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BofA diz que Ambev (ABEV3) deve ter 1TRI26 fraco, com pressão de custos e queda de volumes

Publicado em
9/4/2026
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BofA diz que Ambev (ABEV3) deve ter 1TRI26 fraco, com pressão de custos e queda de volumes. Saiba como isso afeta seus investimentos.
BofA diz que Ambev (ABEV3) deve ter 1TRI26 fraco, com pressão de custos e queda de volumes
BofA diz que Ambev (ABEV3) deve ter 1TRI26 fraco, com pressão de custos e queda de volumes

A Ambev (ABEV3) deve apresentar um primeiro trimestre de 2026 pressionado por custos mais altos e queda nos volumes vendidos, segundo relatórios recentes do Bank of America (BofA), BTG Pactual e XP Investimentos. As estimativas apontam pra uma retração de até 12,9% no EBITDA ajustado na comparação anual, o que marcaria o segundo trimestre consecutivo de contração operacional da maior cervejaria da América Latina.

A prévia chega num momento em que as ações da companhia negociam a R$ 15,43 na B3, acumulando alta de quase 15% em 12 meses. Ou seja: o mercado vinha precificando uma recuperação que, pelos números dos analistas, ainda não se materializou nos resultados operacionais.

O que os analistas esperam pro 1T26 da Ambev

O BTG Pactual, que mantém recomendação neutra pra ABEV3 com preço-alvo de R$ 17, projeta um cenário difícil pra o trimestre. A principal estimativa é de queda de 3,6% no volume de cerveja vendida no Brasil, mercado que responde pela maior fatia da receita da Ambev.

Em termos de lucratividade, o BTG estima um EBITDA de R$ 3,5 bilhões no trimestre, com margem de 34,5%. Pra referência, no 1T25 a companhia entregou EBITDA ajustado de R$ 7,4 bilhões com margem de 33,1%, mas a comparação direta exige cuidado porque os números do BTG se referem especificamente à operação Brasil.

Já a XP Investimentos foi mais incisiva nas projeções consolidadas: estima que a margem EBITDA ajustada deve cair 126 pontos-base na comparação anual, resultando numa queda de 12,9% no EBITDA ajustado. O lucro por ação (EPS) deve recuar 16,4% em relação ao 1T25.

A margem bruta também deve sofrer. O BTG calcula uma redução de 2,2 pontos percentuais na margem bruta do segmento de cervejas no Brasil, mesmo com reajustes de preço implementados pela companhia no início do ano.

Custos: alumínio e dólar como vilões

O principal fator por trás da pressão nos números é o custo de insumos. A Ambev usa alumínio em larga escala pra suas latas, e o preço do metal subiu de forma relevante nos mercados internacionais. Somado a isso, o dólar mais alto ao longo do primeiro trimestre encareceu a importação de matérias-primas.

Na teleconferência de resultados do 4T25, a própria gestão da Ambev sinalizou que 2026 teria uma estrutura de custos mais pressionada, especialmente no primeiro semestre. O hedging (proteção cambial) que a companhia faz ameniza parte do impacto, mas o BofA avalia que o benefício será percebido de forma gradual ao longo do ano, não concentrado nos primeiros meses.

Pra quem acompanha o Ibovespa e como ele funciona, vale lembrar que a ABEV3 é uma das ações com maior peso no índice. Quando uma empresa desse porte sente pressão, o impacto se espalha.

O peso do clima no trimestre

Outro fator que os analistas destacam é a base de comparação climática desfavorável. O primeiro trimestre de 2025 teve temperaturas acima da média em boa parte do país, o que favoreceu o consumo de cerveja. Já o início de 2026 foi menos quente em regiões-chave, o que naturalmente reduz a demanda sazonal.

Pode parecer detalhe, mas pra uma empresa que vende bilhões de litros de cerveja, a diferença de dois ou três graus na temperatura média impacta diretamente o volume. É o tipo de variável que está fora do controle da gestão.

O que o 4T25 já tinha sinalizado

Os resultados do quarto trimestre de 2025 já deram sinais claros do que viria pela frente. A Ambev reportou lucro líquido de R$ 4,53 bilhões, uma queda de 9,9% na comparação anual. A receita líquida de R$ 24,8 bilhões recuou 8,2%, e o EBITDA ajustado de R$ 8,85 bilhões caiu 8%.

A margem EBITDA ficou praticamente estável em 35,7%, o que mostra que a companhia conseguiu segurar a rentabilidade mesmo com receita menor. Mas a combinação de volumes em queda com custos em alta é uma equação complicada de sustentar por muitos trimestres.

No acumulado de 2025, a Ambev fechou com lucro de R$ 15,9 bilhões (alta de 7,7% sobre 2024) e EBITDA ajustado de aproximadamente R$ 29,5 bilhões, com expansão de cerca de 50 pontos-base na margem. Foi o terceiro ano consecutivo de melhora na margem, o que torna a expectativa de contração em 2026 ainda mais relevante.

