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Gerdau (GGBR4) chega com contraste forte no balanço; EUA salvam trimestre?

Publicado em
27/4/2026
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Gerdau (GGBR4) chega com contraste forte no balanço; EUA salvam trimestre?. Análise completa no blog da Traders. Saiba como isso afeta seus investimentos.
Gerdau (GGBR4) chega com contraste forte no balanço; EUA salvam trimestre?
Gerdau (GGBR4) chega com contraste forte no balanço; EUA salvam trimestre?

A Gerdau (GGBR4) divulga o balanço do primeiro trimestre de 2026 na noite desta terça-feira (28/04), e o roteiro que o mercado já desenhou tem dois personagens com sortes opostas: a operação dos Estados Unidos, que deve entregar margem perto de 24%, e a operação do Brasil, que segue patinando em margem de um dígito num cenário que o BTG chegou a chamar de "crise". O contraste, que já marcou o 4T25, deve aparecer ainda mais nítido agora.

As projeções de casas como Itaú BBA e Genial Investimentos apontam para um EBITDA ajustado consolidado entre R$ 2,7 bi e R$ 2,82 bi, alta de 13% a 19% na base trimestral. O lucro líquido estimado pelo Itaú BBA é de R$ 912 milhões, recuperação relevante frente ao 4T25, quando a Gerdau entregou R$ 670 milhões. A margem EBITDA consolidada deve ficar perto de 16,4%, contra 14% do trimestre anterior.

O que o mercado espera do 1T26 da Gerdau

O Itaú BBA projeta margem norte-americana subindo pra 24%, impulsionada por preços mais firmes e volumes maiores. A Genial vai na mesma direção: o momentum dos EUA deve compensar a fraqueza brasileira. No Brasil, o banco espera EBITDA de R$ 489 milhões e margem de 7,1%, basicamente repetindo o que veio no 4T25.

Pra entender o tamanho do desequilíbrio, vale lembrar que mais de 70% da geração de caixa da companhia hoje vem dos Estados Unidos. A divisão de aços longos no exterior virou o motor de fato da Gerdau. A operação brasileira, que historicamente puxava resultado, está hoje em modo defensivo, com aço chinês entrando no país a preços que apertam toda a indústria local.

Os números do 4T25 que servem de base de comparação

No quarto trimestre de 2025, a Gerdau teve receita líquida de R$ 16,97 bilhões (+0,9% YoY), EBITDA ajustado de R$ 2,37 bilhões (-0,7% YoY) e lucro líquido ajustado de R$ 670 milhões (+0,5% YoY). No ano fechado de 2025, a receita somou R$ 69,86 bilhões (+4,2%), com EBITDA ajustado de R$ 10,07 bilhões (-7,1%) e lucro de R$ 3,38 bilhões, queda de 21,1%. A leitura é clara: o ano passado foi de receita avançando devagar e rentabilidade encolhendo.

O EBITDA da operação norte-americana no 4T25 foi de R$ 1,8 bilhão, com margem de 21,1%. O Brasil entregou R$ 509 milhões de EBITDA com margem de apenas 7,1%, o pior número desde 2015. A operação na América do Sul (excluindo Brasil) recuou 26% no trimestre, com margem de 11,7%.

Por que os EUA estão salvando o trimestre

A história americana da Gerdau ganhou tração desde 2025 por uma combinação rara: tarifas mais altas sobre aço importado, demanda firme pra construção não residencial e infraestrutura, preços do vergalhão e do aço estrutural em patamar elevado e backlog cheio nas usinas. O ambiente regulatório protegeu o produtor local, e a Gerdau, que tem capacidade instalada relevante na América do Norte, capturou esse vento favorável.

O carvão metalúrgico, que pesa no custo variável, subiu mais de 20% entre o 4T25 e o início de 2026. Mesmo assim, a expectativa é que a alta de preços do aço nos EUA mais que compense a pressão de custo. Em termos práticos, isso significa que o spread metálico (diferença entre preço do produto final e custo da matéria-prima) deve continuar generoso por mais alguns trimestres. Pra quem opera ações ligadas ao ciclo do aço, é exatamente o tipo de leitura que pede atenção a momentum strategy: como operar ativos em tendência forte.

