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Cemig (CMIG4) salta quase 3% após balanço do 3T25 e figura como a única alta do Ibovespa

Publicado em
20/3/2026
Cemig (CMIG4) salta quase 3% após balanço do 3T25 e figura como a única alta do Ibovespa. Entenda o impacto nos seus investimentos.
Cemig (CMIG4) salta quase 3% após balanço do 3T25 e figura como a única alta do Ibovespa
Cemig (CMIG4) salta quase 3% após balanço do 3T25 e figura como a única alta do Ibovespa

A Cemig (CMIG4) reportou lucro líquido ajustado de R$ 780 milhões no 3T25, uma queda de 30,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Mesmo assim, as ações preferenciais da companhia subiram 2,87%, fechando a R$ 12,54, e figuraram como a única alta do Ibovespa no pregão seguinte à divulgação dos números.

O resultado bruto ficou ainda mais pesado: o lucro líquido consolidado (sem ajustes) foi de R$ 797 milhões, uma retração de 75,7% na comparação anual. A diferença entre os dois números reflete efeitos não recorrentes que distorceram a base de comparação com o 3T24.

A receita líquida consolidada, por outro lado, veio positiva: R$ 10,6 bilhões, alta de 4,6% sobre o 3T24. O problema é que essa receita não se converteu em margem. O EBITDA ajustado totalizou R$ 1,47 bilhão, recuo de 16,2% na base anual.

O que pressionou o resultado da Cemig no 3T25

O principal vilão do trimestre foi o segmento de geração de energia. A combinação de três fatores criou uma tempestade perfeita contra as margens da companhia.

Primeiro, o GSF (Generation Scaling Factor), indicador que mede a relação entre a energia efetivamente gerada pelas hidrelétricas e a garantia física contratada, caiu para 0,65. No 3T24, esse número era 0,79. Na prática, as usinas da Cemig geraram menos energia do que o esperado por conta do cenário hidrológico adverso.

Segundo, o PLD (Preço de Liquidação das Diferenças), que é o custo da energia no mercado de curto prazo, disparou 51% na comparação anual, atingindo R$ 249 por MWh. Com as usinas gerando menos e o preço da energia no spot subindo, a Cemig precisou comprar energia mais cara pra honrar seus contratos.

Terceiro, a volatilidade no mercado de comercialização de energia adicionou mais pressão. A soma desses três vetores corroeu boa parte da rentabilidade do segmento.

Distribuição: volume em queda, residencial segura

O segmento de distribuição, que representa cerca de 69% da receita da Cemig, também trouxe sinais mistos. O EBITDA ajustado da distribuição ficou em R$ 737 milhões, queda de 4,7% na base anual.

A energia distribuída (excluindo geração distribuída) recuou 4,4% em relação ao 3T24. O segmento industrial foi o que mais sofreu, com retração de 8,0%, reflexo direto da migração de grandes consumidores para a Rede Básica, saindo do mercado cativo. O segmento comercial também caiu, com recuo de 3,2%.

O ponto positivo ficou por conta do segmento residencial, que cresceu 2,7% no período, sustentado pela expansão de 3,1% na base de clientes. Mas esse crescimento não foi suficiente pra compensar as perdas nos outros segmentos.

O ambiente de perdas de energia (técnicas e não técnicas) seguiu desafiador, pressionando adicionalmente os resultados da distribuidora.

Endividamento e investimentos da Cemig

A Cemig encerrou o terceiro trimestre com dívida bruta consolidada de R$ 15,4 bilhões e caixa de R$ 2,3 bilhões, resultando em uma dívida líquida de R$ 13,1 bilhões.

O indicador de alavancagem (dívida líquida sobre EBITDA) subiu para 1,76 vez, ante 1,3 vez registrado em 2024. A alta reflete tanto o aumento da dívida quanto a compressão do EBITDA no período. Ainda assim, o patamar segue confortável pra uma empresa do porte da Cemig, longe de covenants restritivos.

Nos primeiros nove meses de 2025, os investimentos totalizaram R$ 4,73 bilhões, alta de 17% sobre o mesmo período do ano anterior. A maior parte do capex, R$ 3,6 bilhões, foi direcionada ao segmento de distribuição, o que indica que a companhia segue priorizando a melhoria da rede e a expansão da cobertura.

Por que CMIG4 subiu se o resultado foi fraco?

Essa é a pergunta que todo mundo fez no pregão seguinte. A Cemig entregou números abaixo das expectativas do mercado em praticamente todas as linhas, mas as ações subiram quase 3% enquanto o resto do Ibovespa caía.

