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Resultado do BB pode ser negativo no 1º tri, aponta BTG Pactual

Publicado em
16/4/2026
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Resultado do BB pode ser negativo no 1º tri, aponta BTG Pactual. Análise completa no blog da Traders. Saiba como isso afeta seus investimentos.
Resultado do BB pode ser negativo no 1º tri, aponta BTG Pactual
Resultado do BB pode ser negativo no 1º tri, aponta BTG Pactual

O BTG Pactual (BPAC11) publicou relatório nesta semana com tom pessimista sobre o resultado do Banco do Brasil (BBAS3) no primeiro trimestre de 2026. Segundo a casa, o lucro líquido do banco estatal pode ficar entre R$ 3 bilhões e R$ 3,5 bilhões, o que representaria uma queda de até 30% em relação ao consenso de mercado e uma retração de aproximadamente 55% frente aos R$ 7,37 bilhões registrados no 1T25.

A projeção colocou o BB como o pior posicionado entre os grandes bancos brasileiros na visão do BTG, que mantém recomendação neutra pra ação com preço-alvo de R$ 26 em 12 meses. A ação BBAS3 reagiu com queda de 3,11% no pregão seguinte à divulgação do relatório, negociando próxima de R$ 24,59.

Por que o BTG está tão cauteloso com o Banco do Brasil?

O principal vilão, mais uma vez, é o agronegócio. A inadimplência na carteira rural do BB superou 5% no terceiro trimestre de 2025, patamar recorde, e vem subindo há dez trimestres consecutivos. No 1T25, essa taxa já estava em 3,04%, ante 1,19% um ano antes. A deterioração acelerada forçou o banco a elevar provisões de forma agressiva ao longo de 2025.

Pra dimensionar o tamanho do problema: o custo do crédito do BB em 2025 fechou em R$ 61,9 bilhões, bem acima do guidance original de R$ 53 a R$ 56 bilhões, que já havia sido revisado pra R$ 59 a R$ 62 bilhões no meio do caminho. Cerca de 25% da carteira rural teve prazos renegociados via rollovers, o que mostra a pressão financeira sobre os produtores.

O BTG estima que as provisões pra perdas com crédito devem permanecer elevadas no 1T26, na casa de R$ 17,4 bilhões no trimestre. Isso comprime a margem financeira líquida e, consequentemente, o lucro.

Os números de 2025 que explicam a cautela

Quem acompanha a DRE (Demonstração de Resultado) do Banco do Brasil sabe que 2025 foi um ano de ajuste pesado. O lucro líquido anual caiu pra R$ 20,68 bilhões, contra um guidance original que apontava pra R$ 37 a R$ 41 bilhões. A revisão pra baixo, entre R$ 18 e R$ 21 bilhões, deixou claro que o BB enfrentava uma crise de qualidade de ativos.

No quarto trimestre de 2025, o lucro foi de R$ 5,74 bilhões, uma queda de 40,1% na comparação anual. O ROE (retorno sobre patrimônio) fechou o ano em 11,4%, distante dos 21,7% registrados no 1T24. É uma queda brutal de rentabilidade pra um banco que vinha de 16 trimestres consecutivos de crescimento.

A margem financeira bruta no 1T25 ficou em R$ 23,88 bilhões, recuo de 7,2% na base anual. Se o BTG acertar na projeção de provisões elevadas no 1T26, o lucro pode mesmo ficar na faixa mais baixa das estimativas.

Outros analistas também veem risco

O BTG não está sozinho na cautela. O Itaú BBA projeta lucro de R$ 3,6 bilhões pro Banco do Brasil no 1T26, com ROE de apenas 7,5%. A XP e o Safra mantêm recomendação neutra com preços-alvo na casa de R$ 25. O consenso de mercado aponta pra algo entre R$ 3 e R$ 3,8 bilhões de lucro no trimestre.

Existe quase unanimidade entre os analistas de que o Itaú (ITUB4) segue como a melhor aposta entre os grandes bancos. O BTG vai além e afirma que, na margem, prefere até o Bradesco (BBDC4) em relação ao BB no curto prazo. A frase do relatório é direta: "riscos significativos de revisão para baixo nas projeções, no consenso e nas orientações."

