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Suzano (SUZB3): Ações caem após balanço fraco, com câmbio pesando em resultado

Publicado em
1/5/2026
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Suzano (SUZB3): Ações caem após balanço fraco, com câmbio pesando em resultado. Análise completa no blog da Traders.
Suzano (SUZB3): Ações caem após balanço fraco, com câmbio pesando em resultado
Suzano (SUZB3): Ações caem após balanço fraco, com câmbio pesando em resultado

A Suzano (SUZB3) entregou um balanço fraco no primeiro trimestre de 2026 e o mercado não perdoou. A maior produtora de celulose do mundo reportou lucro líquido de R$ 4,312 bilhões, uma queda de 32% na comparação com o mesmo período do ano passado. A receita líquida ficou em R$ 10,9 bilhões, recuo de 5% em base anual. As ações reagiram no automático: caíram 2,18% no pregão pós-divulgação e fecharam a R$ 43,84, abaixo da marca psicológica dos R$ 50.

O número que mais incomodou os analistas foi o EBITDA ajustado, que somou R$ 4,58 bilhões, queda de 6% frente ao 1T25 e de impressionantes 18% contra o trimestre imediatamente anterior. A margem EBITDA até segurou os 42%, mas o problema é o que pressionou o resultado: o câmbio. Com o real mais forte ao longo do trimestre, a receita em dólar virou menos reais no balanço, e a Suzano vende a maior parte da produção lá fora.

O que o balanço da Suzano mostrou no 1T26

Operacionalmente, não dá pra dizer que a Suzano fez um trimestre ruim. O volume vendido de celulose chegou a 2,8 milhões de toneladas, alta de 7% em um ano. O preço médio realizado foi de US$ 560 por tonelada, 1% acima do 1T25. Quer dizer: a empresa vendeu mais e a um preço ligeiramente melhor em dólar.

O problema é que esses ganhos foram engolidos pela taxa de câmbio. O dólar médio do trimestre veio bem abaixo do que o mercado projetava no início do ano, e exportadoras pagam o preço disso. A Suzano é o caso clássico: empresa com receita majoritariamente dolarizada e custos em reais, que vira "anti-hedge" quando o real se fortalece.

Tem ainda um detalhe que passou batido em manchete mas mexeu com analistas: a unidade de papel também decepcionou. Tradicionalmente, papel costuma ser o "amortecedor" da Suzano em trimestres em que celulose sofre. Dessa vez, as duas pernas tropeçaram juntas, com EBITDA caindo nas duas frentes.

Alavancagem volta a subir e fluxo de caixa livre vira negativo

Aqui mora o ponto mais sensível. A alavancagem da Suzano subiu para 3,3 vezes em dólar, contra 3,2x no 4T25 e 3,0x no mesmo trimestre do ano passado. Para uma empresa em fase pesada de investimentos, esse número volta a chamar atenção.

O capex do trimestre ficou em torno de R$ 3 bilhões, e isso, somado a um EBITDA mais fraco e ao impacto de capital de giro, fez o fluxo de caixa livre virar negativo no período. Não é um cenário de pânico, longe disso, mas é exatamente o tipo de combinação que o mercado não gosta de ver em ciclo de juros ainda altos: alavancagem subindo, FCL no vermelho e visibilidade limitada para os preços da celulose nos próximos meses.

Pra entender por que esses números importam tanto, vale revisar o conceito básico no nosso material sobre balanço patrimonial. É no balanço que ficam visíveis as métricas de endividamento, e é a partir dele que o mercado calcula a famosa relação dívida líquida sobre EBITDA, que disparou o sinal amarelo na Suzano.

Reação do mercado: BofA corta preço-alvo em R$ 25

A reação mais barulhenta veio do Bank of America. Os analistas do banco cortaram o preço-alvo da SUZB3 de R$ 82 para R$ 57, uma redução de R$ 25 num único movimento. O argumento é direto: com câmbio mais comportado, alavancagem subindo e investimentos pesados ainda à frente, o cenário de geração de caixa nos próximos trimestres ficou mais apertado.

Mesmo com o corte, o novo preço-alvo de R$ 57 ainda implica um upside relevante sobre os R$ 43,84 do fechamento. Mas a história do papel mudou: ele saiu de "case de crescimento com geração robusta de caixa" pra algo mais parecido com "case de desalavancagem em meio a um ciclo de capex pesado". É uma tese diferente, e exige paciência diferente do investidor.

No mercado de ações em geral, momentos assim costumam revelar quem é trader e quem é investidor de longo prazo. Quem opera no curto prazo, em geral, segue o vento e respeita o stop. Quem pensa em horizonte longo, olha múltiplos, fluxo de caixa projetado e ciclo de preços de commodities. A Suzano é, historicamente, um papel cíclico, e é nesse compasso que a tese precisa ser lida.

