
A Embraer (EMBR3) chegou ao final do primeiro trimestre de 2026 com a carteira de pedidos mais robusta da sua história e uma janela competitiva inesperada nos Estados Unidos. A fabricante brasileira de aeronaves anunciou no fim de abril que fechou o 1T26 com US$ 32,1 bilhões em pedidos firmes, sexto recorde consecutivo, e entregou 44 jatos no trimestre, alta de 47% em relação às 30 aeronaves do mesmo período de 2025.
O número quente, no entanto, ainda vai chegar. O balanço financeiro completo do 1T26, com receita líquida, EBITDA e lucro, está marcado pra 8 de maio de 2026, antes da abertura do mercado. E a Embraer chega a essa data com o vento a favor depois que o governo americano confirmou em fevereiro a exclusão do setor aeroespacial das tarifas adicionais sobre produtos brasileiros.
Os indicadores operacionais divulgados pela companhia dão o tom do que vem por aí no balanço. A divisão de aviação comercial puxou o resultado, com US$ 15 bilhões em carteira, crescimento de 50% na comparação anual. É o segmento que mais cresce e o que tem maior exposição ao mercado americano, justamente onde a notícia das tarifas caiu bem.
No segmento de Defesa & Segurança, a carteira fechou em US$ 4,4 bilhões, alta de 5% YoY mas queda de 4% em relação ao 4T25. A aviação executiva, que vende os jatos da família Praetor, segue com demanda firme, especialmente nos EUA, onde o público de alto patrimônio tem mantido o ritmo de encomendas mesmo num cenário de juros ainda elevados.
As 44 entregas do 1T26 vão pesar bastante no faturamento que será divulgado dia 8. Pra ter ideia, no 1T25 a Embraer entregou 30 aeronaves e reportou receita líquida em torno de R$ 5 bilhões. Com 47% mais aeronaves entregues e mix favorável, a tendência é de receita líquida bem acima da do mesmo trimestre do ano passado. Quem quer entender melhor a tese e o histórico operacional pode conferir Como investir em Embraer (EMBR3).
Em julho de 2025, o presidente americano Donald Trump impôs tarifa de 50% sobre a maioria dos produtos brasileiros, mantendo alíquota de 10% sobre aeronaves. A nova regra, de fevereiro de 2026, excluiu o setor aeroespacial dos encargos adicionais previstos na Seção 122 da Lei de Comércio dos EUA. Resultado: jatos regionais E175 e executivos da família Praetor entram no mercado americano sem tributação extra.
Pra Embraer, isso é estratégico. A companhia tem cerca de 200 entregas pendentes do E175 pra companhias aéreas dos EUA, incluindo American, SkyWest, Alaska e Republic. Com a isenção, a fabricante brasileira reduz a desvantagem frente à canadense Bombardier e à francesa Dassault Aviation, que já operavam sem encargos similares no mercado americano.
O ponto de atenção é que o cenário ainda envolve incerteza. O Departamento de Comércio dos EUA conduz uma investigação paralela sob a Seção 232, que avalia riscos à segurança nacional e pode resultar em novas tarifas específicas pro setor aeroespacial. Por ora, no entanto, a janela está aberta e clientes como Alaska Airlines e SkyWest devem acelerar importações durante esse período. Vale entender também como dados macro americanos se conectam ao apetite das aéreas locais em Payroll (EUA): o que é e como funciona.
A última referência fechada é o 4T25, em que a Embraer entregou lucro líquido de R$ 832 milhões e fechou 2025 com receita recorde no consolidado anual. Pra 2026, o guidance da companhia projeta receita entre US$ 8,2 e US$ 8,5 bilhões e margem EBIT ajustada entre 8,7% e 9,3%, considerando o cenário com tarifa de importação de 10% nos EUA. Como a isenção foi confirmada depois desse guidance, há expectativa de revisão pra cima nas projeções, especialmente da margem.
O consenso de analistas espera, pro 1T26, receita líquida na casa de R$ 5,5 a R$ 6,5 bilhões, EBITDA ajustado em torno de R$ 600 a R$ 750 milhões e margem EBITDA entre 11% e 12%. Lembre que o 1T tradicionalmente é o trimestre mais fraco do ano pra Embraer, com mix de entregas concentrado no segundo semestre. Saber ler um Balanço Patrimonial: o que é e como funciona ajuda bastante a interpretar o release que sai dia 8.
