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Temporada de balanços ganha força: Vale (VALE3), Santander (SANB11) e WEG (WEGE3) divulgam resultados; veja o calendário da semana

Publicado em
27/4/2026
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Temporada de balanços ganha força: Vale (VALE3), Santander (SANB11) e WEG (WEGE3) divulgam resultados; veja o calendário da semana
Temporada de balanços ganha força: Vale (VALE3), Santander (SANB11) e WEG (WEGE3) divulgam...
Temporada de balanços ganha força: Vale (VALE3), Santander (SANB11) e WEG (WEGE3) divulgam...

A semana que começa hoje, 27 de abril, marca o início pesado da temporada de balanços do primeiro trimestre de 2026 na bolsa brasileira. Três pesos pesados do Ibovespa abrem o calendário em sequência: Vale (VALE3) reporta na terça, WEG (WEGE3) na quarta e o Santander Brasil (SANB11) também divulga seus números nos próximos dias. Juntas, as três valem mais de R$ 700 bilhões em valor de mercado e tendem a ditar o humor do índice.

Pra quem opera bolsa, é o tipo de semana em que vale colar na tela. Cada divulgação traz não só números do trimestre fechado, mas também sinais sobre o resto do ano. E os três casos têm dinâmicas bem distintas: a Vale entra animada com produção forte, a WEG enfrenta vento contrário do câmbio, e o Santander tenta manter o ritmo do 4T25, que entregou o melhor lucro em quatro anos.

Vale (VALE3) abre o palco na terça com EBITDA esperado de US$ 4 bi

A Vale publica o resultado do 1T26 no dia 28 de abril, depois do fechamento do mercado. A expectativa do consenso aponta um EBITDA consolidado próximo de US$ 4,08 bilhões, alta de 27% na comparação com o mesmo trimestre de 2025 e queda de 16% frente ao 4T25. O recuo trimestral é normal, dado o efeito sazonal de chuvas no norte do país, que sempre derruba a produção do início do ano.

Mesmo assim, a operação está rodando bem. A mineradora já divulgou em prévia uma produção de 69,6 milhões de toneladas de minério de ferro no trimestre, alta de 3% sobre o 1T25. O Santander, em relatório, classificou o trimestre como "de alta qualidade" e reiterou recomendação de compra. O BTG Pactual elevou a projeção de EBITDA ajustado para cerca de US$ 4,2 bilhões, um upgrade de aproximadamente 5%.

O destaque deve ficar com os metais básicos. O cobre vem surpreendendo positivamente, com volumes acima do esperado e preços ajudando. A Genial Investimentos chega a projetar lucro líquido de US$ 2,87 bilhões, mais que o dobro do reportado um ano antes, justamente puxado pela divisão de metais.

O ponto de atenção segue sendo o minério de ferro: o preço da commodity recuou ao longo de março e abril com a desaceleração da demanda chinesa. Se o mercado precificar menos crescimento da China daqui pra frente, mesmo um balanço bom pode não sustentar a ação. Quem quiser entender melhor a tese, vale ler o Como investir em Vale (VALE3): guia completo.

WEG (WEGE3) reporta na quarta com receita 4% menor

A WEG divulga o balanço no dia 29 de abril, com conference call marcada pra 30 de abril. As projeções não são animadoras no curto prazo. XP e BTG estimam receita líquida ao redor de R$ 9,6 bilhões a R$ 9,7 bilhões, queda de cerca de 4% na base anual. O lucro líquido deve ficar perto de R$ 1,5 bilhão, também 4% abaixo do mesmo período do ano passado.

O grande vilão é o câmbio. A apreciação do real frente ao dólar, de cerca de 10% ano a ano, pesa no caixa de uma empresa que tira boa parte do faturamento de exportações e operações internacionais. Os dados preliminares da Secex já indicaram contração de aproximadamente 6% nas exportações da WEG no trimestre. Quando a moeda brasileira valoriza, cada dólar que volta pra Jaraguá do Sul vira menos real no balanço.

