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Metalúrgica Gerdau lucra R$ 1,01 bilhão no 1T26 e mostra força operacional mesmo com queda na receita

Publicado em
28/4/2026
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Metalúrgica Gerdau lucra R$ 1,01 bilhão no 1T26 e mostra força operacional mesmo com queda na receita. Saiba como isso afeta seus investimentos.
Metalúrgica Gerdau lucra R$ 1,01 bilhão no 1T26 e mostra força operacional mesmo com queda na...
Metalúrgica Gerdau lucra R$ 1,01 bilhão no 1T26 e mostra força operacional mesmo com queda na...

A Gerdau (GGBR4) divulgou nesta segunda-feira (28) o balanço do primeiro trimestre de 2026 e o número de cima chamou atenção: lucro líquido ajustado de R$ 1,01 bilhão, alta de 33,6% em relação ao 1T25 e salto de 51,2% sobre o trimestre imediatamente anterior. Mas a leitura por baixo do capô é mais interessante que o headline. O resultado foi praticamente todo carregado pelas operações nos Estados Unidos, enquanto a divisão Brasil derreteu quase pela metade.

O EBITDA ajustado consolidado fechou em R$ 3,0 bilhões, expansão de 23,2% YoY e 24,6% QoQ. A margem EBITDA subiu para 17,7%, ganho de 3,7 pontos percentuais frente ao 4T25. Já a receita líquida ficou em R$ 16,71 bilhões, queda de 3,8% na base anual e 1,5% no trimestre. Ou seja: a Gerdau vendeu menos, mas ganhou mais por tonelada produzida. O recado da rentabilidade veio claro.

Lucro forte, mas abaixo da projeção da rua

Apesar do número absoluto chamativo, o resultado ficou aquém do consenso de mercado. Analistas esperavam, em média, lucro líquido de R$ 1,29 bilhão, com EBITDA ajustado projetado em torno de R$ 2,8 bilhões. Ou seja, a operacional bateu a expectativa, mas a linha final ficou cerca de 22% abaixo do que a casas projetavam. A explicação está em despesas financeiras, variações cambiais e ajustes contábeis que pesaram no resultado contábil reportado.

Para quem acompanha o balanço da siderúrgica há algum tempo, isso não é surpresa. A Gerdau opera em quatro geografias distintas (Brasil, América do Norte, América do Sul e Aços Especiais), com moedas, ciclos e exposições muito diferentes entre si. Quando o real oscila e a operação americana fica grande na composição, o efeito tradução vira um vento que pode soprar pra qualquer lado.

EUA carregam o trimestre nas costas

A América do Norte foi o grande destaque do balanço e merece atenção. A operação entregou EBITDA ajustado de R$ 2,25 bilhões no trimestre, salto de 88,1% YoY e 22,9% QoQ. Para se ter ideia da concentração, a região respondeu por 75% do EBITDA consolidado da companhia. A produção bruta de aço na divisão americana cresceu 11% QoQ e as vendas avançaram 4,5% no mesmo recorte.

O cenário lá fora ajudou. A reativação do Section 232, com tarifas de 25% sobre importações de aço pelo governo Trump, criou um ambiente protecionista que turbinou os spreads metálicos das siderúrgicas instaladas em solo americano. A Gerdau, que tem capacidade relevante nos Estados Unidos e Canadá, surfou exatamente isso. Aço estrangeiro chegando mais caro, demanda doméstica de infraestrutura aquecida, preços firmes. Combinação rara que vira margem na demonstração de resultado.

Brasil afunda: o efeito do aço importado

Do outro lado do oceano, a história foi oposta. A operação Brasil teve receita líquida de R$ 6,3 bilhões, queda de 12,7% QoQ, e o EBITDA local despencou 47,3% YoY, fechando em R$ 578 milhões. O culpado é velho conhecido da indústria: o aço importado, que segue ganhando espaço no mercado doméstico.

A penetração de importados ficou em 28,5% em média no trimestre, com destaque negativo no segmento de aços planos, onde o número é ainda mais alto. Aço chinês entrando barato no porto de Itaqui ou Santos pressiona preços, espreme margem e força a Gerdau a competir num jogo desconfortável. A entidade Aço Brasil e o setor todo vêm pedindo medidas mais duras de defesa comercial, mas o avanço é lento. Enquanto não vem, a operação Brasil paga a conta.