Os pontos que o mercado vai olhar com lupa: composição do mix de entregas (executivos têm margem maior que comerciais), evolução da dívida líquida, geração de caixa operacional e qualquer atualização do guidance pós-isenção tarifária. Margem EBITDA acima de 12% seria considerada surpresa positiva.
As ações da Embraer reagiram forte à notícia da isenção em fevereiro, com salto significativo na sessão pós-anúncio. Desde então, os papéis acumulam valorização expressiva no ano, refletindo a combinação de carteira recorde, janela tarifária aberta e expectativa de números fortes no balanço. Casas de research do BTG e XP têm mantido recomendação de compra após os dados operacionais do 1T26, com revisões pra cima nos preços-alvo.
O setor aeroespacial global vive um momento atípico. A Boeing segue lidando com problemas de qualidade e produção depois dos casos do 737 MAX, a Airbus tem fila de pedidos que vai até 2030 e o segmento regional, onde a Embraer é praticamente referência única no mundo ocidental, ganhou força com companhias aéreas substituindo turboélices por jatos regionais. A demanda estrutural por aviação não vai sumir tão cedo.
Pra investidores pessoa física que acompanham EMBR3, vale lembrar que ganhos com vendas mensais acima de R$ 20 mil são tributados em 15% no Brasil, com recolhimento via DARF até o último dia útil do mês seguinte. Detalhes em Tributação de investimentos no Brasil: guia completo 2026.
Depois do release de 8 de maio, o calendário da Embraer traz a divulgação mensal de entregas (que costuma sair em julho com os dados consolidados do 2T26) e eventuais anúncios de novos contratos militares envolvendo o KC-390 e o A-29 Super Tucano, que têm sido alvo de interesse crescente em países da Europa e do Oriente Médio. A definição final da Seção 232 nos EUA, que pode tanto perpetuar a isenção quanto criar nova tarifa setorial, é o evento de maior risco no horizonte.
O 1T26 da Embraer chega como um trimestre de transição: indicadores operacionais já mostraram força, mas os números financeiros ainda precisam ser decifrados. Se a margem EBITDA vier em linha com a expectativa e a companhia revisar o guidance pra cima pós-isenção, o mercado tende a continuar comprado na tese. Se o lucro frustrar por surpresa em custo de matéria-prima ou câmbio, pode ter realização de curto prazo. A história estrutural, no entanto, segue sólida: carteira recorde, demanda global aquecida, ciclo favorável no setor aeroespacial e janela tarifária aberta pro maior mercado consumidor do mundo. O dia 8 vai dizer o quanto disso já está no preço.
Aviso Legal
O conteúdo publicado neste artigo pela TC S.A. e pela Traders DTVM S.A. tem caráter exclusivamente informativo e educacional, não constituindo, sob nenhuma hipótese, recomendação de investimento, oferta, solicitação ou aconselhamento para compra ou venda de valores mobiliários, ativos financeiros ou qualquer outro instrumento de investimento.
As informações, dados, análises e opiniões aqui apresentados foram obtidos de fontes consideradas confiáveis na data de publicação. No entanto, a TC S.A. e a Traders DTVM S.A. não garantem sua exatidão, completude, atualidade ou adequação a qualquer finalidade específica, e não se responsabilizam por eventuais imprecisões, erros, omissões ou desatualizações, tampouco por decisões tomadas com base nas informações contidas neste material.
Investimentos em renda variável envolvem riscos e podem resultar em perdas patrimoniais significativas, incluindo a perda total do capital investido. Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. O desempenho de ativos, estratégias ou mercados mencionados pode diferir materialmente das projeções ou expectativas aqui descritas.
Cada investidor é responsável por avaliar os riscos e por tomar suas próprias decisões de investimento, considerando seu perfil de risco, objetivos financeiros e situação patrimonial individual. Recomenda-se consultar um profissional de investimentos devidamente habilitado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) antes de tomar qualquer decisão.
A reprodução total ou parcial deste conteúdo sem autorização expressa da TC S.A. é vedada.