
O MXRF11 (Maxi Renda), maior fundo imobiliário da B3 em número de cotistas, distribuiu novamente R$ 0,10 por cota em março de 2026, marcando o décimo mês consecutivo nesse patamar. Com a cota negociada a R$ 9,75, o rendimento mensal representa um dividend yield de 1,03%, equivalente a 12,3% ao ano. O pagamento foi realizado em 13 de março, referente ao resultado de fevereiro.
A pergunta que 1,4 milhão de cotistas fazem é direta: dá pra contar com esses R$ 0,10 pelos próximos meses? A resposta depende de dois fatores que o investidor precisa acompanhar de perto.
O Maxi Renda é um fundo de papel. Isso significa que a maior parte da receita vem de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), que funcionam como títulos de renda fixa atrelados ao mercado imobiliário. A carteira do fundo tem R$ 3,3 bilhões em CRIs, representando 79,4% do patrimônio líquido de R$ 4,37 bilhões.
Aqui está o ponto central: 88,5% desses CRIs são indexados ao IPCA. Enquanto a inflação rodar acima de 4% ao ano, a receita recorrente do fundo se mantém robusta o suficiente pra sustentar a distribuição de R$ 0,10. Os outros 11,5% estão atrelados ao CDI, que com a Selic ainda em patamar elevado, também contribui positivamente.
Além dos CRIs, o fundo mantém R$ 505,8 milhões (12,3% do PL) em cotas de outros FIIs e R$ 53 milhões em caixa. Essa reserva de liquidez é o que permite à gestão manter a distribuição estável mesmo em meses com menor geração de caixa.
Não existe garantia formal de manutenção dos R$ 0,10. Se você olhar o histórico, o fundo já oscilou entre R$ 0,09 e R$ 0,10 ao longo de 2025, com meses pontuais de R$ 0,09 no primeiro trimestre daquele ano.
Dois cenários pressionariam o rendimento pra baixo:
Queda acentuada da inflação. Com quase 90% dos CRIs atrelados ao IPCA, uma desinflação forte reduziria diretamente a receita. Se o IPCA cair pra 3% ou menos no acumulado de 12 meses, a geração de caixa diminui e o fundo teria que escolher entre usar reservas ou cortar o rendimento.
Ciclo prolongado de corte na Selic. Os 11,5% da carteira atrelados ao CDI rendem menos conforme o Banco Central reduz os juros. Além disso, uma Selic muito baixa tende a comprimir as taxas dos novos CRIs que o fundo emite, impactando a receita futura.
No cenário atual de março de 2026, nenhum desses gatilhos se materializou com intensidade suficiente. A gestão do fundo tem demonstrado habilidade em reciclar a carteira, vendendo CRIs com spreads menores e comprando papéis com taxas mais atrativas.
Pra entender se o rendimento do Maxi Renda é bom, vale comparar com seus pares diretos no segmento de fundos de papel e também com FIIs de tijolo.
O KNCR11 (Kinea Rendimentos), outro grande fundo de CRIs, distribuiu R$ 1,30 por cota em março, com dividend yield anualizado de 13,55%. Entrega um yield maior, mas negocia acima de R$ 107 por cota. Pra quem faz aportes menores, o MXRF11 a R$ 9,75 é bem mais acessível.
No segmento de tijolo, o HGLG11 (CSHG Logística) paga dividend yield anualizado de 8,37%, com rendimento mensal de R$ 1,10 por cota. Menos renda recorrente, porém com maior potencial de valorização patrimonial dos galpões.
O XPML11 (XP Malls), focado em shoppings, entrega yield de 10,18% ao ano. Já o KNRI11 (Kinea Renda Imobiliária), fundo híbrido de lajes e logística, rende entre 8% e 9% ao ano.
Em resumo: entre os FIIs de papel, o MXRF11 fica logo atrás do KNCR11 em yield. Mas sua grande vantagem é o ticket de entrada. Com menos de R$ 10, você compra uma cota e começa a receber rendimentos mensais. Isso explica por que é o FII com mais cotistas de toda a bolsa brasileira.
Vamos fazer a conta que todo mundo quer ver. Com a cota a R$ 9,75 e distribuição de R$ 0,10:
Um investimento de R$ 10 mil compra aproximadamente 1.025 cotas. A R$ 0,10 por cota, o rendimento mensal seria de R$ 102,50, isento de Imposto de Renda pra pessoa física (como todo FII listado na B3 com mais de 50 cotistas).
