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Natura (NATU3) deve ter 1T26 fraco com pressão sobre receita, mas recuperação é esperada para o 2T26, diz XP

Publicado em
10/4/2026
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Natura (NATU3) deve ter 1T26 fraco com pressão sobre receita, mas recuperação é esperada para o 2T26, diz XP. Entenda o impacto nos seus investimentos.
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Natura (NATU3) deve ter 1T26 fraco com pressão sobre receita, mas recuperação é esperada para o...

A Natura (NATU3) deve reportar um primeiro trimestre de 2026 ainda pressionado na linha de receita, segundo a XP Investimentos. A casa mantém recomendação de compra para o papel, mas alerta que a recuperação mais consistente das vendas só deve aparecer a partir do segundo trimestre, quando os efeitos da reestruturação corporativa e o relançamento da marca Avon na América Latina começarem a se materializar nos números.

O cenário não chega a surpreender. A Natura vem de um 2025 inteiro de receita em queda, fechando o ano com R$ 22,2 bilhões em faturamento líquido, recuo de 5% na comparação com 2024. No quarto trimestre, a receita líquida somou R$ 6,1 bilhões, uma retração de 12,1% contra o mesmo período do ano anterior. O 1T26 deve seguir essa tendência de vendas pressionadas, especialmente com a operação na Argentina ainda longe de se estabilizar.

O que salvou 2025: eficiência operacional, não crescimento

Se a receita decepcionou ao longo de 2025, o controle de despesas comerciais e administrativas (SG&A) foi o grande destaque positivo. No 4T25, o EBITDA recorrente atingiu R$ 978 milhões, uma alta de 57,2% em relação ao 4T24, com margem de 15,8%. São quase 7 pontos percentuais acima do registrado no mesmo trimestre do ano anterior.

No acumulado do ano, o EBITDA recorrente consolidado chegou a R$ 3,132 bilhões, crescimento de 9,5% sobre 2024, com margem de 14,1%, expansão de 1,9 ponto percentual. E o resultado final mudou de patamar: a empresa registrou lucro líquido de R$ 463 milhões nas operações continuadas em 2025, revertendo um prejuízo de R$ 644 milhões no ano anterior.

No 4T25 isolado, o lucro líquido das operações continuadas foi de R$ 186 milhões, contra prejuízo de R$ 227 milhões no 4T24. A reversão veio com cortes estruturais de custo, ajustes na remuneração variável e ganhos de eficiência que a gestão vinha prometendo desde o início da reestruturação.

Reestruturação quase concluída: o que muda no 1T26

A Natura iniciou em dezembro de 2025 uma reestruturação corporativa que envolveu a demissão de aproximadamente 1.400 funcionários, algo como 25% do quadro administrativo. Essa reorganização deve ser concluída majoritariamente no primeiro trimestre de 2026, gerando economia relevante em despesas gerais e administrativas (G&A) ao longo do ano.

Além disso, a chamada Wave 2, o processo de integração operacional que consumiu recursos e atenção da gestão por anos, foi finalmente encerrada no 4T25. A companhia reiterou que não haverá mais custos de transformação a partir de 2026, o que remove uma fonte recorrente de pressão sobre as margens.

Outro movimento relevante: a venda da Avon Internacional, concluída no início de 2026, eliminou uma operação deficitária que pesava nos resultados consolidados. A Natura também vendeu as operações da Avon na América Central, República Dominicana e Rússia. O que ficou foi a marca Avon na América Latina, que deve ser relançada no primeiro semestre de 2026 com um posicionamento renovado.

Advent International entra no capital

Em paralelo, a Advent International, uma das maiores gestoras de private equity do mundo, se comprometeu a comprar entre 8% e 10% das ações da Natura no mercado. Esse movimento trouxe um sinal de confiança institucional relevante e contribuiu pra valorização recente do papel.

Outro fato que chamou atenção foi a saída dos fundadores Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos do conselho de administração, migrando para um conselho consultivo. O mercado leu isso como positivo: mais autonomia pra gestão executiva tocar a operação sem interferência dos fundadores no dia a dia.

Natura (NATU3) na bolsa: alta de 40% em 2026

Mesmo com a expectativa de um 1T26 fraco, as ações da Natura acumulam valorização expressiva em 2026. O papel saiu da casa dos R$ 7,45 no início do ano pra cerca de R$ 10,24, uma alta superior a 40%. Pra comparação, o Ibovespa avançou cerca de 17% no mesmo período. Se você quer entender melhor como funciona o principal índice da bolsa brasileira, vale conferir o que é o Ibovespa e como funciona.

Essa valorização reflete a expectativa do mercado de que o pior já passou. Os investidores estão precificando não os números do 1T26, mas a tese de que a empresa mais enxuta, sem Avon Internacional e com custos de transformação zerados, vai entregar margens melhores nos próximos trimestres.

