
A Axia Energia (AXIA6), ex-Eletrobras, é a elétrica favorita do Santander. Em relatório publicado nesta semana, o banco reiterou a recomendação de compra para os papéis da companhia e elevou o preço-alvo de R$ 65,46 para R$ 68,92 no fim de 2026. O número implica uma taxa interna de retorno (TIR) real de 10%.
Mas o que chamou mesmo a atenção do mercado foi a projeção de dividend yield adicional de 23,9% entre 2026 e 2028. Isso considerando os dividendos extraordinários que devem vir com a aquisição das ações preferenciais classe B sem direito a voto (AXIA7), parte do plano da companhia de migrar para o Novo Mercado da B3.
Pra contexto: a AXIA6 negocia hoje na casa dos R$ 65, depois de começar 2026 cotada a R$ 52,42. Ou seja, quem comprou no começo do ano já acumula valorização superior a 24%.
A lógica do banco é simples e forte. A Axia tem um caixa robusto e uma exposição relevante a ativos hidrelétricos não contratados. Isso significa que, quando o preço da energia sobe no mercado livre, a empresa captura esse ganho diretamente.
Além disso, o processo de simplificação societária da companhia (a compra das AXIA7) deve destravar valor pro acionista de duas formas: pela redução do desconto de holding e pela distribuição de caixa excedente na forma de dividendos extras.
O Santander projeta que os dividendos regulares devem gerar um yield de cerca de 6,7% em 2026. Somando os extraordinários esperados ao longo de três anos, o retorno total em proventos pode chegar aos tais 23,9%.
É um caso clássico de empresa com geração de caixa forte, sem grandes necessidades de investimento no curto prazo, devolvendo dinheiro pro acionista. Quem acompanha o setor elétrico sabe que isso não é tão comum assim.
O relatório do Santander não foi só sobre a Axia. O banco aproveitou pra atualizar toda a cobertura do setor elétrico, e as mudanças nas outras duas grandes geradoras foram bem diferentes.
A Engie Brasil (EGIE3) teve sua recomendação elevada de venda para neutra, com preço-alvo ajustado de R$ 27,76 para R$ 33,64. O motivo? A decisão da administração de adotar distribuição via juros sobre capital próprio (JCP), o resultado do leilão de capacidade e a atualização da curva de preços de energia. Tudo isso, junto, justificou a melhora na visão do banco. Mas neutra ainda não é compra.
Já a Auren Energia (AURE3) seguiu com recomendação neutra e preço-alvo praticamente estável: de R$ 13,32 para R$ 13,47. Sem grandes catalisadores no radar, a Auren fica como uma opção mais defensiva, mas sem o mesmo potencial de retorno que o banco enxerga na Axia.
Axia Energia (AXIA6): compra, preço-alvo R$ 68,92, dividend yield extra de 23,9% (2026-2028).
Engie Brasil (EGIE3): neutra (elevada de venda), preço-alvo R$ 33,64.
Auren Energia (AURE3): neutra (mantida), preço-alvo R$ 13,47.
O Santander não está sozinho na tese otimista pra Axia. O Safra, por exemplo, atualizou recentemente os preços-alvo: R$ 73,10 para AXIA3 e R$ 79,70 para AXIA6, o que implica um potencial de alta de 23% em relação às cotações atuais.
Na projeção do Safra, o retorno de dividendos entre 2026 e 2028 ficaria na casa de 9%. A Empiricus Research também trabalha com um dividend yield de 6,74% pra 2026. E o Bradesco BBI estima dividendos totais de R$ 13,5 bilhões no período, implicando um rendimento perto de 9%.
Tem consenso no mercado? Não exatamente. O JP Morgan, por exemplo, cortou recentemente o preço-alvo da Axia. Mas a maioria dos bancos que cobrem a empresa está com viés positivo, especialmente depois que os preços de energia voltaram a subir e o processo de migração pro Novo Mercado ganhou tração.
Um ponto importante que o Santander destaca: a atualização da curva de preços de energia. O banco projeta valores mais baixos pra 2026 e 2027, por conta de uma revisão pra cima nas expectativas de hidrologia (mais chuva, mais energia hidrelétrica, preços mais baixos no curto prazo).
Mas de 2028 em diante, a visão é de preços mais altos. E é justamente aí que a Axia se beneficia mais, dado seu portfólio com participação relevante de energia não contratada. Quando o preço sobe no mercado livre, a empresa vende mais caro.
Pra quem entende do setor, isso funciona como uma exposição natural ao preço da energia. É diferente de empresas com contratos de longo prazo a preço fixo, que não capturam essas variações.
