
Gap é um espaço vazio no gráfico de preços que acontece quando um ativo abre a um preço significativamente diferente do fechamento do dia anterior, sem que tenha havido negociação entre esses dois preços. Em outras palavras, o preço "pula" de um nível pra outro, deixando uma lacuna visível no gráfico.
Se ontem uma ação fechou a R$ 25 e hoje abriu a R$ 27, sem passar por R$ 25,50, R$ 26,00 ou R$ 26,50, esse salto de R$ 2 é um gap. No gráfico, você vê literalmente um buraco entre as duas velas. E esse buraco conta uma história importante sobre o que aconteceu.
Gaps surgem porque algo relevante aconteceu fora do horário de pregão que mudou a percepção dos investidores sobre o valor do ativo. As causas mais comuns:
Resultados trimestrais. A empresa divulgou lucro acima (ou abaixo) do esperado depois do fechamento do mercado. No dia seguinte, o mercado já abre precificando a novidade.
Notícias relevantes. Uma mudança na taxa de juros, um acordo comercial, uma crise política. Qualquer notícia que impacte o mercado e saia fora do horário de pregão pode gerar gap.
Movimentos internacionais. O mercado americano ou asiático teve uma queda forte durante a madrugada. Quando a B3 abre, os preços já refletem esse movimento, gerando gap.
Oferta e demanda concentrada. Uma grande quantidade de ordens de compra (ou venda) acumuladas antes da abertura empurra o preço diretamente pra outro patamar.
Gap de alta (gap up): o preço abre acima do fechamento anterior. Indica pressão compradora forte.
Gap de baixa (gap down): o preço abre abaixo do fechamento anterior. Indica pressão vendedora forte.
Dentro da análise técnica, os gaps são classificados em categorias mais específicas:
Gap comum: acontece em regiões de baixa volatilidade e geralmente é "fechado" rapidamente (o preço volta pra preencher o espaço). Não tem grande significância técnica.
Gap de fuga (breakaway gap): acontece no rompimento de um suporte ou resistência importante. É um sinal forte de início de um novo movimento.
Gap de continuação (runaway gap): aparece no meio de uma tendência e confirma a força do movimento em andamento.
Gap de exaustão (exhaustion gap): surge no final de uma tendência, geralmente com volume alto. Indica que o movimento tá perdendo força e pode reverter.
MGLU3 fechou a R$ 12,00 na sexta-feira. No fim de semana, a empresa divulga resultados trimestrais muito acima do esperado. Na segunda-feira, a ação abre direto a R$ 13,50. Esse é um gap de alta de R$ 1,50 (12,5%). No gráfico, você vê claramente o espaço entre R$ 12,00 e R$ 13,50 onde nenhuma negociação aconteceu.
A pergunta que todo trader faz: esse gap vai ser preenchido? Ou seja, o preço vai voltar pra R$ 12,00 em algum momento? A resposta depende do tipo de gap e do contexto. Gaps comuns costumam ser preenchidos. Gaps de fuga, muitas vezes, não.
Não opere gaps no impulso. Ver o mercado abrir com um gap enorme gera ansiedade. A vontade de entrar imediatamente é grande, mas os primeiros minutos após um gap costumam ser muito voláteis e imprevisíveis.
Analise o volume. Um gap acompanhado de volume forte tende a ser mais confiável. Gap com volume fraco pode ser facilmente revertido.
Identifique o tipo de gap. Se é um gap de fuga em cima de uma resistência, tem peso diferente de um gap comum numa região sem importância técnica.
Se você quer se aprofundar em estratégias específicas pra operar gaps, temos um guia completo sobre gap trading e como operar na abertura.
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