do BoJ está disponível em agendas econômicas. O investingvesting.com e o ForexFactory são as mais completas. Você marca as datas no calendário e já sabe quando podem rolar movimentos mais bruscos nas moedas. Preparação é tudo.

Relatórios dos bancos centrais

O BCE pública suas decisões e comunicados em inglês no site oficial. O BoJ pública em inglês também. Não precisa ler tudo, mas entender o tom do comunicado, mais hawkish (propenso a subir juros) ou mais dovish (propenso a manter ou cortar), já é suficiente pra ter uma leitura de pra onde a moeda pode ir.

Yen, euro e sua carteira: o resumo prático

Vamos fechar com o que realmente importa pra você, investidor com BDRs ou ativos com exposição internacional:

O yen japonês funciona como termômetro de risco global. Quando ele sobe, o mercado está com medo. Quando cai, o apetite a risco está maior. Além disso, as decisões do BoJ afetam o carry trade global e podem causar movimentos abruptos nos mercados.

O euro é a moeda de uma das maiores economias do mundo. Suas oscilações afetam commodities, mercados emergentes e qualquer BDR de empresa europeia que você tenha na carteira. A relação EUR/USD é o par mais importante do câmbio global e vale monitorar com atenção.

O câmbio não é o inimigo. É uma variável que você precisa entender e incorporar na sua análise. Quem ignora o câmbio toma decisões incompletas. Quem entende o câmbio tem uma vantagem real.

A Traders Corretora tem mais de 500 BDRs disponíveis na B3, incluindo papéis de empresas europeias e japonesas. Você investe em reais, sem precisar abrir conta no exterior, e ainda fica exposto a essas moedas de forma natural. É a forma mais prática de diversificar internacionalmente sendo brasileiro.

Pra investir com essa visão, acesse www.traders.com.br e abra sua conta. O mercado global está disponível pra você, direto da B3.


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