O guidance do BB pra 2026: otimismo cauteloso

Na divulgação dos resultados de 2025, o Banco do Brasil apresentou guidance pra 2026 com tom de recuperação gradual. A meta de lucro líquido ficou entre R$ 22 e R$ 26 bilhões, com ROE projetado entre 10% e 13%. Pra isso acontecer, o custo do crédito precisaria cair pra algo entre R$ 53 e R$ 58 bilhões, uma redução relevante frente aos R$ 61,9 bilhões de 2025.

A carteira de crédito total deve crescer entre 0,5% e 4,5%. No agronegócio, a projeção é de variação entre -2% e +2%, praticamente estável, com oferta estimada em torno de R$ 400 bilhões. Já a carteira de pessoas físicas tem perspectiva melhor, com expansão entre 6% e 10%.

O BB espera que o pico da inadimplência no agro aconteça no segundo trimestre de 2026, com inflexão a partir do segundo semestre. Se esse cronograma se confirmar, o primeiro semestre ainda será pressionado, o que justifica a cautela dos analistas.

Ação sobe 18% no ano, mas mercado não confia plenamente

Apesar do cenário desafiador, a ação BBAS3 acumula alta de aproximadamente 18% em 2026, saindo de R$ 21,92 no início do ano pra cerca de R$ 24,44 atualmente. Mas o preço-alvo médio de 13 analistas é de R$ 26,02, o que limita o upside a menos de 7% nos níveis atuais.

O consenso é morno: 3 recomendações de compra, 9 de manutenção e 1 de venda. O dividend yield dos últimos 12 meses está em 3,27%, com payout de 30% do lucro. Pra quem acompanha o Ibovespa, o BB tem sido um dos nomes que mais gera debate na carteira teórica do índice.

A alta da ação no ano reflete, em parte, o desconto excessivo que o papel atingiu após a série de resultados ruins em 2025. Mas entre a recuperação de preço e a recuperação de fundamentos existe uma distância que o mercado ainda está medindo.

O peso do agronegócio no balanço

O Banco do Brasil é, historicamente, o maior financiador do agronegócio brasileiro. Essa posição, que já foi um diferencial competitivo enorme, virou o calcanhar de Aquiles nos últimos dois anos. Safras ruins, queda nos preços de commodities e estresse financeiro generalizado entre produtores rurais criaram uma tempestade perfeita.

A PCLD (provisão pra créditos de liquidação duvidosa) saltou de R$ 11,3 bilhões no 3T24 pra R$ 32,8 bilhões no 3T25. É um salto que reflete não apenas a inadimplência corrente, mas também a expectativa de deterioração futura. O BB tentou conter o dano renegociando prazos com produtores, mas isso apenas posterga o reconhecimento das perdas.

Num cenário onde a Selic permanece em patamares elevados, o custo de carregamento dessa carteira fica mais caro. O produtor rural que renegociou dívidas com juros altos pode ter dificuldade em honrar os novos prazos se as próximas safras não forem significativamente melhores.

O que esperar do balanço em maio

A divulgação oficial dos resultados do Banco do Brasil no 1T26 está prevista pra 13 de maio de 2026. O mercado vai observar três indicadores com lupa: o nível de inadimplência total e no agro, o custo do crédito trimestral e a evolução do ROE.

Se o lucro vier acima de R$ 4 bilhões, pode representar um alívio relativo, sinalizando que o pior já ficou pra trás. Mas se confirmar a faixa de R$ 3 a R$ 3,5 bilhões projetada pelo BTG, a narrativa de recuperação gradual vai perder força e o guidance de R$ 22 a R$ 26 bilhões pro ano pode ser questionado.

Outro ponto que merece atenção é a margem financeira bruta, que o BB projeta crescer entre 4% e 8% em 2026. Qualquer sinal de que essa meta está ameaçada pode pressionar a ação, que já negocia com valuation descontado em relação aos pares privados.

O cenário pra o BB no curto prazo é de espera. A tese de investimento depende fundamentalmente de quando, e não se, o ciclo de inadimplência no agro vai virar. O BTG aposta que esse momento ainda não chegou. O balanço de maio vai mostrar se o pessimismo é exagerado ou se, de fato, o caminho de volta vai ser mais longo do que o mercado gostaria.


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