O Brasil que continua travado

Do lado de cá, o cenário é o oposto. A penetração do aço importado, principalmente da China, segue alta. Em 2025, as importações brasileiras de aço subiram 7,5% sobre 2024 e bateram recorde. Isso comprime preço e margem do produtor local. A Gerdau já anunciou corte de 23% no capex de 2026, totalizando R$ 4,7 bilhões, com parte relevante do enxugamento vindo justamente das operações brasileiras. É uma sinalização clara: a companhia está realocando capital pro lugar onde a rentabilidade está aparecendo.

O setor de construção civil no Brasil também não ajuda. Com Selic ainda alta no início de 2026, lançamentos imobiliários andam de lado e a demanda por aço estrutural perdeu força. Construção pesada e infraestrutura, que poderiam compensar, esbarram em atrasos de projetos do PAC e em incertezas fiscais.

Como ler o balanço quando ele sair

Pra além dos números agregados, o que vai mover GGBR4 na quarta-feira (29/04) são quatro pontos: margem da América do Norte (mercado quer ver acima de 22%, idealmente perto de 24%), volume vendido no Brasil (qualquer recuperação relevante seria surpresa positiva), geração de caixa livre (no 4T25 ficou em R$ 1,4 bi, mas o capex pesado pode comer parte disso) e guidance ou sinalização sobre dividendos. Quem nunca abriu um relatório trimestral pode aproveitar pra entender como funciona o Balanço Patrimonial: o que é e como funciona antes de se debruçar nos cadernos da Gerdau.

A dívida líquida fechou 2025 em R$ 7,8 bilhões, com alavancagem de 0,76x EBITDA, número confortável que permite à companhia sustentar política de dividendos e ainda pagar capex sem se endividar mais. Esse é um trunfo que poucas siderúrgicas globais têm hoje.

Reação esperada das ações

O papel da Gerdau passou por uma reprecificação relevante nos últimos meses. O Itaú BBA voltou a recomendar compra recentemente, citando melhor relação risco-retorno. Preços-alvo de mercado oscilam entre R$ 20,90 e R$ 30,00 pra GGBR4 em 2026, com mediana perto de R$ 25,00. A ação caiu quase 3% após o balanço do 4T25, mesmo com números na média do esperado, sinal de que o investidor está cobrando mais que entregar o consenso: ele quer ver melhora consistente no Brasil.

Se a margem americana surpreender pra cima e o Brasil mostrar qualquer estabilização, o papel pode reagir bem. Se o Brasil decepcionar de novo, a tese de "Gerdau é uma empresa americana com sede no Brasil" vai ganhar força, e o mercado pode pressionar por uma revisão estrutural na operação local.

Contexto setorial e o que vem pela frente

O setor siderúrgico global vive um ciclo bipolarizado. Nos EUA, a combinação de tarifas (Section 232 reforçada, novas tarifas sobre derivados de aço) e demanda interna pra projetos de infraestrutura mantém preços altos. Na Europa, o cenário é misto, com a Alemanha em recessão industrial. Na China, a sobrecapacidade segue derrubando preços e empurrando exportação.

Pra investidores que acompanham o mercado americano também via ETFs americanos: guia completo pra investir nos EUA, vale lembrar que os pares listados em Nova York como Nucor, Steel Dynamics e Cleveland-Cliffs vêm reportando margens recordes desde o final de 2025, o que reforça a leitura macro de que o ciclo americano de aço ainda tem fôlego no curto prazo.

O próximo catalisador depois do balanço é a teleconferência com a administração, marcada pra terça-feira (28/04) pós-mercado. As perguntas-chave: até quando dura a bonança americana, como a Gerdau vai recuperar margem no Brasil e qual a política de retorno ao acionista pra 2026. As respostas devem definir o tom da ação até a próxima divulgação trimestral.


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