
A PRIO (PRIO3) divulga nesta terça, 5 de maio, o resultado do 1T26 e o mercado já cravou: a junior oil deve ser, com folga, a estrela da temporada de balanços do setor de petróleo. As projeções de bancos como XP e BTG Pactual apontam receita líquida de US$ 1,1 bilhão, salto de 82% trimestre contra trimestre, EBITDA entre US$ 777 milhões e US$ 830 milhões e lucro líquido na casa dos US$ 351 milhões.
O número impressiona ainda mais quando você compara com as rivais. Brava (BRAV3) deve registrar prejuízo de R$ 255 milhões pressionada pelos hedges, e PetroReconcavo (RECV3) projeta um lucro de modestos R$ 54 milhões. Ou seja, em meio à mesma alta do barril, a PRIO ficou com a parte do leão.
O grande catalisador do 1T26 da PRIO foi o início da produção do campo de Wahoo, ativo aguardado há anos pelo mercado. A produção média da companhia no trimestre atingiu 155,4 kboed (mil barris de óleo equivalente por dia), nova máxima histórica.
Com o Brent médio em US$ 78 por barril no 1T26, alta de 23% frente aos US$ 63 do 4T25, a PRIO conseguiu combinar três coisas que raramente caminham juntas: mais barris produzidos, preço mais alto e custo de extração baixo. Resultado: a margem EBITDA projetada passa dos 70%, patamar que coloca a brasileira lado a lado com majors internacionais.
O EBITDA de US$ 777 milhões representa um avanço de 128% no critério QoQ. Já o lucro líquido sai de patamares modestos no 4T25 e dispara para US$ 351 milhões. No comparativo anual, a base de comparação é menos generosa porque o 1T25 também foi forte, mas mesmo assim a expectativa é de crescimento expressivo de receita e EBITDA.
Wahoo é o que o mercado chama de "ativo transformacional". Em abril, primeiro mês cheio com o campo operando, a produção total da PRIO chegou a 173,4 kboed, e o cluster Frade mais Wahoo sozinho entregou 59,7 mil barris de óleo por dia. A companhia projeta atingir 200 mil barris diários ainda em 2026, praticamente dobrando a capacidade produtiva em um ano.
Esse salto operacional é o que sustenta a tese de que a PRIO pode destravar dividendos relevantes já no segundo semestre. A geração de caixa esperada para o ano todo passa dos R$ 10 bilhões em alguns modelos.
Do outro lado do espectro, a Brava Energia chega ao balanço com vários problemas operacionais para explicar. A produção total recuou para cerca de 76 kboed no trimestre, queda sequencial de 0,7 kboed. A produção de gás caiu para perto de 14,8 kboed.
O trimestre foi marcado por uma combinação ruim: interdição de parte das instalações de Potiguar pela ANP, falha em uma das bombas de Atlanta e parada programada para manutenção da UPGN de Catu. Cada um desses eventos, isolado, seria uma dor de cabeça. Juntos, viraram um trimestre para esquecer.
A receita líquida ainda deve crescer 24% QoQ, batendo R$ 3,2 bilhões, puxada pelo Brent mais alto. O EBITDA antes de hedges projetado é de R$ 1,6 bilhão, avanço de 93% QoQ. Mas a linha final fica feia: a companhia deve reportar prejuízo líquido de R$ 255 milhões, justamente porque os hedges de petróleo travaram parte do upside da alta da commodity.
Esse é o paradoxo do hedge. Quando o mercado vai bem, ele machuca. Quando vai mal, ele salva. Para quem acompanha Tendência de Alta, Baixa e Lateral: o que é e como funciona, o trimestre da Brava ilustra como uma mesma tendência de alta pode produzir impactos opostos em empresas do mesmo setor.
A PetroReconcavo é a menor das três, com produção concentrada em campos terrestres do Recôncavo Baiano e da Bacia Potiguar. No 1T26, a produção total caiu para 24,4 kboed, recuo de 2,5% QoQ, puxada pela menor produção de óleo.
A receita líquida projetada é de R$ 681 milhões, queda de 3% QoQ. O EBITDA antes de hedges deve atingir R$ 346 milhões, avanço de 17% QoQ. Já com hedges incluídos, o EBITDA cai para R$ 314 milhões e o lucro líquido fica em R$ 54 milhões, alta de 7% QoQ.
É um trimestre morno, sem grandes dores nem grandes alegrias. A tese da RECV3 sempre foi mais sobre dividendos consistentes do que sobre crescimento explosivo, e o 1T26 reforça esse perfil. O mercado deve reagir mais ao que a empresa sinalizar sobre aquisições de campos maduros e novas fronteiras de exploração.
O pano de fundo desses três balanços é a forte alta dos preços internacionais. O Brent passou de US$ 78 médios no 1T26 para a casa dos US$ 100 no 2T26, em parte por tensões geopolíticas, em parte por cortes de produção da Opep+. Para entender melhor como essa dinâmica funciona, vale ler Commodities e bolsa brasileira: como petroleo e minerio movem o Ibovespa.
O ponto importante para o investidor é entender que nem toda empresa do setor captura igual uma alta da commodity. PRIO, com pouco hedge e produção crescente, é a que mais joga junto com o barril. Brava, mais hedgeada, sente menos a alta. RECV3 fica no meio do caminho, com perfil defensivo.
Recentemente, o Itaú BBA fez ajustes nos preços-alvo das três junior oils para 2026, reflexo das incertezas geopolíticas e da volatilidade do barril. Mesmo com cortes, PRIO segue como a preferida da casa, justamente pela combinação de Wahoo, Peregrino e baixa exposição a hedges.
Para quem quer exposição ao tema sem ficar refém de uma única empresa, o caminho dos Petroleo: como investir via ETFs e BDRs na B3 e lucrar oferece alternativas via ETFs internacionais negociados na B3.
Na teleconferência da PRIO, três pontos vão concentrar atenção: o cronograma final de ramp-up de Wahoo, sinais sobre distribuição de dividendos e novidades sobre o desinvestimento ou desenvolvimento de Peregrino. Qualquer indicação positiva nesses pontos pode acelerar a revisão para cima dos preços-alvo.
Para Brava, o foco será no quanto da posição de hedge ainda trava o resultado do 2T26 e se a venda de participação em Jubarte para a Petrobras realmente vai se concretizar nos termos anunciados. Para RECV3, o que importa é o pipeline de M&A.
No agregado, o setor de junior oils brasileiro vive um momento de teste. Com Brent acima de US$ 100, fica fácil entregar EBITDA gordo. O desafio é mostrar disciplina de capital, geração de caixa consistente e capacidade de devolver valor ao acionista. PRIO chega com a melhor mão para esse teste. Brava e PetroReconcavo precisam mostrar serviço.
O resultado da PRIO sai hoje após o fechamento. Brava e PetroReconcavo divulgam ao longo das próximas duas semanas. O mercado vai precificar, mas a foto agregada do trimestre só fica completa depois que as três tiverem aberto os números.
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