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Vale (VALE3) se prepara para balanço e pode surpreender; Santander aposta em 1T forte

Publicado em
7/4/2026
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Vale (VALE3) se prepara para balanço e pode surpreender; Santander aposta em 1T forte. Saiba como isso afeta seus investimentos.
Vale (VALE3) se prepara para balanço e pode surpreender; Santander aposta em 1T forte
Vale (VALE3) se prepara para balanço e pode surpreender; Santander aposta em 1T forte

A Vale (VALE3) se prepara pra divulgar os resultados do primeiro trimestre de 2026 no dia 28 de abril, e o Santander já antecipou sua leitura: o banco projeta um trimestre de alta qualidade, com EBITDA consolidado de US$ 4,080 bilhões. O número representaria um avanço de 27% em relação ao 1T25, quando o indicador ficou em US$ 3,115 bilhões, mesmo com uma queda sazonal de 16% frente ao 4T25.

A grande surpresa, porém, não vem do minério de ferro. Vem dos metais para transição energética, cuja participação no EBITDA consolidado deve saltar pra 33%, o dobro do registrado um ano atrás. Pra quem acompanha a tese de investimento da Vale, esse é um dado que muda a conversa.

O que o Santander espera do 1T26 da Vale

O relatório do banco detalha projeções pra cada divisão de negócio. Na parte de ferrosos, o EBITDA estimado é de US$ 2,977 bilhões, com margem de 44%. Esse número representa queda de 25% na comparação trimestral (sazonalidade típica do 1T), mas alta de 3% sobre o 1T25.

Já o segmento de metais básicos é o destaque: EBITDA projetado de US$ 1,332 bilhão, com margem robusta de 50%. Na comparação anual, isso representa um crescimento de 140%. Sim, mais que o dobro. A recuperação dos preços de níquel (que subiram mais de 25% nos últimos meses por mudanças regulatórias na Indonésia) e a boa performance do cobre são os principais vetores.

Essa combinação de resiliência em ferrosos + avanço expressivo em metais básicos é o que leva o Santander a classificar o trimestre como de alta qualidade, mesmo em um período sazonalmente mais fraco.

Contexto: o que aconteceu no 4T25 e no 1T25

Pra entender o cenário, vale olhar pra trás. No 4T25, a Vale reportou prejuízo líquido de US$ 3,8 bilhões. O número assustou no headline, mas a explicação é contábil: foram US$ 3,5 bilhões em impairment de ativos de níquel no Canadá e US$ 2,8 bilhões em baixa de imposto diferido. O resultado operacional, medido pelo EBITDA proforma de US$ 4,8 bilhões (+17% YoY), veio sólido. Excluindo itens não recorrentes, o lucro teria sido de US$ 1,4 bilhão.

Já no 1T25, a mineradora lucrou US$ 1,394 bilhão (queda de 17% anual), com receita líquida de US$ 8,119 bilhões e EBITDA ajustado de US$ 3,115 bilhões. As vendas de minério de ferro cresceram 4%, e as de cobre e níquel avançaram 7% e 18%, respectivamente. O custo C1 atingiu US$ 21 por tonelada, mantendo a trajetória de redução.

Se a projeção do Santander se confirmar, o 1T26 marcaria uma aceleração importante na geração de caixa operacional em relação ao mesmo período do ano anterior. Quem quer se aprofundar na leitura de balanços pode conferir nosso guia sobre balanço patrimonial: o que é e como funciona.

Metais básicos: a mudança estrutural da Vale

Esse é o ponto que merece mais atenção. Historicamente, a Vale sempre foi uma empresa de minério de ferro. A divisão de ferrosos dominava o resultado, respondendo por 80% ou mais do EBITDA. Metais básicos (níquel, cobre, cobalto) eram coadjuvantes.

Agora, com a projeção de que a divisão de ETM (Energy Transition Metals) responda por um terço do EBITDA consolidado, o perfil da companhia começa a mudar. E isso tem implicações diretas na forma como o mercado precifica a ação.

Por quê? Porque empresas com exposição relevante a cobre e metais ligados à transição energética costumam negociar com múltiplos mais elevados do que puras mineradoras de ferro. Se a Vale conseguir sustentar essa proporção ao longo dos próximos trimestres, o re-rating da ação se torna uma possibilidade concreta.

A recuperação do níquel, puxada por restrições de exportação na Indonésia (maior produtor mundial), adiciona um vetor que não existia nos últimos dois anos. No trimestre anterior, a própria Vale reconheceu a deterioração do cenário ao fazer o impairment de US$ 3,5 bilhões nos ativos canadenses. Agora, os preços estão se recuperando. A pergunta é se essa recuperação tem sustentação ou se é apenas um repique.

Preço-alvo, dividendos e o que mais o Santander projeta

O Santander mantém recomendação Outperform (equivalente a compra) pra VALE3, com preço-alvo de R$ 85,25 para o fim de 2026, ou US$ 15,50 por ADR. Com a ação negociando por volta de R$ 83, o upside implícito é modesto, cerca de 3%. Mas a tese não é só de valorização do papel.

