
A Suzano (SUZB3) divulgou na noite desta quarta-feira, 29 de abril, o balanço do primeiro trimestre de 2026 e os números explicam por que a ação tá penando na bolsa, mesmo com o Ibovespa renovando máximas históricas. A maior produtora mundial de celulose de eucalipto reportou lucro líquido de R$ 4,312 bilhões no 1T26, uma queda forte de 32% na comparação anual. A receita líquida ficou em R$ 10,97 bilhões, recuo de 5% em relação ao 1T25.
O EBITDA ajustado, que mede a geração operacional de caixa, somou R$ 4,58 bilhões, queda de 6% sobre o mesmo trimestre do ano passado. A margem EBITDA continua nos patamares saudáveis típicos da empresa, mas perdeu fôlego com a apreciação do real frente ao dólar, que afeta diretamente o caixa de uma exportadora que vende celulose precificada lá fora.
O resultado veio dentro do que parte do mercado esperava, mas reforçou uma narrativa que vinha pesando sobre a ação nas últimas semanas: a Suzano segue operacionalmente robusta, só que o cenário macro tá trabalhando contra. SUZB3 acumulava queda superior a 12% no ano até a véspera da divulgação, fechando em torno de R$ 45,45, depois de iniciar 2026 a R$ 51,87.
Operacionalmente, o trimestre não foi ruim. As vendas de celulose alcançaram 2,835 milhões de toneladas, alta de 7% em relação ao 1T25. A demanda global continua firme, com a Ásia puxando o consumo de fibra de eucalipto pra produção de papel tissue, embalagens e papelão. O volume mostra que a Suzano segue tomando market share num mercado em que ela já é referência absoluta.
O segmento de papel, por outro lado, ficou no contrafluxo. O volume vendido caiu 3% e ficou em 378 mil toneladas, refletindo um cenário doméstico mais fraco e a estratégia da companhia de focar em produtos de maior valor agregado.
O ponto de atenção tá na conversão dos volumes em resultado financeiro. O real mais forte derrubou a receita em moeda local, mesmo com preços de celulose em níveis razoáveis no mercado internacional. Como a Suzano fatura predominantemente em dólar e tem boa parte dos custos em real, o câmbio funciona como um redutor automático do EBITDA quando a moeda americana cai.
Pra completar, a empresa concentrou paradas programadas de manutenção no trimestre, o que pressionou os custos unitários. Foi uma escolha operacional, não um problema de eficiência. Mas o efeito no resultado ficou claro.
A geração de caixa operacional consolidada ficou em R$ 2,52 bilhões no 1T26, número 4% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. Não é uma queda dramática, mas mostra que a companhia está rodando sem o vento favorável que tinha em ciclos anteriores.
A alavancagem, medida pela relação dívida líquida sobre EBITDA, ficou em 3,3x em dólar e 3,2x em real. Esse é o número que mais incomoda investidores institucionais. A Suzano carrega uma dívida pesada herdada da incorporação da Fibria e dos investimentos no projeto Cerrado, e o mercado vinha esperando uma desalavancagem mais rápida.
Nos calls anteriores, a administração já sinalizou que a prioridade no curto prazo é converter geração de caixa em redução de dívida, o que significa menor distribuição de dividendos e disciplina forte com capex. Pra quem busca Melhores ações para dividendos em 2026, a Suzano não é o nome óbvio nesse momento. A tese aqui é mais de valor de longo prazo do que de renda recorrente.
A reação do mercado nas últimas semanas vinha precificando uma combinação ruim de fatores. O Bank of America cortou recentemente o preço-alvo de SUZB3 de R$ 82 para R$ 57, uma redução de R$ 25 por papel. A ação chegou a entrar em leilão e fechou em queda de mais de 6% no dia do corte.
O argumento central dos analistas mais cautelosos é que o ciclo da celulose está num momento mais maduro. Os preços globais não devem voltar aos picos de 2021 e 2022 no curto prazo, e o crescimento da capacidade instalada ao redor do mundo, com novos projetos entrando em operação na América Latina e na Ásia, mantém a oferta apertada em qualquer recuperação cíclica.