Existem algumas explicações possíveis. A primeira é que parte da pressão nos resultados já estava precificada. O cenário hidrológico adverso e o PLD elevado não eram surpresa pra ninguém que acompanhava o setor elétrico. Os investidores que venderam antes do balanço podem ter recomprado após a confirmação de que o resultado, embora fraco, não trouxe nenhuma bomba inesperada.

A segunda razão é o dividend yield atrativo. Nos últimos 12 meses, a Cemig entregou um yield de aproximadamente 13,5%, um dos mais altos entre as utilities listadas na B3. A companhia distribuiu R$ 1,49 por ação em proventos ao longo de 2025, com o último pagamento de R$ 0,65 por ação em JCP (juros sobre capital próprio) realizado em dezembro.

Pra investidores focados em renda, esse patamar de yield compensa boa parte da fraqueza operacional de um trimestre isolado. A tendência de longo prazo das ações da Cemig também segue positiva, com valorização de 27% nos últimos 12 meses.

Privatização: o catalisador que ninguém esquece

Além dos dividendos, existe outro fator que sustenta o interesse dos investidores na Cemig: a possibilidade de privatização.

O governo de Minas Gerais, acionista controlador da companhia, deve decidir ainda no primeiro semestre de 2026 se avança com o processo de desestatização. Esse tema tem sido um catalisador recorrente pra as ações, gerando volatilidade a cada nova declaração de representantes do governo estadual.

Se a privatização avançar, analistas projetam que a Cemig poderia destravar valor significativo através de ganhos de eficiência operacional e redução de interferência política na gestão. Por outro lado, barreiras políticas continuam relevantes e o desfecho está longe de ser garantido.

Essa incerteza cria uma dinâmica interessante: investidores que acreditam na privatização compram a ação nos momentos de fraqueza, como após um trimestre mais fraco, o que pode explicar parte do movimento de alta.

Contexto setorial: elétricas sob pressão hídrica

O 3T25 não foi ruim apenas pra Cemig. Todo o setor de geração hidrelétrica sofreu com as condições hidrológicas desfavoráveis. O GSF baixo e o PLD elevado são variáveis que afetam todas as geradoras com exposição ao mercado spot.

Empresas como Eletrobras, Engie e AES Brasil também reportaram pressão nas margens de geração no período. A diferença é que a Cemig tem uma operação mais diversificada, com distribuição representando a maior fatia da receita, o que ajuda a amortecer o impacto.

O setor elétrico brasileiro é particularmente sensível ao regime de chuvas. O segundo semestre costuma ser o período mais seco, concentrando a maior pressão sobre os reservatórios. Pra quem investe no setor, entender essa sazonalidade é fundamental na hora de interpretar os resultados trimestrais.

Quem quer aprofundar a análise de balanços patrimoniais e entender como ler os números de empresas listadas encontra nesse guia os fundamentos necessários.

O que esperar da Cemig nos próximos trimestres

O 4T25 da Cemig já foi divulgado e trouxe uma recuperação expressiva: lucro líquido de R$ 1,88 bilhão, alta de 88% na comparação anual, e EBITDA consolidado de R$ 2,95 bilhões, avanço de 53,9%. Os números mostram que a pressão do 3T25 foi pontual e que a companhia conseguiu se recuperar com a melhora do cenário hidrológico no final do ano.

Pra frente, os principais catalisadores são:

Decisão sobre a privatização. Se o governo de Minas der sinal verde no primeiro semestre de 2026, as ações podem reagir com força. Se o tema esfriar novamente, o mercado pode revisitar os fundamentos operacionais com mais rigor.

Política de dividendos. Com payout mínimo de 50% do lucro líquido e um histórico recente de yield acima de 13%, a Cemig continua atraente pra quem busca renda passiva. A distribuição de JCP de R$ 658 milhões anunciada recentemente, com data ex em 25 de março, reforça esse posicionamento.

Cenário hidrológico 2026. Se as chuvas colaborarem e o GSF voltar a patamares mais favoráveis, o segmento de geração pode contribuir positivamente pros resultados, revertendo a dinâmica negativa vista no 3T25.

A Cemig segue como uma das ações mais acompanhadas do Ibovespa, combinando dividend yield elevado, tese de privatização e exposição ao setor elétrico. O 3T25 foi um trimestre de travessia, pressionado por fatores hidrológicos que fogem ao controle da gestão. A recuperação no 4T25 sugere que a tese de investimento segue intacta, mas o investidor precisa estar atento à sazonalidade do setor e às incertezas políticas que cercam a companhia.


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