O banco projeta dividendos mínimos de US$ 4,1 bilhões em 2026, o que corresponde a um yield estimado de 7,5%. Além disso, o Santander enxerga espaço pra US$ 578 milhões em dividendos extraordinários, adicionando mais 1,1 ponto percentual ao retorno total. Somando tudo, o retorno ao acionista pode chegar a 8,6%, entre dividendos ordinários e extraordinários.

Esse yield é competitivo quando comparado a outras gigantes do setor de mineração global. Pra quem quer entender melhor como investir na mineradora, vale conferir o guia como investir em Vale (VALE3).

Capex e produção

A Vale projeta investimentos (capex) de aproximadamente US$ 5,5 bilhões em 2026. No lado operacional, o guidance de produção de minério de ferro é de 335 a 345 milhões de toneladas, um leve avanço em relação às 336 milhões de toneladas produzidas em 2025, que já foram o maior volume desde 2018.

O relatório de produção e vendas do 1T26 será divulgado em 16 de abril, e esse será o primeiro termômetro real de como a companhia está performando no ano. Investidores vão olhar especialmente pra produção de cobre e pra qualidade do minério embarcado, dois fatores que impactam diretamente a realização de preços.

Minério de ferro acima de US$ 100: sustentável?

O Santander vê o minério de ferro acima de US$ 100 por tonelada ao longo de 2026, apoiado por três fatores: oferta global limitada, custos de produção mais elevados entre concorrentes e demanda resiliente.

A China continua sendo o principal vetor de demanda, mas novos mercados estão ganhando relevância. Índia, Sudeste Asiático, Oriente Médio e Norte da África estão aumentando o consumo de aço, o que diversifica a base de clientes e reduz a dependência de um único comprador.

Ainda assim, existe um risco. O cenário macroeconômico global segue incerto, com tensões comerciais entre Estados Unidos e China que podem afetar a atividade industrial. Uma desaceleração mais forte da economia chinesa pressionaria os preços de commodities metálicas de forma ampla.

VALE3: valorização de 16% no ano e acima de R$ 83

As ações da Vale acumulam valorização de cerca de 16% em 2026, saindo de R$ 72 no início do ano pra a casa dos R$ 83. Nos últimos 12 meses, a alta é de aproximadamente 73%.

Essa performance reflete tanto a recuperação dos preços de minério quanto a revisão pra cima das projeções de analistas. Além do Santander, outros bancos como Bank of America e XP também mantêm recomendações positivas, com preços-alvo que variam entre R$ 75 (no cenário mais conservador) e R$ 97 (no mais otimista).

O ponto de atenção é que, com o papel já próximo do preço-alvo do Santander, o mercado vai precisar de catalisadores novos pra sustentar novas altas. O balanço do 1T26 pode ser esse catalisador, especialmente se a divisão de metais básicos confirmar o salto projetado.

Calendário: o que vem pela frente

Pra quem acompanha a Vale, as próximas semanas são decisivas:

16 de abril: divulgação do relatório de produção e vendas do 1T26, após o fechamento do mercado. Esse documento traz dados operacionais (volumes produzidos e vendidos de minério, pelotas, cobre, níquel) e já dá uma boa indicação do resultado financeiro.

28 de abril: divulgação do resultado financeiro completo do 1T26, também após o fechamento.

29 de abril: teleconferência com analistas e investidores, às 11h (horário de Brasília).

Esses três eventos devem movimentar o papel e podem definir o tom da ação até a próxima divulgação. Quem opera no curto prazo deve ficar atento à reação do mercado ao relatório de produção, já que ele costuma antecipar boa parte da surpresa (positiva ou negativa) do balanço financeiro. Se você tá começando a operar ações e quer entender melhor as técnicas, o guia sobre scalping: vale a pena? pode ajudar.

O que o mercado está de olho

Além dos números absolutos, três questões vão dominar a análise do 1T26 da Vale:

1. Sustentabilidade dos metais básicos. O salto de 140% no EBITDA dessa divisão é impressionante, mas o mercado quer saber se é tendência ou ponto fora da curva. A resposta depende dos preços de níquel e cobre nos próximos meses.

2. Dívida líquida. No fim do 1T25, a dívida líquida expandida era de US$ 18,2 bilhões. A meta da Vale é chegar a US$ 15 bilhões, e o ritmo de desalavancagem vai determinar o espaço pra dividendos extraordinários.

3. Custo C1. A trajetória de redução de custos tem sido um dos pontos fortes da gestão. No 1T25, o C1 ficou em US$ 21/t. Se a Vale conseguir manter ou reduzir esse patamar, a margem operacional em ferrosos fica protegida mesmo com oscilações no preço do minério.

O balanço do 1T26 da Vale chega num momento em que o mercado já precificou boa parte das boas notícias. A ação está perto do preço-alvo do Santander e acumula alta expressiva no ano. Pra continuar subindo, a mineradora vai precisar entregar resultado acima das expectativas, especialmente na divisão de metais básicos. Se o EBITDA de US$ 4 bilhões se confirmar, com margem de 50% em metais e yield acima de 7%, a Vale mantém seu posto como uma das teses mais sólidas da bolsa brasileira.


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