Tem ainda o componente macro. A escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã elevou os preços de energia e os custos logísticos globais. Pra uma indústria intensiva em logística marítima como a celulose, isso bate direto na linha de baixo. Desde o início desse cenário, SUZB3 acumula queda superior a 15%.
Mesmo com o tombo, ainda há analistas otimistas. A XP Investimentos, em relatório de fevereiro, manteve recomendação de Compra com preço-alvo de R$ 66 pra fim de 2026, argumentando que o pior já estava precificado e que o múltiplo atual da companhia destoa do histórico. Quem quer entender melhor essa métrica de avaliação, vale conferir P/L (Preço/Lucro): o que é e como funciona.
Os próximos catalisadores pra Suzano vão depender basicamente de três variáveis. A primeira é o preço da celulose no mercado internacional. Qualquer recuperação acima dos US$ 600 a tonelada na fibra curta de eucalipto destrava resultado rápido, dado o tamanho da operação. Hoje os preços estão pressionados pelo excesso de oferta na Ásia.
A segunda variável é o câmbio. Um dólar mais forte volta a ser tailwind imediato pro resultado. A apreciação do real visto no 1T26 foi o principal vilão do trimestre, e qualquer reversão muda a foto rapidamente.
A terceira é a execução do plano de desalavancagem. O mercado quer ver a dívida cair de forma consistente nos próximos trimestres. Se a Suzano conseguir entregar isso enquanto mantém os volumes operacionais firmes, a tese de valor volta a ganhar força.
Pra quem acompanha as Melhores ações do Ibovespa em 2026, a Suzano segue sendo um caso clássico de exportadora de commodities cíclica. Quando o ciclo gira a favor, a ação dispara. Quando o vento muda, fica difícil. O 1T26 mostrou exatamente isso: operação saudável, volumes em alta, mas o resultado financeiro pressionado por fatores que fogem do controle do management.
O setor de celulose como um todo vive um momento de ajuste. Players globais como a chilena Arauco, a canadense Domtar e a finlandesa UPM também reportaram resultados pressionados nos últimos trimestres, todos com narrativas parecidas: volumes firmes, mas margem espremida pelo lado dos custos e por preços que não decolaram.
No Brasil, a competição direta da Suzano vem de Klabin (KLBN11), que tem mix mais diversificado entre celulose, papel e embalagem, e da Eldorado, que segue privada. Em termos de eficiência produtiva, a Suzano permanece como referência mundial, com um dos menores custos caixa por tonelada do setor. Esse fosso competitivo é o que justifica o múltiplo histórico mais alto da ação em comparação com pares.
O que muda no curto prazo é a percepção de risco. Enquanto o ciclo não vira de forma clara, o mercado tende a exigir um desconto maior pra carregar a posição. E é justamente esse desconto que aparece no preço atual de SUZB3, abaixo dos R$ 50 num momento em que o índice principal da bolsa vive máximas históricas. A inflexão pode vir, só que ela depende de variáveis que ninguém controla: o ciclo global da commodity e o humor do dólar.
Sources: - [Suzano (SUZB3) tem lucro caindo 32%, para R$ 4,3 bilhões — Money Times](https://www.moneytimes.com.br/suzano-suzb3-tem-lucro-caindo-32-para-r-43-bilhoes-com-impacto-do-cambio-vtra/) - [Suzano (SUZB3) tem lucro líquido de R$ 4,3 bi no 1º trimestre — InfoMoney](https://www.infomoney.com.br/mercados/suzano-suzb3-resultados-primeiro-trimestre-2026/) - [Suzano (SUZB3) registra EBITDA de R$ 4,6 bi no 1T26 — Visno Invest](https://visnoinvest.com.br/news/12851/suzano-suzb3-registra-ebitda-de-r-46-bi-no-1t26) - [A Suzano (SUZB3) não vale mais a pena? — Seu Dinheiro](https://www.seudinheiro.com/2026/empresas/suzano-suzb3-bofa-corta-r-25-do-preco-alvo-e-acoes-despencam-lvgb/) - [Suzano (SUZB3) Prévia 1T26 — Genial Analisa](https://analisa.genialinvestimentos.com.br/acoes/suzano/suzano-suzb3-previa-1t26-o-pior-ja-esta-precificado/)Aviso Legal
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