O que os analistas projetam pra 2026

As recomendações estão divididas, mas o viés geral é moderadamente otimista:

A XP Investimentos mantém recomendação de compra, enxergando 2026 como o início de um novo ciclo operacional pra Natura. A casa destaca que a empresa entra no ano mais simples, mais enxuta e focada em crescimento orgânico e devolução de capital aos acionistas.

O Bank of America tem preço-alvo de R$ 14, o que implicaria um potencial de valorização relevante em relação à cotação atual. Já o Bradesco BBI recomenda outperform com preço-alvo de R$ 17, enquanto o BTG Pactual está neutro com alvo de R$ 18.

Na ponta mais conservadora, o BB Investimentos reduziu o preço-alvo para R$ 10,80 ao final de 2026, mantendo recomendação neutra. A justificativa: cenário macroeconômico ainda restritivo, desafios operacionais persistentes e demora na captura de sinergias após a integração com a Avon.

O Morgan Stanley também adota postura cautelosa, questionando a sustentabilidade de lucros desproporcionais num cenário de receita ainda em queda. A pergunta central dos céticos é simples: até quando dá pra entregar resultado cortando custo, sem crescer a receita?

O desafio: receita precisa voltar a crescer

Esse é o ponto crucial da tese. A Natura provou que consegue melhorar margens com eficiência operacional. Os números de 2025 são a prova disso. Mas uma empresa de bens de consumo não pode se sustentar indefinidamente só com corte de custos. Em algum momento, a receita precisa voltar a crescer.

A companhia sinalizou que espera retomada gradual das vendas ao longo de 2026, apoiada pelo novo modelo operacional, pelo relançamento da Avon e pela normalização dos investimentos. A meta é expandir a margem EBITDA acima dos 14,1% reportados em 2025, mas agora com contribuição de receita, não só de eficiência.

O ambiente macro também joga a favor, pelo menos na teoria. A expectativa de início de ciclo de queda da taxa Selic ao longo de 2026 tende a aliviar o custo da dívida e estimular o consumo. Se você quer entender essa dinâmica melhor, vale a leitura sobre como a Selic afeta seus investimentos.

Argentina: a variável fora do controle

Um ponto de atenção que os analistas monitoram de perto é a operação na Argentina. Mesmo com a conclusão da Wave 2, a subsidiária argentina ainda não estabilizou, pressionada pela volatilidade cambial e pela crise econômica do país vizinho. A expectativa é de normalização gradual, mas o timing é incerto.

Contexto setorial: cosméticos no Brasil e no mundo

O setor de cosméticos e higiene pessoal no Brasil apresenta dinâmica mista. Por um lado, o segmento premium e de cuidados pessoais segue resiliente, com consumidores dispostos a gastar em produtos de maior valor agregado. Por outro, a venda direta, canal historicamente dominante da Natura, continua perdendo espaço para o e-commerce e o varejo físico.

A empresa tem migrado cada vez mais pra canais digitais e multimarca, mas essa transição leva tempo e exige investimento. No cenário global, gigantes como L'Oréal e Estée Lauder enfrentam desafios semelhantes com desaceleração na China e reposicionamento de marcas.

A vantagem competitiva da Natura está na força da marca no Brasil e na América Latina, na base de consultoras e no apelo de sustentabilidade, que segue relevante pro consumidor mais jovem. O desafio é converter essa relevância de marca em crescimento de receita num ambiente de consumo ainda cauteloso.

O que esperar nos próximos meses

O resultado do 1T26 deve ser divulgado em maio, e o mercado já está com expectativas calibradas pra baixo. A receita deve seguir pressionada, mas os investidores vão olhar com lupa a evolução das margens operacionais e os primeiros sinais do impacto da reestruturação nos custos.

Os catalisadores pra ficar de olho são: o relançamento da Avon na América Latina, os primeiros efeitos das economias com a reestruturação de G&A, e qualquer sinal de estabilização na receita. Se a empresa conseguir mostrar que a queda de vendas desacelerou ou reverteu no 2T26, a tese de novo ciclo ganha força.

Pro investidor que acompanha o setor de consumo, o caso da Natura é emblemático. É uma empresa que passou por uma das reestruturações mais complexas da bolsa brasileira nos últimos anos, entre a compra e posterior venda da Avon, mudança de ticker de NTCO3 pra NATU3, saída dos fundadores do conselho e demissões em massa. A pergunta de 2026 não é mais se a empresa sobrevive, mas se ela volta a crescer. Manter a cabeça fria pra avaliar esse tipo de situação é fundamental. O artigo sobre meditação e mindfulness para traders traz reflexões interessantes sobre como manter a racionalidade em decisões de investimento.

O consenso entre os analistas é que o 1T26 será o último trimestre fraco antes de uma melhora mais visível. Se isso vai se confirmar, só os números vão dizer.


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