Em 12 meses, mantido o patamar atual, seriam R$ 1.230 em rendimentos. Com o yield anualizado de 12,3%, o MXRF11 supera a rentabilidade do Tesouro IPCA+ de curto prazo e da maioria dos CDBs de bancões.
Mas atenção: diferente da renda fixa tradicional, o valor da cota oscila no mercado. Em 2026, a valorização acumulada já chega a 20,52%, com a cota saindo de R$ 8,09 no início do ano pra R$ 9,75 em março. Quem entrou em janeiro somou rendimento mais valorização patrimonial.
O indicador Preço sobre Valor Patrimonial (P/VP) do MXRF11 está em 1,03. Isso significa que a cota é negociada 3% acima do valor patrimonial do fundo. Em outras palavras: você paga R$ 9,75 por algo que "vale" R$ 9,46 nos livros.
Um P/VP acima de 1,00 é comum em FIIs populares com boa distribuição. Indica que o mercado precifica um prêmio pela liquidez e pela consistência dos rendimentos. Historicamente, o MXRF11 já negociou com P/VP de 0,95 (desconto) e até 1,08 (prêmio maior).
Pra quem busca melhores ações e FIIs para dividendos em 2026, o P/VP perto de 1,00 é considerado uma zona neutra. Nem pechincha, nem exagero.
O MXRF11 segue uma regra simples. A data-com (último dia pra ter as cotas e garantir o rendimento do mês) é sempre o último dia útil de cada mês. Quem comprar a cota a partir do primeiro dia útil do mês seguinte só receberá no ciclo posterior.
O pagamento cai até o décimo dia útil do mês seguinte. Em março, por exemplo, a data-com foi 27 de fevereiro e o crédito aconteceu em 13 de março. Pra abril, a data-com será o último dia útil de março (31/03/2026), com pagamento previsto pra meados de abril.
Quem está começando a investir agora e quer entender como funciona a bolsa na prática pode conferir nosso guia sobre o melhor investimento para iniciantes em 2026.
Os analistas trabalham com um cenário base de manutenção dos R$ 0,10 pelo menos até o terceiro trimestre de 2026. O raciocínio é simples: a inflação segue rodando acima da meta e a Selic, mesmo com possíveis cortes graduais, não deve cair de forma abrupta o suficiente pra comprometer a receita do fundo.
A gestão da XP Asset (responsável pelo MXRF11) tem reciclado ativamente a carteira de CRIs, trocando papéis com spreads menores por operações com taxas mais elevadas. Em janeiro de 2026, o fundo lucrou R$ 43,58 milhões, mostrando que a máquina de geração de caixa segue funcionando.
O risco que merece atenção é a concentração em IPCA. Se o governo conseguir ancorar a inflação abaixo de 3,5% de forma sustentada, a receita cai. Mas pra 2026, esse cenário parece improvável, dado o nível de atividade econômica e as pressões de custos que ainda persistem.
Outro ponto relevante pra quem monta uma carteira diversificada: os FIIs são apenas uma das classes de ativos disponíveis. Quem quer entender como as melhores ações do Ibovespa em 2026 se comparam com fundos imobiliários encontra uma análise completa no nosso blog.
O Maxi Renda funciona bem como componente de renda recorrente numa carteira. Mas concentrar tudo num único FII, por mais popular que seja, é um risco que qualquer analista desaconselha.
Pra diversificação dentro do próprio mercado de FIIs, a lógica é combinar fundos de papel (como MXRF11 e KNCR11, que se beneficiam de juros altos) com fundos de tijolo (como HGLG11 e XPML11, que tendem a performar melhor quando os juros caem e os imóveis se valorizam).
Fora dos FIIs, ações de boas pagadoras de dividendos, BDRs de empresas globais e títulos de renda fixa completam o mosaico. Pra quem quer explorar oportunidades além da B3, o guia sobre os melhores BDRs para investir em 2026 traz opções interessantes de diversificação internacional.
No cenário atual, o MXRF11 continua sendo o FII que mais facilita a vida de quem quer começar a receber renda passiva mensal. R$ 0,10 por cota, yield acima de 12% ao ano e ticket de entrada abaixo de R$ 10. A consistência dos últimos dez meses joga a favor. Mas como sempre em renda variável, manter um olho nos indicadores macroeconômicos e outro na composição da carteira do fundo é o que separa o investidor informado do que só olha o rendimento mensal.
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