
A nota de corretagem é o documento que a corretora emite após cada dia em que você fez operações na bolsa. Ela detalha tudo: quais ativos você comprou e vendeu, os preços, quantidades, horários, custos operacionais e o resultado financeiro do dia. Saber como ler nota de corretagem é essencial pra qualquer investidor, seja pra conferir se tá tudo certo, calcular seu lucro real ou declarar o Imposto de Renda.
Muita gente ignora a nota de corretagem e só olha o saldo da conta. Mas essa nota é o documento oficial das suas operações. Se tiver alguma divergência, é ela que vale. E na hora do IR, é ela que a Receita Federal vai querer ver.
A nota de corretagem segue um padrão definido pela B3, mas cada corretora tem seu layout. De maneira geral, a nota é dividida em blocos:
Traz as informações básicas: nome da corretora, dados do cliente (nome, CPF, conta), número da nota, data do pregão e a folha da nota. Se você fez muitas operações, a nota pode ter várias folhas.
É a parte principal. Aqui aparece cada operação do dia com os seguintes campos:
Q (Qualificação): indica a natureza da operação. "D" pra day trade, "N" pra normal (swing).
Negociação: identificação do mercado (bovespa, fracionário, opções, etc.).
C/V: Compra ou Venda.
Tipo mercado: à vista, termo, opções, futuro.
Especificação do título: o código do ativo (PETR4, VALE3, etc.) e descrição.
Quantidade: número de ações ou contratos.
Preço/ajuste: preço de execução por unidade.
Valor da operação: preço x quantidade. O valor total daquela operação.
D/C: Débito ou Crédito. Compra é débito, venda é crédito.
Soma dos valores de compra e de venda separadamente. Mostra o valor total negociado no dia.
Aqui vem tudo que você pagou além do preço do ativo:
Taxa de liquidação: cobrada pela B3 pra registrar e liquidar a operação.
Taxa de registro: custo de registro na clearing house.
Emolumentos: taxa da B3 sobre o valor negociado.
Corretagem: taxa cobrada pela corretora.
ISS: imposto municipal sobre o serviço de corretagem.
IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte): no day trade, a corretora retém 1% do lucro como imposto na fonte. É o famoso "dedo-duro" que avisa a Receita que você operou day trade.
Outras taxas: podem incluir taxa de custódia, ANA (taxa da clearing), entre outras.
O valor final: positivo (crédito na sua conta) ou negativo (débito). É o resultado do dia depois de todos os custos.
Suponha que no dia você fez duas operações:
Compra: 500 PETR4 a R$ 38,00 = R$ 19.000,00 (D)
Venda: 500 PETR4 a R$ 38,60 = R$ 19.300,00 (C)
Resultado bruto: R$ 300,00 de lucro
Custos operacionais: corretagem (R$ 9,80), emolumentos (R$ 1,15), taxa de liquidação (R$ 4,78), ISS (R$ 0,49), IRRF day trade (R$ 3,00).
Custos totais: R$ 19,22
Resultado líquido: R$ 280,78
Esses R$ 280,78 é o que efetivamente entrou ou saiu da sua conta. É esse número que importa, não os R$ 300 do lucro bruto.
A nota de corretagem é o documento base pra calcular seu IR. Você precisa somar os resultados de todas as notas do mês pra chegar no lucro ou prejuízo mensal. Prejuízos podem ser compensados com lucros futuros.
Dica: a Sencon (sencon.com.br) lê suas notas de corretagem automaticamente, calcula o IR e gera o DARF. Se você faz muitas operações, usar uma calculadora de IR é praticamente obrigatório. Pra entender todo o processo de declaração, confira o artigo sobre como declarar IR no day trade.
Confira os preços. Compare os preços da nota com os que você viu na plataforma. Em ordens a mercado, pode haver pequenas diferenças (slippage), mas nada absurdo.
Some os custos. Entenda quanto você paga por dia em taxas. Se os custos tão comendo uma fatia relevante do seu lucro, talvez seja hora de rever a estratégia ou negociar condições melhores com a corretora.
Guarde todas as notas. A Receita pode pedir notas de até 5 anos atrás. Organize digitalmente.
Acesse www.traders.com.br e abra sua conta.
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