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Vale (VALE3) entra em 2026 com fôlego: Santander vê trimestre “de alta qualidade” e reforça recomendação de compra

Publicado em
7/4/2026
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Vale (VALE3) entra em 2026 com fôlego: Santander vê trimestre “de alta qualidade” e reforça recomendação de compra. Veja o que muda pro investidor.
Vale (VALE3) entra em 2026 com fôlego: Santander vê trimestre “de alta qualidade” e reforça...
Vale (VALE3) entra em 2026 com fôlego: Santander vê trimestre “de alta qualidade” e reforça...

A Vale (VALE3) deve abrir 2026 com um trimestre robusto, segundo o Santander. O banco projeta um EBITDA consolidado de US$ 4,08 bilhões no primeiro trimestre, o que representa alta de 27% na comparação com o mesmo período de 2025, quando a mineradora registrou US$ 3,115 bilhões. Na base trimestral, porém, o número marca uma queda de 16% ante o 4T25.

A avaliação do Santander chama atenção pelo adjetivo escolhido: trimestre "de alta qualidade". Não é só sobre volume ou preço. O banco destaca que a composição do resultado melhorou, com a divisão de metais para transição energética ganhando protagonismo e as margens se mantendo em patamares elevados.

A recomendação segue em Outperform (equivalente a compra), com preço-alvo de US$ 15,50 por ADR para o fim de 2026, acima do patamar anterior de US$ 15,00. No mercado local, a referência é R$ 85,25 por ação. No pregão recente, VALE3 operava na casa dos R$ 83.

Metais básicos: a virada silenciosa da Vale no 1T26

O grande destaque da prévia do Santander não está no minério de ferro. Está no que a Vale vem construindo na divisão de metais básicos (níquel, cobre e cobalto), rebatizada como área de metais para transição energética (ETM).

O banco estima que o EBITDA dessa divisão alcance US$ 1,332 bilhão no 1T26, com margem de 50%. Para dimensionar: essa área deve responder por 33% do EBITDA consolidado da Vale neste trimestre. No 1T25, essa fatia era de apenas 17%.

Ou seja, a participação dos metais básicos praticamente dobrou em um ano. Isso é relevante porque diversifica a dependência da Vale em relação ao minério de ferro e posiciona a companhia no centro da cadeia de suprimentos da eletrificação global. Baterias de veículos elétricos, infraestrutura de energia renovável e redes de transmissão precisam de níquel e cobre em volumes crescentes.

Vale lembrar que no 4T25, a Vale registrou um impairment de US$ 3,5 bilhões nos ativos de níquel do Canadá, o que gerou um prejuízo contábil de US$ 3,8 bilhões no trimestre. Mas analistas de mercado consideraram o resultado operacional sólido. A baixa contábil refletiu uma revisão nas premissas de preço de longo prazo do níquel, não uma deterioração das operações.

Ferrosos: base resiliente mesmo com recuo trimestral

A divisão de ferrosos, que inclui minério de ferro e pelotas, continua sendo o carro-chefe. O Santander estima um EBITDA de US$ 2,977 bilhões para o segmento no 1T26. Na comparação com o 4T25, isso representa uma queda de 25%, movimento esperado pela sazonalidade do período (chuvas no sistema norte brasileiro reduzem produção e embarques no primeiro trimestre).

Porém, na comparação anual, o número sobe 3%. A diferença pode parecer modesta, mas ganha relevância quando se leva em conta o preço do minério de ferro. A commodity estava sendo negociada em torno de US$ 107 por tonelada no início de abril de 2026, patamar sustentado pela demanda chinesa resiliente e por restrições de oferta ligadas à temporada de ciclones na Austrália.

O Santander trabalha com a premissa de que o minério de ferro deve permanecer acima de US$ 100 por tonelada ao longo de 2026, apoiado por oferta global limitada, custos de produção mais elevados entre produtores marginais e pela demanda de mercados emergentes além da China. Índia, Sudeste Asiático, Oriente Médio e norte da África aparecem como vetores complementares de consumo.

Comparando com o 1T25: a evolução dos números

Para quem acompanha a Vale de perto, vale a comparação direta com o 1T25:

No primeiro trimestre de 2025, a Vale reportou lucro líquido de US$ 1,394 bilhão (queda de 17% ante o 1T24), receita líquida de US$ 8,119 bilhões (recuo de 4%) e EBITDA ajustado de US$ 3,115 bilhões (queda de 9%). Os números foram pressionados por preços menores de minério e níquel, parcialmente compensados por custos unitários mais baixos.

