
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) publicou nesta segunda-feira (17) a atualização da avaliação das operadoras de planos de saúde com base no volume de reclamações dos beneficiários. O dado mais relevante é a estreia, a partir de março de 2026, da Lista de Redução de Reclamações, que identifica quais empresas conseguiram diminuir queixas em dois trimestres seguidos. O mercado acompanha de perto: ações do setor de saúde, como HAPV3, RDOR3 e FLRY3, reagem à percepção de risco regulatório que indicadores como esse carregam.
No pregão desta segunda, o Ibovespa opera em alta de 0,85%, aos 181.412 pontos, enquanto o dólar recua 0,56%, cotado a R$ 5,20. O cenário é de apetite moderado por risco, e a divulgação do ranking da ANS adiciona uma camada de atenção pra quem carrega papéis de saúde suplementar na carteira.
A avaliação segue as regras da Resolução Normativa 623/2024, em vigor desde julho de 2025, que obriga operadoras a prestar informações claras aos beneficiários sempre que houver solicitação de procedimentos. Além da transparência, a norma criou um sistema de avaliação trimestral baseado no Índice Geral de Reclamações (IGR).
O IGR funciona assim: calcula a média mensal de reclamações pra cada 100 mil beneficiários e compara com a base total de clientes da operadora no mesmo período. Quanto menor o índice, melhor o desempenho. Com base nesse número, a ANS publica dois rankings trimestrais:
Lista de Excelência no relacionamento com o consumidor: reúne operadoras com os menores índices de reclamação no trimestre, separadas entre assistência médico-hospitalar e exclusivamente odontológica.
Lista de Redução de Reclamações: estreou agora em março de 2026. Inclui operadoras que demonstraram esforço concreto de melhoria, com queda no volume de queixas em dois trimestres consecutivos. No 4º trimestre de 2025, nenhuma operadora exclusivamente odontológica cumpriu os critérios pra entrar nessa lista.
Pra quem investe em ações do setor de saúde, esse tipo de dado regulatório não é cosmético. Operadoras que aparecem mal no ranking tendem a sofrer pressão em duas frentes: primeiro, a própria ANS pode intensificar fiscalização e, em casos extremos, aplicar sanções. Segundo, beneficiários insatisfeitos migram pra concorrentes, especialmente agora que a portabilidade de carências ficou mais acessível.
No caso de empresas listadas na B3, o impacto é direto no resultado. A Hapvida (HAPV3), maior operadora do país em número de beneficiários, e a Rede D'Or (RDOR3), que também opera planos via SulAmérica, são as mais observadas pelo mercado quando saem dados de qualidade assistencial. A Qualicorp, que administra planos coletivos por adesão, também entra no radar porque depende da satisfação dos beneficiários pra reter carteira.
Na comunidade da Traders, a discussão sobre o setor de saúde ganhou fôlego com a divulgação. Traders que acompanham HAPV3 e RDOR3 estão de olho nos desdobramentos regulatórios da RN 623 e no efeito que a transparência forçada pode ter na competição entre operadoras.
Além do IGR focado em reclamações, a ANS mantém o Índice de Desempenho da Saúde Suplementar (IDSS), que avalia as operadoras numa escala de 0 a 1, dividida em cinco faixas de cores. O IDSS do ano-base 2024 já está disponível e considera quatro dimensões:
Qualidade em Atenção à Saúde analisa se a operadora entrega promoção, prevenção e assistência adequadas. Garantia de Acesso mede a rede de prestadores disponível. Sustentabilidade no Mercado olha pra saúde financeira da empresa e satisfação do cliente. E Gestão de Processos e Regulação verifica se a operadora cumpre suas obrigações junto à ANS.
Pra o investidor, o IDSS é um termômetro de risco operacional. Operadoras com notas baixas carregam mais chance de enfrentar sanções, perda de beneficiários e deterioração financeira. É o tipo de dado que deveria estar na análise fundamentalista de qualquer papel do setor.
O Brasil tem hoje mais de 51 milhões de beneficiários de planos de saúde, segundo dados do próprio sistema da ANS. O setor movimenta centenas de bilhões de reais por ano e é um dos mais regulados da economia. A NIP (Notificação de Intermediação Preliminar), que é o mecanismo de mediação usado pela agência, já processou milhões de demandas desde 2020.
A Taxa de Intermediação Resolvida (TIR), outro indicador publicado, mede quantas reclamações foram solucionadas na fase eletrônica, sem necessidade de processo administrativo. Operadoras com TIR alta demonstram capacidade de resolver conflitos rápido, o que reduz custo operacional e melhora a retenção de clientes.
Quem acompanha o que é o Ibovespa e como funciona sabe que o setor de saúde tem peso relevante no índice, principalmente por conta da Rede D'Or. Movimentações regulatórias como essa da ANS podem gerar volatilidade pontual nos papéis, especialmente quando alguma operadora grande aparece mal posicionada.
A novidade de março de 2026 é significativa. Até dezembro de 2025, a ANS só publicava a Lista de Excelência, que premiava quem já tinha pouquíssimas reclamações. Agora, com a Lista de Redução, o regulador passa a reconhecer também o esforço de melhoria. Isso incentiva operadoras que estão mal posicionadas a investir em atendimento, o que no médio prazo tende a beneficiar o setor inteiro.
Pra o investidor que analisa fundamentos, vale ficar atento a qual lista cada operadora listada na bolsa aparece (ou não aparece). A ausência pode indicar deterioração da qualidade assistencial, um sinal de alerta pra quem está comprado no papel.
Entender como indicadores macroeconômicos afetam o poder de compra dos beneficiários também é relevante. A Selic, por exemplo, influencia o custo de capital das operadoras e a capacidade de pagamento das famílias. Em cenários de juros altos, a tendência é de aumento na inadimplência dos planos, o que pressiona o resultado das operadoras.
A ANS disponibiliza painéis interativos no seu site oficial com todo o histórico do IGR, das demandas NIP e da Taxa de Resolutividade. O investidor pode consultar operadora por operadora, comparar por porte (pequeno, médio, grande) e por tipo de cobertura (médico-hospitalar ou odontológica).
O Painel Dinâmico do IDSS mostra os resultados dos últimos cinco anos, o que permite identificar tendências de melhora ou piora. É uma ferramenta gratuita e pública que deveria ser consultada por qualquer pessoa que tenha ações de saúde na carteira ou que esteja avaliando trocar de plano.
Pra quem quer diversificar a carteira e reduzir exposição setorial, vale conhecer como funciona o investimento no mercado americano pela bolsa brasileira. Empresas como UnitedHealth (UNH) e CVS Health (CVS) estão disponíveis via BDRs e oferecem exposição ao setor de saúde global, com dinâmicas regulatórias diferentes das brasileiras.
A tendência é clara: o regulador brasileiro está apertando o cerco sobre a qualidade do atendimento na saúde suplementar. A RN 623/2024 já mudou as regras do jogo, e a publicação trimestral de rankings cria um mecanismo de pressão contínua sobre as operadoras.
Pra o investidor, o recado é: acompanhar o IGR e o IDSS virou parte obrigatória da análise de qualquer ação do setor de saúde. Empresas que conseguirem manter ou melhorar sua posição nos rankings tendem a ganhar beneficiários e, consequentemente, receita. As que ficarem pra trás vão sentir a pressão no caixa e no preço da ação.
O próximo dado relevante será a divulgação do 1º trimestre de 2026, prevista pra junho. Até lá, o mercado vai digerir o que saiu agora e precificar as implicações pra cada empresa do setor.
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