
A PRIO (PRIO3) vai abrir o jogo sobre o primeiro trimestre de 2026 no dia 5 de maio, após o fechamento do mercado, e a expectativa é que a maior petroleira independente do Brasil entregue o melhor balanço da sua história. Os números operacionais já antecipados pela própria companhia mostram produção de 155 mil barris de óleo equivalente por dia (boepd) no trimestre, alta de 42% na comparação anual, e vendas de 14,8 milhões de barris, salto de 46% sobre o mesmo período de 2025.
O BTG Pactual, que mantém a PRIO como top pick entre as juniors de exploração e produção, projeta EBITDA ajustado de US$ 830 milhões no 1T26. Para se ter ideia do tamanho da virada, o número é 1,4 vez maior que o reportado no quarto trimestre de 2025, quando o EBITDA ajustado ficou em US$ 341 milhões. É um pulo gigantesco em apenas três meses, e mostra que a tese de crescimento da companhia tá entregando exatamente o que prometeu.
A receita pra esse salto tem nome: Peregrino. O campo, comprado da norueguesa Equinor ao longo de 2025, é o que muda tudo no balanço da companhia. Foi a primeira aquisição completa de uma operação offshore de grande porte feita pela PRIO, e ela passou a contribuir integralmente nos números a partir do 1T26. O outro motor é o campo de Wahoo, cuja interligação ao FPSO Frade recebeu licença ambiental do Ibama no início de 2026 e tem potencial pra adicionar até 40 mil boepd quando estiver rodando a pleno vapor.
Em março, a produção da companhia já tinha tocado 161 mil boepd, alta de 54% na base anual e o maior nível mensal já registrado pela empresa. Esse ritmo coloca a PRIO num caminho concreto pra cruzar a barreira dos 200 mil boepd ainda em 2026, dependendo do ramp-up de Wahoo e da eficiência operacional em Peregrino. Pra quem acompanha o setor, é um patamar que aproxima a PRIO de petroleiras médias internacionais, mantendo a estrutura enxuta de custos que sempre foi a marca da casa.
Tem uma pegadinha que vale destacar antes do balanço sair. A PRIO opera com proteção cambial e de preço do petróleo via instrumentos de hedge, e o BTG calcula que esse trimestre vai trazer um impacto não-caixa de aproximadamente US$ 380 milhões negativos no resultado financeiro. Em outras palavras: o lucro líquido reportado pode vir bem abaixo do que o EBITDA operacional sugere, mas isso é puramente contábil. O caixa real da operação não é afetado.
Quem não tá acostumado a olhar o Balanço Patrimonial: o que é e como funciona de uma petroleira pode estranhar essa diferença. Mas é importante separar: EBITDA mostra a geração operacional, enquanto o lucro líquido carrega os efeitos contábeis dos derivativos. Se você for olhar só a primeira linha do release e ver um lucro abaixo do consenso, vale parar e ler o detalhamento do hedge antes de tirar conclusão precipitada.
Outro ponto que o BTG levanta no relatório de prévia é que o fluxo de caixa livre para o equity (FCFE) da PRIO no 1T26 deve ficar próximo de zero. Mais uma vez, isso não é sinal de fraqueza operacional. A companhia tá no auge do ciclo de investimento em Wahoo e ainda absorvendo o capital empregado em Peregrino. O capex elevado é justamente o que sustenta o salto futuro de produção. Conforme as obras avançam e Wahoo passa a gerar receita, a expectativa é que o FCFE volte com força ao longo dos próximos trimestres.
Esse perfil de caixa é o que tem alimentado a discussão sobre a primeira política formal de distribuição de capital aos acionistas na história da PRIO. A companhia historicamente preferiu reinvestir tudo em aquisições e desenvolvimento de campos, mas com a maturidade de Peregrino e Wahoo entrando em produção, a possibilidade de proventos consistentes virou tema recorrente nas teleconferências. Quem se interessa por Data Ex e Data Com (Dividendos): o que é e como funciona pode começar a se preparar pra acompanhar PRIO3 com mais atenção a partir do segundo semestre.
As ações da PRIO3 acumulam alta consistente em 2026, refletindo justamente essa combinação de produção recorde e visibilidade dos campos novos. A licença de operação de Wahoo concedida em março foi o gatilho mais recente, e analistas têm revisado preços-alvo pra cima desde então. A ação é uma das mais negociadas do Ibovespa entre as petroleiras independentes, e seu peso no índice tem crescido junto com o tamanho da empresa.
O cenário macro do petróleo, no entanto, segue desafiador. O Brent oscilou bastante no trimestre, com tensões geopolíticas no Oriente Médio puxando preços pra cima em momentos pontuais e a desaceleração esperada da demanda global limitando movimentos de alta mais consistentes. Mesmo nesse ambiente, o custo de extração da PRIO, que historicamente fica abaixo de US$ 8 por barril, dá uma margem de segurança que poucas concorrentes conseguem replicar. É essa eficiência operacional que faz o BTG e outras casas manterem a recomendação positiva mesmo com Brent volátil.
Na teleconferência do dia 6 de maio, a manhã depois da divulgação, os analistas vão apertar a companhia em três frentes principais. A primeira é a curva de produção de Wahoo: quantos poços já estão produzindo, qual o cronograma dos próximos e qual o pico esperado pra 2026. A segunda é a integração de Peregrino, com foco em redução de custos operacionais e ganhos de eficiência. A terceira é a tal política de remuneração ao acionista, que já apareceu em comunicados recentes mas ainda não foi formalizada.
Pro investidor, vale prestar atenção em três métricas no release. O lifting cost consolidado, que mede o custo de extração por barril e tende a cair com o ramp-up dos novos campos. A margem EBITDA, que deve continuar entre as mais altas do setor de petróleo brasileiro. E o endividamento líquido, que carrega o peso das aquisições recentes mas vem sendo amortizado pela geração de caixa robusta.
O setor de petróleo brasileiro vive um momento particular. Petrobras já reportou números do 1T26 com produção recorde, e Vale segue como a outra grande commodity da temporada. As juniors independentes como PRIO, 3R Petroleum e PetroReconcavo seguem mostrando que dá pra crescer organicamente fora do guarda-chuva da estatal. No caso específico da PRIO, o tamanho que a companhia atingiu em apenas alguns anos a transformou em referência regional, e o balanço do 1T26 tende a consolidar essa posição.
Pra fechar o quadro, o consenso do mercado pra PRIO3 segue construtivo, com a maioria das casas trabalhando com cenários de produção média entre 175 mil e 200 mil boepd na média de 2026. Se Wahoo entregar dentro do cronograma, o segundo semestre pode ser ainda mais forte que o primeiro. O dia 5 de maio é só o primeiro grande termômetro do ano.
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