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Ambev mantém lucro estável no 1T26, com Ebitda em alta e pressão no resultado financeiro

Publicado em
5/5/2026
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Ambev mantém lucro estável no 1T26, com Ebitda em alta e pressão no resultado financeiro. Análise completa no blog da Traders.
Ambev mantém lucro estável no 1T26, com Ebitda em alta e pressão no resultado financeiro
Ambev mantém lucro estável no 1T26, com Ebitda em alta e pressão no resultado financeiro

A Ambev (ABEV3) divulgou nesta terça-feira (5) o balanço do primeiro trimestre de 2026 e entregou um resultado que pegou parte do mercado de surpresa. O lucro líquido da maior cervejaria do país somou R$ 3,886 bilhões no 1T26, alta de 2,1% na comparação anual. O número ajustado, que tira efeitos não recorrentes, ficou em R$ 3,820 bilhões, basicamente estável (+0,3% YoY).

A reação foi imediata. As ações da Ambev abriram em forte alta na B3, chegaram a subir mais de 15% na manhã desta terça e lideraram os ganhos do Ibovespa. Pra quem acompanha a tese, era o tipo de resultado que faltava pra recolocar a cervejaria no radar dos investidores depois de meses de desempenho morno na bolsa.

Receita estável, EBITDA em alta e margem que voltou a respirar

A receita líquida consolidada da Ambev ficou em R$ 22,5 bilhões no trimestre, praticamente flat na base anual (-0,1%). Isolado, o número parece pouco animador. Mas o que importou pro mercado foi o que veio depois da linha de receita.

O EBITDA ajustado avançou 1,5% YoY, para R$ 7,555 bilhões, e a margem EBITDA ganhou 50 pontos-base, passando pra 33,6%. Em uma companhia do tamanho da Ambev, ganho de meio ponto percentual de margem em cima de R$ 22 bi de receita não é trivial. Vem de disciplina em preços, mix mais rico e controle apertado de custos. O lucro bruto ficou em R$ 11,58 bilhões, com leve avanço de 0,3%.

Pra quem ainda está se familiarizando com esses indicadores, vale dar uma olhada em EBITDA: o que é e como funciona e em DRE (Demonstração de Resultado): o que é e como funciona. Esses dois conceitos são a espinha dorsal de qualquer leitura de balanço, principalmente em empresas operacionais como a Ambev.

Cerveja Brasil cresce 1,2% em volume e surpreende analistas

O grande catalisador do trimestre foi a operação de Cerveja Brasil. O volume cresceu 1,2% YoY, recorde para um primeiro trimestre na série histórica recente. Pra dar contexto, vinha gente apostando em volumes negativos por causa do consumo fraco no país, do clima mais ameno em algumas regiões e da pressão sobre a renda das famílias.

A surpresa foi tão grande que XP, JP Morgan e outras casas estimam que o segmento Cerveja Brasil sozinho contribuiu com cerca de R$ 175 milhões a mais do que o esperado pelo consenso. Pra efeito de comparação, o volume da Ambev superou o da Heineken e o crescimento da indústria como um todo no período.

O movimento foi puxado por uma combinação de:

Mix premium e super-premium em alta: as marcas de maior valor agregado seguem ganhando participação dentro do portfólio, o que ajuda a margem mesmo quando o volume total cresce pouco.

Plataformas digitais acelerando: Zé Delivery, BEES e demais canais diretos apresentaram crescimento de dois dígitos no trimestre, segundo a companhia.

Preço/mix bem calibrado: a empresa repassou parte da inflação sem destruir demanda, algo que poucos esperavam dado o cenário de consumo apertado.

O ponto de pressão: resultado financeiro

Nem tudo foi positivo. O resultado financeiro líquido ficou mais negativo no 1T26, principalmente por conta de despesas com juros maiores e efeitos cambiais. Foi essa linha que segurou o lucro líquido em alta de "apenas" 2,1%, num trimestre em que o operacional veio claramente mais forte. Em outras palavras, a operação cresceu mais do que o lucro final, e a diferença ficou no caixa do financeiro.

É um ponto que o mercado já conhecia, mas que volta a chamar atenção em ciclos de juro alto. A Ambev é uma das poucas brasileiras com caixa líquido positivo, então não tem dívida pesando, mas o efeito da Selic elevada se transmite via aplicações, hedge cambial e operações de subsidiárias na Argentina e em outros países.