BofA mantém compra apesar do cenário difícil

Apesar da prévia fraca, o Bank of America mantém recomendação de compra pra ABEV3, com preço-alvo de R$ 15,80. A tese do BofA se apoia em três pilares: o momentum resiliente de lucros no médio prazo, a avaliação atrativa (com FCF yield de 7,2% e P/E de 12,9x) e a expectativa de aumento nos dividendos.

Segundo os analistas do BofA, o dividend yield deve subir pra 8,8% nos próximos 12 meses, o que torna a ação interessante pra quem busca renda passiva mesmo em cenários de resultado operacional mais fraco. Em 2025, a companhia distribuiu impressionantes R$ 20,4 bilhões entre dividendos e juros sobre capital próprio.

A visão do BofA é que o guidance de custos da Ambev pra 2026 tem um viés favorável. Ou seja, as projeções da empresa podem estar sendo conservadoras, e os números reais podem surpreender positivamente conforme os hedges de commodities forem sendo realizados ao longo dos trimestres.

BTG segue neutro

O BTG Pactual, por outro lado, mantém uma postura mais cautelosa. Com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 17, o banco vê espaço limitado pra crescimento de volume e preço no Brasil, dado o ambiente competitivo e a sensibilidade do consumidor ao preço.

Um ponto interessante que o BTG levanta é o impacto estrutural de longo prazo: a tendência de saúde e bem-estar, somada ao uso crescente de medicamentos baseados em GLP-1 (como os usados pra emagrecimento), representa um vento contrário estrutural pro volume de cerveja. Não é algo que vai mudar o trimestre, mas é o tipo de tendência que pode limitar o crescimento da indústria por anos.

Copa do Mundo 2026: o catalisador no horizonte

Se o curto prazo parece desafiador, o segundo semestre pode trazer um alívio significativo. A Copa do Mundo de 2026, que será sediada nos Estados Unidos, México e Canadá, historicamente impulsiona o consumo de cerveja no Brasil. A Ambev, como patrocinadora oficial da seleção brasileira e dona de marcas como Brahma e Skol, tende a capturar boa parte desse incremento.

O BTG reconhece a Copa como um potencial catalisador de curto prazo, mas pondera que o efeito positivo nos volumes pode ser parcialmente neutralizado pelo cenário macro mais restritivo, com juros altos e inflação de alimentos pesando no bolso do consumidor.

Se você quer entender melhor como eventos macro afetam o mercado, vale conferir como funciona o investimento em Ambev (ABEV3).

O cenário competitivo e a reforma tributária

Além dos custos e volumes, a Ambev enfrenta outro fator de incerteza: a reforma tributária. A definição das alíquotas do novo imposto seletivo sobre bebidas alcoólicas segue em discussão, e qualquer aumento na carga tributária pode comprometer as margens ou forçar repasses de preço que, por sua vez, pressionam volumes.

No ambiente competitivo, a Heineken vem ganhando participação de mercado no Brasil de forma consistente nos últimos anos. A Ambev respondeu com investimentos em premiumização (marcas como Spaten, Corona e Stella Artois), mas essa estratégia tem um custo maior de produção e distribuição que aparece justamente nos trimestres de volume mais fraco.

Pra quem opera no mercado e precisa manter a cabeça fria diante de tantas variáveis, entender como o mindfulness ajuda traders pode ser um diferencial na hora de tomar decisões.

O que observar na divulgação oficial

Os resultados oficiais do 1T26 da Ambev devem ser divulgados entre o final de abril e o início de maio. Quando saírem, os pontos mais importantes pra ficar de olho são:

Volume de cerveja no Brasil: se a queda for menor que os 3,6% estimados pelo BTG, o mercado pode reagir bem. Se for pior, a pressão vendedora deve aumentar.

Margem EBITDA consolidada: a XP projeta queda de 126 pontos-base. Qualquer número acima de 32% na margem ajustada seria visto como positivo.

Guidance de custos: a gestão pode atualizar as projeções de custo pro resto do ano. Se houver sinalização de que o pior ficou no 1T26, as ações podem reagir positivamente mesmo com números fracos.

Dividendos intermediários: a Ambev tem distribuído proventos de forma mais generosa. Qualquer anúncio de JCP ou dividendo adicional pode compensar resultados abaixo do esperado.

Perspectiva pro investidor

O consenso entre os analistas é que o 1T26 será de fato o trimestre mais fraco de 2026 pra Ambev. A combinação de custos elevados, base de comparação climática desfavorável e volumes pressionados cria uma tempestade perfeita pra um resultado abaixo do potencial da companhia.

Mas é importante separar o resultado de um trimestre da tese de longo prazo. A Ambev continua sendo uma máquina de geração de caixa, com margem EBITDA consistentemente acima de 30%, posição dominante no mercado brasileiro e uma estratégia de premiumização que, apesar dos custos, protege a rentabilidade no médio prazo.

O ponto de atenção fica no segundo semestre, quando os custos devem arrefecer, a Copa do Mundo pode impulsionar volumes e a definição da reforma tributária trará mais previsibilidade pro setor. Até lá, quem acompanha ABEV3 precisa de paciência e contexto pra não confundir um trimestre sazonalmente fraco com uma mudança estrutural na tese.


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