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Varejo: Veja quem são os vencedores do 4T25, segundo o BTG Pactual

Publicado em
25/3/2026
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Varejo: Veja quem são os vencedores do 4T25, segundo o BTG Pactual. Veja o que muda pro investidor. Análise completa no blog da Traders.
Varejo: Veja quem são os vencedores do 4T25, segundo o BTG Pactual
Varejo: Veja quem são os vencedores do 4T25, segundo o BTG Pactual

O BTG Pactual (BPAC11) concluiu sua análise dos balanços do varejo brasileiro no 4T25 e separou os vencedores dos perdedores num trimestre que, na visão do banco, foi mais um capítulo difícil pra quem depende do bolso do consumidor. Com juros altos corroendo a renda disponível e o endividamento das famílias ainda pesando, as empresas que se destacaram foram aquelas com execução operacional acima da média e posicionamento estrutural sólido.

Das 26 ações do setor acompanhadas pelo BTG, 18 carregam recomendação de compra e oito ficaram com posição neutra. O portfólio preferido do banco inclui Mercado Livre (MELI34), Smart Fit (SMFT3), Grupo Mateus (GMAT3), Vivara (VIVA3) e Grupo SBF (SBFG3). Mas os números do trimestre contaram histórias bem diferentes dependendo do subsegmento.

Renner (LREN3): margem forte em cenário adverso

A Lojas Renner entregou um dos melhores conjuntos de resultados do varejo no quarto trimestre. O lucro líquido foi de R$ 552,6 milhões, crescimento de 13,4% na comparação com o 4T24. No acumulado de 2025, o lucro atingiu R$ 1,46 bilhão, alta de 21,8%.

A receita líquida do varejo alcançou R$ 4,35 bilhões, avanço de 4,3% sobre o mesmo período do ano anterior. As vendas mesmas lojas (SSS) cresceram 3,3%, um ritmo modesto, mas que ganha relevância quando contextualizado num trimestre em que o consumo discricionário esteve pressionado.

O destaque ficou por conta das margens. O EBITDA ajustado do varejo atingiu R$ 1,05 bilhão, alta de 9,3%, com a margem EBITDA subindo 1,1 ponto percentual, pra 24,2%. A margem bruta também melhorou, beneficiada por menores remarcações, gestão de estoque mais eficiente e melhor reposição de produtos. No ano inteiro, o EBITDA totalizou R$ 3,1 bilhões, crescimento de 20,3%.

O BTG reforçou a recomendação de compra pra LREN3, destacando que a empresa conseguiu entregar números sólidos mesmo num ambiente desfavorável pra consumo. A combinação de disciplina operacional com geração de caixa e potencial de dividendos de até 8% tornou a Renner uma das preferidas do banco no segmento de moda.

Panvel (PNVL3): lucro recorde e SSS de 14,7%

A Panvel foi talvez a maior surpresa positiva do trimestre. O lucro líquido ajustado atingiu R$ 45,2 milhões, avanço de 35% sobre o 4T24, um recorde histórico pra companhia.

O EBITDA ajustado chegou a R$ 104,8 milhões, crescimento de 27,9% na base anual, com margem de 6,2%, o maior patamar dos últimos cinco anos. A receita bruta do varejo avançou 18,2%, totalizando R$ 1,68 bilhão, enquanto as vendas mesmas lojas dispararam 14,7%, muito acima dos 9,1% do trimestre anterior.

A produtividade por unidade subiu 13%, atingindo R$ 849 mil por loja ao mês, novo recorde. O market share na região Sul ganhou 70 pontos-base, chegando a 13,9%. O BTG reiterou compra com preço-alvo de R$ 19, enxergando a rede gaúcha de farmácias como uma das histórias mais consistentes do varejo brasileiro.

Smart Fit (SMFT3): receita cresce 26% e BTG vê potencial de 56%

A Smart Fit segue sendo tratada pelo BTG como "uma das maiores histórias de geração de valor da América Latina". Os números do 4T25 sustentam essa tese: o lucro recorrente subiu 19%, chegando a R$ 235 milhões, enquanto a receita líquida avançou 26%, pra R$ 1,95 bilhão.

O EBITDA ajustado ficou em R$ 610 milhões, com margem de 31,3%, uma leve queda de 0,3 ponto percentual na comparação anual. Essa pressão veio dos custos de abertura de novas unidades, algo natural dado o ritmo agressivo de expansão: a companhia inaugurou 341 academias líquidas em 2025.

No acumulado do ano, a receita cresceu 30%, pra R$ 7,24 bilhões, e o EBITDA avançou 30%, totalizando R$ 2,29 bilhões. O lucro anual de R$ 741 milhões representou alta de 28%. As ações saltaram até 8% após a divulgação do balanço, e o BTG vê espaço pra mais 56% de valorização.