Dividendos podem ficar de lado

Outra notícia que pegou parte do mercado de surpresa: a Suzano sinalizou que vai priorizar a desalavancagem nos próximos trimestres. Na prática, isso significa menos espaço pra distribuição agressiva de dividendos. A empresa nunca foi exatamente uma máquina de proventos como Vale ou bancos, mas vinha entregando recompras e algum dividendo num ritmo que agradava parte da base.

Com FCL pressionado e dívida líquida subindo, faz sentido o movimento. Mas pra quem comprou SUZB3 pensando em remuneração ao acionista no curto prazo, é um ajuste de expectativa. Quem busca esse perfil de retorno tem alternativas mais previsíveis no mercado, como mostramos no nosso guia sobre melhores ações para dividendos em 2026.

O que esperar dos próximos trimestres

Os próximos catalisadores da Suzano estão claros e dependem de variáveis que fogem do controle da empresa:

O primeiro é o preço internacional da celulose de fibra curta. Indicadores recentes apontam para uma estabilização em torno dos US$ 560 a US$ 580 por tonelada, com pressão de oferta vinda de novas plantas asiáticas. Se o preço cair mais 5% a 10% em dólar, o impacto na receita é direto e imediato.

O segundo é o câmbio. Com a curva de juros americana sinalizando estabilidade e o real mais firme, exportadoras como a Suzano podem continuar sentindo. Por outro lado, qualquer ruído fiscal doméstico pode rapidamente virar o vento. Em outras palavras: o câmbio é o fator mais imprevisível e, ao mesmo tempo, o mais determinante para o resultado da empresa nos próximos trimestres.

O terceiro é a execução do projeto Cerrado e a maturação dos novos investimentos. Esse é o motivo pelo qual a Suzano está alavancada agora. Se a curva de geração de caixa pós-projeto vier dentro do plano, a história muda nos trimestres seguintes. Se atrasar ou custar mais, a alavancagem pode incomodar mais.

Contexto setorial: celulose global em transição

O setor de celulose vive um momento curioso. Por um lado, demanda global resiliente, especialmente da China, ainda sustenta volumes em alta. Por outro, novas capacidades produtivas estão entrando em operação em vários países, criando pressão de oferta. O mercado não está em queda livre como em 2023, mas também perdeu a tração da segunda metade de 2024.

Pra Suzano, que é a maior produtora global de fibra curta de eucalipto, isso significa um trimestre a trimestre mais ruidoso. O custo caixa por tonelada da empresa segue entre os mais baixos do mundo, o que dá uma blindagem real em ciclos de baixa. Mas ciclo de commodity, no fim, é ciclo: bons trimestres puxam a ação, ruins derrubam, e o trader experiente sabe que o jogo é entender em que parte do ciclo a gente tá.

SUZB3 segue como uma das ações mais negociadas do índice, e costuma aparecer em qualquer lista de papéis para acompanhar de perto, como na nossa análise das melhores ações do Ibovespa em 2026. Mas o 1T26 deixou claro que, daqui pra frente, a tese precisa de paciência. Câmbio fraco, alavancagem subindo e dividendos limitados são uma combinação que exige convicção pra carregar.

Os próximos trimestres dirão se o ciclo já fez o pior, ou se ainda tem mais um capítulo de ajuste pela frente.

Sources: - [Suzano (SUZB3) decepciona no 1T26 - Suno](https://www.suno.com.br/noticias/suzano-suzb3-resultado-1t26-ebitda-celulose-mt/) - [Suzano (SUZB3) tem lucro caindo 32% - Money Times](https://www.moneytimes.com.br/suzano-suzb3-tem-lucro-caindo-32-para-r-43-bilhoes-com-impacto-do-cambio-vtra/) - [O que derrubou a Suzano (SUZB3)? - Seu Dinheiro](https://www.seudinheiro.com/2026/empresas/o-que-derrubou-a-suzano-suzb3-acao-fica-abaixo-dos-r-50-mesmo-com-ibovespa-em-alta-recorde-lvgb/) - [BofA corta R$ 25 do preço-alvo - Seu Dinheiro](https://www.seudinheiro.com/2026/empresas/suzano-suzb3-bofa-corta-r-25-do-preco-alvo-e-acoes-despencam-lvgb/) - [Suzano (SUZB3) registra EBITDA de R$ 4,6 bi no 1T26 - Visno Invest](https://visnoinvest.com.br/news/12851/suzano-suzb3-registra-ebitda-de-r-46-bi-no-1t26)

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