Vale lembrar que a Axia Energia é a ex-Eletrobras, privatizada em 2022. No final de 2025, as ações passaram a ser negociadas na B3 sob os tickers AXIA3, AXIA5 e AXIA6. A mudança de nome fez parte de um rebranding mais amplo, que acompanhou a reestruturação operacional da companhia.
Desde a privatização, a empresa passou por um processo de enxugamento de custos, revisão de contratos e foco em geração de valor pro acionista. O resultado aparece nos números: a ação saiu de patamares abaixo de R$ 40 em 2023 pra mais de R$ 65 hoje.
A proposta de migração pro Novo Mercado é o próximo grande passo. Se aprovada pelos acionistas, a empresa teria uma estrutura de governança mais simples, com apenas ações ordinárias (ON), o que tende a atrair mais investidores institucionais e reduzir o desconto de holding que historicamente penalizava os papéis.
O setor elétrico brasileiro sempre foi um dos mais procurados por quem busca renda passiva. Empresas como Taesa, CPFL, Engie e agora Axia figuram frequentemente nas carteiras recomendadas de dividendos dos principais bancos e corretoras.
A diferença é que nem toda elétrica paga bem. E o yield pode variar bastante dependendo do momento do ciclo hidrológico, dos preços de energia e das decisões de alocação de capital de cada empresa. Por isso, antes de montar posição pensando só no dividendo, vale entender o contexto.
Se você tá montando uma carteira de dividendos pra renda passiva, o setor elétrico é quase obrigatório. Mas diversificação dentro do próprio setor faz diferença. Misturar transmissoras (mais previsíveis) com geradoras (mais expostas a preço) é uma estratégia que faz sentido.
Pra quem quer entender melhor como funcionam as datas de corte, vale conferir o guia sobre Data Ex e Data Com (Dividendos): o que é e como funciona. Muita gente perde dividendo simplesmente por não saber quando precisa ter a ação em carteira.
O cenário pra Axia Energia nos próximos trimestres depende de dois fatores principais: a evolução dos preços de energia no mercado livre e o andamento da proposta de migração pro Novo Mercado.
Se o processo de simplificação societária for aprovado, a tendência é de mais distribuição de caixa extraordinário. O Santander estima que a maior parte desses 23,9% de yield extra virá justamente da monetização das ações preferenciais e da devolução de capital excedente.
Por outro lado, se os preços de energia caírem mais do que o esperado no curto prazo (cenário de hidrologia muito favorável), os resultados de 2026 podem vir abaixo das projeções. É um risco que vale monitorar.
Quem busca as melhores ações para dividendos em 2026 precisa colocar a Axia no radar. Não necessariamente como posição única, mas como parte de um portfólio diversificado.
Aliás, se você quer entender quanto precisa pra viver de dividendos, a conta fica mais interessante quando você tem ativos com yield acima de 6% ao ano, como é o caso da Axia no cenário base. E se os extraordinários se confirmarem, a história fica ainda melhor.
O consenso entre os analistas é que a Axia Energia está num momento raro: combinação de valuation ainda atrativo, geração de caixa forte, catalisadores de curto prazo (Novo Mercado) e exposição positiva ao preço de energia no médio prazo. O Santander coloca em números o que boa parte do mercado já sente: entre as elétricas brasileiras, a Axia é, hoje, a que oferece a melhor relação entre risco e retorno.
Aviso Legal
O conteúdo publicado neste artigo pela TC S.A. e pela Traders DTVM S.A. tem caráter exclusivamente informativo e educacional, não constituindo, sob nenhuma hipótese, recomendação de investimento, oferta, solicitação ou aconselhamento para compra ou venda de valores mobiliários, ativos financeiros ou qualquer outro instrumento de investimento.
As informações, dados, análises e opiniões aqui apresentados foram obtidos de fontes consideradas confiáveis na data de publicação. No entanto, a TC S.A. e a Traders DTVM S.A. não garantem sua exatidão, completude, atualidade ou adequação a qualquer finalidade específica, e não se responsabilizam por eventuais imprecisões, erros, omissões ou desatualizações, tampouco por decisões tomadas com base nas informações contidas neste material.
Investimentos em renda variável envolvem riscos e podem resultar em perdas patrimoniais significativas, incluindo a perda total do capital investido. Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. O desempenho de ativos, estratégias ou mercados mencionados pode diferir materialmente das projeções ou expectativas aqui descritas.
Cada investidor é responsável por avaliar os riscos e por tomar suas próprias decisões de investimento, considerando seu perfil de risco, objetivos financeiros e situação patrimonial individual. Recomenda-se consultar um profissional de investimentos devidamente habilitado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) antes de tomar qualquer decisão.
A reprodução total ou parcial deste conteúdo sem autorização expressa da TC S.A. é vedada.