Magazine Luiza (MGLU3): Selic cobra seu preço

O Magazine Luiza ilustra bem o dilema de quem opera no varejo com alta alavancagem num ciclo de juros elevados. O lucro líquido despencou 55,4%, pra R$ 131,6 milhões. No critério ajustado, a queda foi de 10,5%, pra R$ 124,7 milhões.

A receita bruta cresceu 3,3%, pra R$ 13,8 bilhões, com o canal físico avançando 8,7% e ganhando market share. O EBITDA ajustado subiu 2,5%, pra R$ 867,3 milhões, mantendo a margem estável em 7,8%. O problema foi embaixo da linha operacional: as despesas financeiras comeram boa parte do resultado.

Apesar do lucro pressionado, o CEO Fred Trajano celebrou: "estamos em um momento muito bom, com uma concorrência enfraquecida". As ações dispararam 9% no dia seguinte ao balanço, com o mercado precificando mais a resiliência operacional do que o impacto dos juros. Pra quem acompanha o mercado de renda variável, a tese de Magalu continua sendo uma aposta na virada do ciclo de juros.

Os que ficaram pra trás: Vivara e Grupo SBF

Nem todo mundo teve um trimestre brilhante. A Vivara (VIVA3), apesar de estar entre as top picks do BTG, entregou resultados fracos. O EBITDA e o lucro ficaram abaixo das estimativas, pressionados por maiores despesas de vendas e menores incentivos fiscais. A estratégia agressiva de ganho de market share, com mais aberturas de lojas Life by Vivara, pesou nas margens.

O Grupo SBF (SBFG3), dono da Centauro e da operação da Fila no Brasil, teve um trimestre misto. A receita líquida veio sólida, com bons números tanto em Centauro quanto em Fisia, mas a lucratividade ficou pressionada. O BTG mantém compra, argumentando que o papel negocia com desconto em relação à mediana do setor.

Já o Grupo Mateus (GMAT3) mostrou duas caras: a receita líquida cresceu impressionantes 20,9%, pra R$ 10,6 bilhões, e o lucro subiu 6,1%, pra R$ 343 milhões. Mas o EBITDA recuou 3,1%, sinalizando compressão de margens. As ações despencaram no dia do balanço, mesmo com a receita forte, porque o mercado se fixou na erosão da rentabilidade.

O cenário macro que definiu o trimestre

O BTG não escondeu o tom cauteloso na leitura do trimestre. Na visão do banco, "as altas taxas de juros continuam a corroer a renda disponível, enquanto o endividamento das famílias, ainda elevado, restringiu o poder de compra". A inflação acumulada dos últimos anos elevou estruturalmente os níveis de preço, reduzindo a acessibilidade real dos produtos.

Pra quem investe no setor, o recado é claro: num ambiente assim, a seletividade é obrigatória. As empresas que conseguem expandir margens e ganhar eficiência operacional se descolam das concorrentes que dependem exclusivamente de crescimento de receita pra entregar resultado. É o que o BTG chama de "execução específica" como antídoto pra um macro adverso.

A Selic em patamares elevados afeta de maneiras diferentes os subsegmentos do varejo. O varejo de moda, representado pela Renner, sofre menos com inadimplência porque opera com ticket médio mais baixo. O atacarejo, caso do Grupo Mateus, tem a vantagem da resiliência do consumo de alimentos, mas disputa cada centavo de margem. Já o e-commerce, com Magalu e Mercado Livre, carrega o peso dos custos financeiros no capital de giro.

O que esperar: preferências do BTG e catalisadores

Com 18 das 26 ações cobertas em recomendação de compra, o BTG mantém uma postura construtiva pro varejo, mas muito seletiva. A preferência por "horizontal players" com alta liquidez explica a presença do Mercado Livre no topo da lista. Nas palavras dos analistas do banco: "preferimos exposição ao setor por meio de players horizontais com muito mais liquidez, sendo o Mercado Livre a melhor escolha".

A Smart Fit ganhou destaque por ser uma história de crescimento com recorrência de receita. A Panvel, por sua vez, se firmou como a melhor execução operacional do segmento farmacêutico, beneficiada inclusive pela demanda crescente por medicamentos GLP-1 (as populares canetas emagrecedoras).

Os catalisadores pra frente incluem a possível inflexão da política monetária. Se o Banco Central sinalizar início de corte de juros no segundo semestre de 2026, papéis sensíveis a crédito como Magazine Luiza e Casas Bahia podem ter reprecificação significativa. Até lá, o jogo continua sendo de seleção: margens, eficiência e geração de caixa importam mais do que puro crescimento de receita.

O resumo do BTG sobre o 4T25 do varejo é que o trimestre separou quem tem consistência operacional de quem depende de ventos favoráveis. Num ciclo de juros altos, a qualidade da gestão aparece nos números. E é exatamente aí que Renner, Panvel e Smart Fit se diferenciaram.


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