JCP de R$ 0,449 por ação e o histórico de proventos

Junto ao balanço, a Ambev anunciou o pagamento de juros sobre capital próprio (JCP) de R$ 0,449 por ação (bruto), referente aos resultados do 1T26. O pagamento deve ser feito até o fim de 2026. Em paralelo, a companhia confirmou a segunda parcela de JCP de 2025, no valor de R$ 0,0755 por ação, que cai na conta dos acionistas em 6 de julho.

A Ambev historicamente é uma máquina de pagar dividendos e JCP. Quem quer entender melhor a tese da companhia, recomendamos a leitura do guia Como investir em Ambev (ABEV3): guia completo, que detalha os fundamentos, riscos e o histórico de proventos da empresa.

Reação do mercado: ABEV3 dispara 15%

Na sessão pós-balanço, a ABEV3 disparou mais de 15% e liderou as altas do Ibovespa. O movimento reflete três fatores principais. O primeiro é a surpresa positiva no volume de cerveja no Brasil, que reverte a tese de "consumo morno" que vinha pesando no papel. O segundo é a expansão de margem, que mostra que a Ambev consegue rentabilizar mesmo em ambiente de demanda fraca. O terceiro é o posicionamento técnico: o papel vinha sendo subponderado por boa parte dos fundos locais, e o resultado destravou compras de gestores que estavam fora.

O JP Morgan, em relatório quente, disse que as estimativas de EBITDA consolidado para 2026 devem ser revisadas pra cima após o trimestre, dado o crescimento orgânico de mais de 10% que apareceu em algumas linhas. Já Citi e Bradesco BBI mantiveram postura mais neutra, criticando a distribuição de proventos abaixo do potencial e o nível ainda elevado de capex.

O que olhar daqui pra frente: Copa do Mundo no horizonte

O calendário ajuda a Ambev nos próximos trimestres. A Copa do Mundo de 2026 é o grande catalisador comercial do ano. Cervejaria e Copa do Mundo é casamento histórico, e a Ambev costuma faturar mais nos trimestres em que o Brasil está nas oitavas pra frente. Mesmo num cenário base, a expectativa é de impulso adicional em volume e em mix premium, com lançamentos especiais e ativações de marca.

Outro ponto a monitorar é o guidance de custo unitário (COGS por hectolitro) da operação Cerveja Brasil, que segue em 4,5% a 7,5% de alta no ano, sem revisão. Esse intervalo, somado à disciplina de preços, é o que sustenta o desenho de expansão de margem ao longo de 2026.

Pra quem usa múltiplos pra acompanhar o papel, vale revisitar EV/EBITDA: o que é e como funciona e P/L (Preço/Lucro): o que é e como funciona. A Ambev sempre negociou com prêmio em relação a comparáveis globais por causa da margem alta e do retorno sobre capital. Com a expansão recente do EBITDA, o múltiplo de entrada melhorou e o papel volta a aparecer como uma alternativa defensiva dentro do consumo.

Contexto setorial: consumo apertado, mas inelástico

O setor de bebidas alcoólicas no Brasil tem uma característica que ficou clara neste trimestre: é relativamente inelástico. Mesmo com o consumo das famílias pressionado pela inflação de alimentos e pelo endividamento, o volume de cerveja não desabou. Pelo contrário, cresceu. Isso mostra que a demanda por categorias como cerveja, refrigerante e energético é mais resiliente do que itens discricionários como vestuário, eletro e turismo.

Pra Ambev, isso significa que mesmo num cenário macro mais difícil, o piso de receita está protegido. A alavancagem operacional é o que faz a diferença: cada real adicional de receita acima do break-even cai com margem alta na linha de EBITDA. Foi exatamente isso que aconteceu no 1T26.

Olhando 2026 inteiro, o cenário base é de mais um ano de margem em expansão, volumes estáveis ou levemente positivos no Brasil, recuperação gradual na operação Argentina (com o efeito de mexicanização do peso e de inflação ainda alta) e tração contínua das plataformas digitais. O grande risco continua sendo o resultado financeiro, que pode seguir pressionado se a Selic demorar a cair.


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