Glossário do Investidor

NDF (Non-Deliverable Forward): o que é e como funciona

Publicado em
4/2/2026
Entenda o que é ndf (non-deliverable forward), como funciona na prática e por que é importante pra quem investe. Definição simples e exemplos reais.
Glossário: NDF (Non-Deliverable Forward)

O que é NDF (Non-Deliverable Forward)?

NDF, ou Non-Deliverable Forward, é um contrato a termo de câmbio em que as partes combinam uma taxa de câmbio futura, mas sem a entrega física da moeda estrangeira. No vencimento, só se paga a diferença entre a taxa combinada e a taxa de mercado. Tudo liquidado em reais.

Traduzindo: você trava uma cotação do dólar (ou outra moeda) pra uma data futura. Quando chegar o dia, se o dólar tiver subido acima do que foi combinado, você recebe a diferença. Se tiver caído, você paga. Ninguém precisa comprar ou vender dólar de verdade.

Como funciona o NDF na prática?

Vamos a um exemplo. Uma empresa importadora precisa pagar US$ 100 mil daqui a 90 dias. O dólar hoje tá a R$ 5,50, mas ela tem medo de que suba. Então ela contrata um NDF com o banco, travando a taxa em R$ 5,60.

Cenário 1: no vencimento, o dólar tá a R$ 5,80. A empresa recebe do banco a diferença: (5,80 - 5,60) x 100.000 = R$ 20 mil. Ela usou esse dinheiro pra compensar o dólar mais caro na hora de pagar o fornecedor.

Cenário 2: o dólar caiu pra R$ 5,40. A empresa paga ao banco: (5,60 - 5,40) x 100.000 = R$ 20 mil. Ela "perdeu" no NDF, mas comprou o dólar mais barato no mercado. No fim, o custo efetivo ficou próximo de R$ 5,60 nos dois cenários.

Esse é o ponto: o NDF não serve pra ganhar dinheiro, serve pra eliminar a incerteza. A empresa sabe exatamente quanto vai pagar, independente do que o câmbio fizer.

Qual a diferença entre NDF e contrato futuro de dólar?

As duas ferramentas servem pra fazer hedge cambial, mas têm diferenças importantes:

Negociação. O contrato futuro de dólar é negociado na B3, com contratos padronizados. O NDF é negociado em balcão (OTC), direto com um banco, e pode ser customizado em prazo, valor e moeda.

Ajuste diário. No futuro, existe ajuste diário. Sua conta recebe ou paga a diferença todo dia. No NDF, a liquidação é só no vencimento. Isso muda o fluxo de caixa durante a operação.

Margem de garantia. No futuro, você precisa depositar margem na B3. No NDF, o banco pode exigir garantias, mas os termos são negociáveis.

Liquidação. O nome já diz: "non-deliverable" significa que não existe entrega da moeda. Tudo é liquidado pela diferença, em reais. No futuro de dólar da B3, também é liquidação financeira, mas no mercado internacional existem forwards com entrega física.

Pra entender melhor o universo dos derivativos, vale a pena conferir o artigo sobre o que são derivativos.

Quem usa NDF no Brasil?

Empresas exportadoras. Recebem em dólar e querem garantir a conversão em reais a uma taxa conhecida. Se o dólar cair, a receita em reais diminui, e o NDF protege contra isso.

Empresas importadoras. Pagam em dólar e querem evitar surpresas com a alta do câmbio. Travam a taxa e garantem previsibilidade no custo.

Fundos de investimento. Usam NDF pra fazer hedge cambial de posições internacionais sem precisar movimentar moeda estrangeira.

Bancos e tesourarias. Operam NDF tanto pra atender clientes quanto pra gestão de risco própria.

No Brasil, o mercado de NDF é bastante líquido pra prazos de 30 a 360 dias. Os contratos são registrados na B3 (ex-CETIP) pra garantir segurança e transparência.

NDF em outras moedas

Embora o NDF de dólar seja o mais comum no Brasil, existem contratos pra outras moedas também. Euro, iene, libra e até yuan chinês podem ser negociados via NDF. Isso é particularmente útil pra empresas que fazem negócios com a Europa ou a Ásia.

O NDF também é muito popular em moedas de mercados emergentes que têm controles cambiais, como o real brasileiro, o won coreano e a rupia indiana. Como essas moedas não são livremente conversíveis em todos os mercados, o NDF resolve o problema sem precisar da moeda física.

Pra quem quer entender como o câmbio impacta seus investimentos de forma mais ampla, o artigo sobre como funciona o câmbio pra investir no exterior traz uma visão completa.

Riscos e custos do NDF

O principal risco é o de contraparte: se o banco quebrar, você pode não receber. Mas com o registro na B3, esse risco é bastante mitigado.

O custo do NDF tá embutido na taxa forward, que leva em conta o diferencial de juros entre Brasil e o país da moeda. Como os juros brasileiros são mais altos que os americanos, o dólar forward geralmente é mais caro que o dólar spot. Isso não é um "custo" propriamente dito, é reflexo da diferença de juros entre os dois países.

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