Volume vendido caiu, preço médio caiu, custo de matéria-prima não cooperou. É a tempestade quase perfeita pra um trimestre fraco. A boa notícia é que o piso parece ter sido tocado e o segundo trimestre tende a ser sequencialmente melhor, segundo a leitura de analistas como a Genial Investimentos, que classificou o resultado consolidado como "trimestre forte, mas com dúvidas ainda maiores" sobre o futuro da operação local.

Dividendos de R$ 354 milhões e recompra acelerada

O conselho de administração da Gerdau aprovou a distribuição de R$ 354,1 milhões em dividendos, equivalentes a R$ 0,18 por ação. A data-com é 13 de maio de 2026 (a partir de 14/05 a ação passa a ser negociada ex-dividendos) e o pagamento ocorre em 9 de junho. Quem está posicionado em GGBR4 e quer receber esse provento precisa estar com a posição na carteira até o dia 13.

Além dos dividendos, a Gerdau segue executando o programa de recompra aprovado anteriormente. Até o fechamento do trimestre, cerca de 21% das ações autorizadas já tinham sido recompradas, com investimento total de R$ 210,7 milhões. Combinado com os dividendos, o retorno ao acionista no trimestre supera R$ 560 milhões. A leitura é positiva: companhia gerando caixa, baixa alavancagem e devolvendo grana pro acionista.

Falando em alavancagem, a dívida líquida fechou em R$ 8,2 bilhões, o que dá uma alavancagem de 0,74x EBITDA ajustado. Patamar bastante confortável pra uma siderúrgica em ciclo desafiador. Capex do trimestre foi R$ 1,1 bilhão, dentro do guidance anual de R$ 4,7 bilhões para 2026. O fluxo de caixa livre ficou marginalmente positivo em R$ 16 milhões, comprimido por consumo de capital de giro típico de início de ano.

E a Metalúrgica Gerdau (GOAU4)?

A holding Metalúrgica Gerdau (GOAU4), que controla a operacional GGBR4, espelhou o resultado e também reportou lucro líquido em torno de R$ 1 bilhão no 1T26. Aprovou R$ 106 milhões em dividendos, equivalentes a R$ 0,08 por ação GOAU4, com o mesmo calendário (data-com 13/05, pagamento 09/06). Adicionalmente, anunciou um novo programa de recompra de até 10 milhões de ações preferenciais, equivalente a 1,2% do total em circulação.

Vale lembrar que a GOAU4 historicamente negocia com algum desconto em relação à participação que detém na GGBR4 (a chamada NAV discount). Para investidor de longo prazo focado em dividendos, a holding tende a ter dividend yield levemente superior, mas com menor liquidez e maior dependência das decisões de distribuição da operacional. Quem entende da dinâmica de holdings na bolsa brasileira sabe que a escolha entre GGBR4 e GOAU4 passa também por liquidez, tributação e estratégia.

O que esperar daqui pra frente

A pergunta que fica é: dá pra repetir esse trimestre? Provavelmente não no mesmo ritmo. A Gerdau e a indústria reconhecem que parte do empuxo americano veio de uma janela tarifária específica, e há sinais de que preços nos EUA já começaram a recuar ao longo de abril, conforme o estoque da cadeia se ajusta à nova realidade. Para os próximos trimestres, a expectativa é de uma normalização dos spreads nos Estados Unidos.

No Brasil, o caminho é o oposto: as expectativas estão tão deprimidas que qualquer melhora marginal pode surpreender pra cima. Movimentos de defesa comercial, ainda que tímidos, e algum ajuste de demanda doméstica em construção civil e infraestrutura podem ajudar a divisão a respirar nos próximos trimestres.

Para quem analisa o setor, fica a lição de sempre: siderurgia é cíclica, geograficamente diversificada e sensível a câmbio. Acompanhar indicadores como RSI (Índice de Força Relativa): o que é e como funciona ajuda a calibrar pontos de entrada em momentos de exagero. Antes de qualquer decisão, vale revisar o Checklist pré-operacional: o que verificar antes de operar e entender como o Ibovespa funciona, já que GGBR4 é uma das ações de maior peso histórico no índice.

O 1T26 da Gerdau confirma uma tese antiga: a companhia tornou-se cada vez mais uma história de aço americano, com a operação brasileira funcionando hoje mais como um motor secundário do que como locomotiva. Para o investidor focado em fundamentos, o ponto a monitorar nos próximos balanços é simples: até quando os Estados Unidos seguram o jogo enquanto o Brasil tenta se reerguer.


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