A projeção do Santander para o 1T26 sugere uma reversão dessa tendência. Com EBITDA estimado de US$ 4,08 bilhões, a alta de 27% na base anual sinaliza que a combinação de preços melhores, disciplina de custos e o salto da divisão de metais básicos está gerando resultado concreto.

O Citi, outro banco que acompanha a Vale de perto, trabalha com número semelhante: projeta EBITDA de US$ 4 bilhões no 1T26, o que equivale a uma alta anual de 28,4%. A convergência entre analistas reforça a expectativa de um trimestre sólido.

Dividendos: yield projetado de 7,5% em 2026

Além do resultado operacional, o Santander projeta que a Vale distribua dividendos mínimos de US$ 4,1 bilhões em 2026, o que corresponde a um yield estimado de 7,5%. O banco ainda vê espaço para US$ 578 milhões em dividendos extraordinários, o que adicionaria cerca de 1,1 ponto percentual ao retorno total ao acionista.

Esse nível de remuneração é relevante para quem compara Vale com outras alternativas de investimento. Para ter uma referência, a renda fixa com Selic alta entrega retornos atrativos, mas o yield da mineradora compete de igual pra igual, com o bônus de exposição à valorização da ação.

Quem quer montar posição em Vale para capturar dividendos precisa ficar atento ao calendário. A companhia costuma distribuir proventos em dois blocos ao longo do ano, geralmente em março e setembro. Em 2025, os pagamentos totalizaram R$ 4,56 por ação.

Contexto setorial: mineração em momento favorável

A tese do Santander não se sustenta apenas nos números da Vale. O contexto macro para mineração está construtivo. O minério de ferro acumula alta de quase 5% em 12 meses e opera acima de US$ 107 por tonelada. A demanda por cobre, impulsionada pela eletrificação, segue em trajetória ascendente.

A China, maior consumidora mundial de minério, mantém política de estímulos à infraestrutura e ao setor imobiliário. Embora o ritmo de crescimento chinês tenha desacelerado, o volume absoluto de consumo de aço segue elevado. E a diversificação geográfica da demanda (Índia crescendo, Sudeste Asiático urbanizando) adiciona uma camada de proteção ao cenário.

Do lado da oferta, a concentração do mercado em poucos grandes produtores (Vale, BHP, Rio Tinto e Fortescue) limita a capacidade de expansão rápida. Novos projetos de mineração levam anos para entrar em operação, o que sustenta preços em patamares mais altos por mais tempo.

Para quem está começando a acompanhar o setor de mineração e quer entender melhor como investir na companhia, vale conferir o guia sobre como investir em Vale (VALE3).

O que esperar nas próximas semanas

A Vale divulga a prévia de produção e vendas do 1T26 em 16 de abril, após o fechamento do mercado. Esse relatório traz os volumes operacionais e já permite estimar a receita com boa precisão. O resultado financeiro completo sai em 28 de abril.

São duas datas que o mercado acompanha de perto. A prévia operacional costuma dar o tom: se os volumes vierem acima do esperado, a ação tende a reagir positivamente antes mesmo do balanço completo.

Além da Vale, o mês de abril concentra a temporada de resultados de diversas empresas na B3. Para quem diversifica a carteira além de mineração, existem alternativas interessantes em diferentes classes de ativos. Quem busca exposição a fundos imobiliários ou quer avaliar se CDB vale a pena no cenário atual, o momento é oportuno para rebalancear a carteira com base nos dados que vêm sendo divulgados.

Vale a R$ 83: o mercado já precificou a melhora?

Com a ação negociada em torno de R$ 83, a Vale acumula valorização expressiva em 2026. O papel iniciou o ano na casa dos R$ 72 e já subiu mais de 15%. A questão que o investidor se faz é: o preço-alvo de R$ 85,25 do Santander deixa pouco upside?

A resposta depende do horizonte de investimento. Para quem olha apenas o curto prazo, o potencial de alta até o alvo parece limitado (cerca de 3%). Mas o Santander não está sozinho na visão construtiva. O Citi recentemente elevou o preço-alvo dos ADRs da Vale e reforçou a aposta em dividendos. O BofA também recomendou compra com alvo acima do atual.

Quando vários bancos convergem na mesma direção, o sinal é de que o momentum operacional é real. A combinação de EBITDA crescente, dividendos acima de 7% e diversificação via metais básicos forma uma tese que vai além de um único trimestre.

O risco, como sempre em mineração, está no preço das commodities. Se o minério de ferro recuar abaixo de US$ 100 ou se a China desacelerar mais do que o esperado, os números precisarão ser revisados. Mas, no cenário base do Santander, a Vale entra em 2026 com um balanço que reflete evolução estrutural, não apenas um ciclo favorável de preços.


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