Mesmo assim, a tese de longo prazo segue intacta. A margem EBITDA ajustada deve permanecer próxima de 22%, sustentada por mix mais rentável e disciplina de preços. O ROIC da companhia entrou em 2026 acima de 32%, num patamar invejável pra qualquer indústria global.

O JPMorgan colocou a WEGE3 em "observação negativa" pro curto prazo, e a XP cortou projeções recentemente, citando os "ventos contrários" cambiais. Mas, historicamente, ações de qualidade que caem por motivos macro tendem a oferecer pontos de entrada interessantes, desde que a tese estrutural não esteja quebrada. Pra mais detalhes, confira o Como investir em WEG (WEGE3): guia completo.

Santander (SANB11) tenta repetir o 4T25

O Santander Brasil chega ao 1T26 com a barra alta. No 4T25, o banco entregou lucro líquido de R$ 4,1 bilhões e ROE de 17,6%, o melhor patamar de rentabilidade em quatro anos. Mas o desafio agora é mostrar que aquilo não foi um pico isolado.

O BTG Pactual projeta lucro próximo de R$ 4 bilhões e ROE ao redor de 16,6% no trimestre, cerca de 2% abaixo do consenso. A casa cita três fatores de pressão: compressão da margem com clientes (NII), alta nas provisões e efeitos sazonais típicos do início do ano. As provisões devem subir pra algo perto de R$ 6,5 bilhões, num movimento de normalização depois de um nível atipicamente baixo no fim de 2025.

A inadimplência é o ponto que o mercado vai olhar com mais lupa. No 4T25, mesmo com lucro forte, o Santander acendeu um alerta amarelo nesse indicador. Se o índice piorar de novo, mesmo um lucro próximo de R$ 4 bi pode soar morno pros analistas. Pro ano fechado de 2026, a expectativa do consenso é de lucro de cerca de R$ 17,4 bilhões, o que representaria alta de 11% na comparação com 2025.

O que esperar do mercado nesta semana

Quando três blue chips reportam em sequência, o efeito no Ibovespa costuma ser amplificado. A Vale tem peso de cerca de 11% no índice, o Santander aparece via SANB11 e ITSA4 indireta, e a WEG pesa próximo de 4%. Um surpresa positiva ou negativa de qualquer uma é capaz de mover o índice em mais de 0,5% no pregão seguinte.

Pra quem opera no curto prazo, vale ficar atento à volatilidade implícita nas opções dessas ações na sexta passada e nesta segunda. Em geral, ela sobe antes de balanço e cai logo depois, num fenômeno conhecido como volatility crush. Quem nunca operou esse tipo de evento, recomendo dar uma olhada no artigo Temporada de resultados: como acompanhar earnings e operar antes de qualquer movimento.

Outro ponto: a temporada de balanços do 1T26 ainda vai longe. Petrobras, Itaú, Bradesco, Ambev e Magazine Luiza reportam nas semanas seguintes. Quem quiser organizar o cronograma, o Calendário de resultados: como usar no trading e nos investimentos traz o passo a passo.

Contexto setorial: cada uma na sua dinâmica

Vale a pena destacar que os três balanços vão refletir setores em momentos bem diferentes. A mineração tem operação resiliente, mas depende de China. A indústria de bens de capital, representada pela WEG, sofre com câmbio mas tem fundamentos sólidos. E o setor bancário entra num ano com dúvidas sobre a velocidade de queda da Selic e o impacto disso nos spreads.

Pra ler com olhar de gestor de portfólio, três trimestres distintos contam histórias complementares: commodities globais, indústria exportadora e crédito doméstico. Juntos, dão uma fotografia bem completa de como a economia brasileira chegou ao fim do primeiro trimestre, e do que pode vir pelo resto de 2026.

O calendário oficial dos balanços, datas e horários de divulgação está disponível nos sites de RI das três companhias. Quem opera no day trade ou swing trade vai querer marcar na agenda, porque a partir de amanhã o noticiário vai ferver.


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